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An Nam
Mariana Valle LimaPho

AnNam: uma casa vietnamita despojada, mas cheia de conforto na comida

Perto da Avenida da Liberdade, esconde-se um pequeno restaurante que nos quer dar a conhecer a cozinha vietnamita a um preço acessível.

Escrito por
Cláudia Lima Carvalho
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Da rua, passa quase despercebido. Uma porta e uma pequena montra entre muitas portas e montras na Rua de Santa Marta, nas costas da Avenida da Liberdade. Lá dentro, não é muito diferente: um balcão e meia dúzia de mesas num espaço despido que em tempos há-de ter albergado uma pequena tasca. Só o nome, a música e as caras de quem nos recebe denunciam onde estamos: um restaurante vietnamita sem aparato que só quer servir comida autêntica a um preço acessível.

“A comida que se come aqui é a mesma que se come no Vietname. Posso dizer com orgulho que é genuína”, começa por dizer Hoàng Minh Trang, que abriu o AnNam com marido, Trương Ngọc Lương, que é quem está na cozinha, e o irmão Hoàng Đức.  

An Nam
Mariana Valle Lima

Em Lisboa há quase três anos, abrir um restaurante foi quase obra do acaso. Não estava planeado, mas as coisas foram acontecendo. Ao contrário do marido, Hoàng Minh Trang, também conhecida por Katie, não trabalhava na área da restauração, mas quando surgiu a oportunidade de dar vida ao AnNam acabou por se deixar conquistar. “E percebi que é isto que adoro fazer.”

“O meu cunhado é chef e gosta mesmo de comida vietnamita e sentiu que a comida vietnamita devia ser para toda a gente, acessível”, conta Hoàng Đức. Daí a encontrar este espaço para que pudesse dar forma ao que sentia foi um instante. “Estamos aqui para o apoiar”, diz-nos, sempre simpático e disponível. “Gostamos muito de falar, queremos que todos se sintam bem aqui e a verdade é que já temos tido muitos clientes a voltar”, continua. 

“Estou muito surpreendida por perceber que a comida vietnamita é muito famosa, muitas pessoas chegam aqui e já sabem o que querem. E às vezes até perguntam por coisas que não temos ainda”, comenta a responsável, informando que o menu está em constante mudança. “Tenho vários pratos para acrescentar.”

A vontade de abrir o restaurante também se deveu a alguns queixumes que foi ouvindo por cá, de quem havia experimentado comida vietnamita no Vietname mas que depois dificilmente encontrava algo do género em Portugal. “Esta comida encontra-se no Vietname em todo o lado. Alguns dos pratos em restaurantes, outros na rua e no mercado.” O irmão acrescenta: “Há restaurantes vietnamitas aqui, mas não são geralmente de vietnamitas. Nós somos vietnamitas”. Hoàng Đức conhece ainda mais um par de bons restaurantes vietnamitas, com quem quer manter uma concorrência amigável. 

An Nam
Mariana Valle LimaBanh mi de barriga de porco crocante

Na carta, “há comida vietnamita universal que as pessoas conhecem como as banh mi ou a pho”, diz Hoàng Đức, aconselhando que se atire sem medo, mesmo que não saiba o que vai comer. Todos os pratos têm uma descrição em português e Hoàng Minh Trang está sempre disponível para mostrar uma ou outra fotografia. 

Nas sandes vietnamitas, banh mi, por exemplo, há seis opções: da baguete com barriga de porco crocante, patê, coentros, pepinos, pickles doces e molho especial (5,90€), à vegetariana com tofu, coentros, pepinos, pickles doces e molho especial (5€). 

An Nam
Mariana Valle LimaSummer rolls

Antes disso, as entradas. Aqui encontram-se os habituais spring rolls (3,50€/3 unidades), com porco, cenoura, shitake, vermicelli em folha de arroz frita e molho especial, mas também os summer rolls (5,50€/duas unidades), com camarão, vegetais frescos, ervas noodle de arroz e molho especial). Há ainda três saladas: uma com novilho marinado (4,90€), outra com frango (4,50€) e outra vegetariana (4,50€).

Mas, tratando-se de um vietnamita, não faltam os pratos compostos e quentinhos como a famosa sopa pho (8,90€), que Hoàng Đức garante ser óptima solução para dias de ressaca – e não só. Já Hoàng Minh Trang recomenda bun cha (8,90€), uns noodles de arroz, que acompanham uma fina carne de porco e almôndegas grelhadas, com alface, coentros, hortelã e pickles doces – deve juntar-se tudo no caldo que chega com o prato. 

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Mariana Valle LimaBun cha

“Quando estava no Vietname podia comer bun cha todos os dias ao almoço”, lembra, de sorriso na cara, Hoàng Minh Trang, garantindo que nem sempre é fácil encontrar os ingredientes necessários em Portugal. Mas nem por isso os substituem: para se manterem fiéis, fazem questão de importar tudo o que é preciso. 

Ainda assim, esforçam-se para que os preços não disparem. “Queremos que tudo seja o mais acessível possível porque vendemos street food e não é suposto a street food ser cara, tem de ser acessível para que todos possam provar”, justifica Hoàng Đức, convidando a um regresso. “Temos muitas outras coisas autênticas para oferecer, há pratos tão diferentes que não dá para provar tudo numa só vez.”

Apesar da parca decoração (é possível que também isso vá mudando), Hoàng Minh Trang recebe-nos como se em sua casa estivéssemos. “Isto é um pedaço de casa para mim e quero que todos se sintam bem aqui. Somos uma família, não contratei ninguém.”

Rua de Santa Marta 2 2A (Avenida da Liberdade). Ter-Dom 12.00-22.00

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