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Alberto Manguel
©Luiz MunhozAlberto Manguel no projecto Fronteiras do Pensamento (Brasil), em 2014

Alberto Manguel doa 40 mil livros a futuro centro de estudos em Lisboa

O escritor e ensaísta argentino-canadiano Alberto Manguel vai mudar-se para Lisboa com a sua gigante biblioteca para fundar o Centro de Estudos da História da Leitura.

Por Renata Lima Lobo
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Alberto Manguel é escritor, ensaísta e um dos grande bibliófilos mundiais. Este sábado, na Feira do Livro, o argentino-canadiano vai assinar um protocolo com a Câmara Municipal de Lisboa (CML) para a criação de um Centro de Estudos de História da Leitura. O futuro equipamento cultural vai ocupar o Palacete dos Marqueses de Pombal, na Rua das Janelas Verdes, um edifício de inícios do século XIX, por onde já passou o Colégio Infante Santo, o Centro Português de Actividades Subaquáticas ou o Instituto José de Figueiredo.

Segundo a Direcção Geral do Património Cultural, em 1968 o imóvel foi vendido pela Fundação Ricardo Espírito Santo à CML que agora quer aqui instalar o espólio de Manguel, composto por obras de literatura e não ficção nas áreas das artes e humanidades. Entre os quase 40 mil títulos, destacam-se autores como Cervantes, Dante, Jorge Luis Borges, Lewis Carroll, Robert Louis Stevenson ou Rudyard Kipling, mas também há raros e valiosos exemplares de tempos medievais, como uma Bíblia iluminada de um scriptorium alemão do século XIII. A biblioteca tem ainda uma grande variedade de livros contemporâneos oferecidos pelos próprios autores e vários exemplares de primeiras edições.

Será Alberto Manguel o responsável pela direcção do Centro de Estudos da História da Leitura, que terá ainda um Conselho Honorário com nomes de peso do mundo da literatura. Como Olga Tokarczuk (Prémio Nobel 2018), Salman Rushdie, Margaret Atwood, Chico Buarque (Prémio Camões 2019) ou Tolentino de Mendonça, poeta e cardeal português, actualmente arquivista e bibliotecário do Vaticano. Segundo a vereadora da Cultura em Lisboa, Catarina Vaz Pinto, o centro, que será de acesso livre à população, poderá abrir portas dentro de um ano ou dois.

Alberto Manguel é ex-director da Biblioteca Nacional da Argentina e autor premiado. Entre outros, recebeu o Prémio Formentor das Letras, o Prémio Gutenberg, o Prémio Alfonso Reyes, o Prémio Médicis ou o Prémio Roger Callois. Há cerca de cinco anos teve de encaixotar a sua gigante biblioteca que tinha instalado num antigo presbitério do Vale do Loire, uma vila medieval francesa para onde se tinha mudado uns anos antes. Da mudança resultou o livro Embalando a minha biblioteca Uma elegia e dez divagações, disponível em Portugal com a chancela Tinta da China.

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