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Loja, Joalheria, Leitão e Irmão
©DRLoja da Leitão e Irmão

Ano velho, vida nova na Leitão & Irmão

A loja mais antiga da joalharia Leitão & Irmão está de cara lavada e dá ao boas-vindas ao Natal com um presépio único.

Escrito por
Renata Lima Lobo
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No passado dia 1 de Dezembro, feriado nacional que assinala a Restauração da Independência, a loja do Chiado da joalharia Leitão & Irmão reabriu portas após três meses de obras de restauro. É uma Loja com História desde 2016 (com quase 200 anos), mas tem os olhos postos no futuro.

Foram joalheiros da coroa e fazem peças à mão em ouro e prata numa oficina que é um verdadeiro tesouro, o coração da loja cuja história arrancou na Rua das Flores, no Porto, em 1822. Foi Jorge Van Zeller Leitão, da sexta geração da família Leitão à frente do negócio, que em Novembro de 2019 nos guiou pelas máquinas e artesãos da oficina do Bairro Alto, construída para este propósito num pátio de um velho palacete, nos anos 70 do século XIX. Em execução estava uma girafa e um rinoceronte que contam histórias do país e um presépio em prata inspirado nos tradicionais presépios de barro de outrora. Figuras que agora já pode ver nas vitrines de uma loja do Chiado que bem poderia morar na 5a Avenida. Se bem que “Nova-Iorque é uma vulgaridade”, diz-nos Jorge Van Zeller Leitão.A loja do Chiado tinha sido remodelada em 2000 pelo artista Pedro Leitão e pelo arquitecto Ronald Gordon Hart, que a pintaram de amarelo, a cor associada à marca e que se mantém após a mais recente renovação, imposta por um um curto circuito que deu origem a um incêndio. “Não estava no nosso programa de festas”, explica o proprietário, que teve de encerrar as portas a 11 de Julho para obras que deitaram “a loja toda abaixo”.

Jorge Van Zeller Leitão
©Leitão & IrmãoJorge Van Zeller Leitão

O espaço foi totalmente renovado e contou com a ajuda de um calceteiro profissional para desenvolver a nova pièce de résistance do espaço: uma circunferência em calçada, instalada no centro do espaço, “pedrinha a pedrinha”, um pedido do proprietário. “Tenho muito gosto em calçada portuguesa, porque é lindo e isto vitrificado é muito bonito. Queríamos fazer aqui um centro e entendemos que calçada numa loja que tem coisas de Portugal fica bonito. Acho que se deve e pode valorizar a calçada portuguesa.”

Leitão & Irmão
©Leitão & IrmãoO centro de calçada portuguesa na Leitão & Irmão

E ainda há alguns sonhos por cumprir neste espaço que vive entre a tradição e a modernidade. Um passa pela criação de um museu/oficina no espaço do Bairro Alto e outro por uma loja além-fronteiras, numa terra especial. “É uma trabalheira, mas eu gostava de ter uma loja em Berlim, porque a minha mãe é de lá.”

Vitrines com Histórias
Hoje, ao entrar na loja do Chiado, é Salvador Dali que dá as boas-vindas. Ou melhor, uma “girafa de fogo” gigante, mas em prata, inspirada no corcel que o surrealista espanhol desenhou para o carnaval do Estoril de 1959. Visitar esta loja é também uma lição de história a cada montra. Mesmo ao lado está o elefante Hanno, inspirado nas imagens que Rafael desenhou no Vaticano do animal albino oferecido pelo rei D. Manuel I ao Papa Leão X, uma história com mais de 500 anos. Os dois fazem parte da colecção Animais Gigantes, aos quais se junta uma representação em prata do rinoceronte oferecido pelo rei de Cambaia, na Índia, a D. Manuel I, partindo de um desenho de Albrecht Dürer.
 

Leitão & Irmão
©Manuel MansoA girafa de Dali ainda na oficina


É Natal – E não há Natal sem Presépio
Também nas oficinas do Bairro Alto nasceu um presépio para assinalar os 800 anos da primeira vez que a representação do nascimento do menino Jesus saiu à rua. “O presépio, até São Francisco de Assis, não podia sair da igreja. São Francisco de Assis era assim meio rebelde e convenceu o Papa a deixá-lo fazer um teatro em Itália, na montanha de Greccio, com figuras humanas, sendo um presépio. E o Papa, não sei se farto de o aturar, disse ‘está bem, faz lá o presépio’. E foi a primeira vez que o presépio saiu da igreja para a rua e depois da rua para casa das pessoas. Em 2023 comemoram-se os 800 anos disso – e nós fizemos isto em comemoração desses 800 anos. Está um bocadinho adiantado”, explica Van Zeller Leitão, orgulhoso.

Oficina, Joalheria, Leitão e Irmão
©Manuel MansoAlgumas peças do presépio em execução

Para concretizar o projecto, descobriu no Norte do país o último modelador dos antigos presépios em barro, Francisco Pinto. No total, e para já, são 50 as peças disponíveis, mas tudo começa numa cabana de madeira com a Sagrada Família. “É uma história que está no imaginário de todas as pessoas de alguma idade. E eu quis refazer isso. A estrutura em madeira quer pôr o presépio no século XXI. Isto [as figuras] não se muda porque tem um tempo. Mas a cabana passou a ser uma cabana moderna. Lá atrás tem cinco riscos de luz para cada personagem: Nossa Senhora, o menino Jesus, o São José e o burro e a vaca que simbolizam o animal sagrado e o animal enjeitado. O resto é que é popular.”

presépio da leitão e irmão
©Leitão & Irmão

O “resto” são os reis magos, o camelo, o pastor, a pastora, os pescadores, a menina a arranjar as redes, a lavadeira, a menina com o cesto da farinha, um poço que funciona, o vendedor de água, o condutor dos camelos, a padeira, a menina que vem da seara, o ferreiro, o marceneiro, a lenha, os músicos que animam a taberna e o taberneiro. Em preparação está ainda uma legião romana e “mais gente da época”.

+ Leia a edição desta semana: Natal Solidário

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