[category]
[title]
Confeitaria Cister junta-se à cada vez mais longa lista de cafés e pastelarias com história a fechar em Lisboa. Cidade também perdeu a Mujique, por venda de prédio a investidores.

Confeitaria Cister encerra definitivamente no dia 31 de Dezembro." Foi este o início do comunicado a 2 de Janeiro deixado nas redes sociais pelo grupo Food Moments, que geria a pastelaria histórica, sem explicações sobre o motivo do fecho. "Saímos de coração cheio e com uma gratidão enorme", acrescentaram os gestores do espaço da Rua da Escola Politécnica, inaugurado em 1838 e regularmente frequentado pelo escritor Eça de Queiroz.
Nada fazia prever o fim da Cister. A 31 de Dezembro, aliás, na página de Facebook da confeitaria desejava-se um feliz ano novo e chamava-se a atenção para o facto de estarem abertos naquela data. "Aproveite o dia para saborear as nossas delícias antes de dar as boas-vindas a 2026", pode ainda ler-se. Dando conta do encerramento do espaço, o Observador escreve que o acontecimento "surpreendeu os clientes habituais, já que nos dias anteriores (...) publicavam-se as ementas do dia e fotografias de doçaria, como sempre". Também ao jornal Público, a presidente da Junta de Freguesia de Santo António, Filipa Veiga, comentou que "não suspeitava que tal pudesse acontecer". "Representa mais um momento na desertificação e descaracterização da cidade, independentemente das razões do encerramento”, acrescentou.
Na pastelaria do Príncipe Real, junto ao retrato do romancista que ali bebia a sua bica, mantém-se ainda a inscrição: “Eça de Queiroz / Pela Serafina, hoje Cister, passou grande parte dos seus dias.” O nome Cister deriva da ordem monástica que geriu a casa desde o início até meados do século XX e que aqui vendia a sua famosa marmelada.
A Time Out tentou contactar a empresa Food Moments com o fim de apurar o motivo do fecho da Cister, mas não teve sucesso.
Também no último dia do ano, Lisboa perdeu outra pastelaria, a Mujique, que funcionava na Rua Luciano Cordeiro desde os anos de 1980. Não tendo partido da vontade do proprietário, Manuel Lage, o fecho gerou grande indignação na vizinhança. "Não tive hipótese. O prédio foi comprado por investidores estrangeiros, para fazer habitação. Ainda fiz uma proposta para ficar com a pastelaria, mas eles queriam vender o edifício todo, não aceitavam de outra forma. Aquela zona ficou sem uma única pastelaria tradicional de qualidade", relatou à Time Out. "Vamos ficar muito mais pobres", reagiu a actriz e apresentadora Joana Barrios, nas redes sociais. Também João Torres, produtor na área do cinema e frequentador do espaço, deixou o desabafo: "Sinal dos tempos, neste final de ano fechou definitivamente a Pastelaria Mujique. Aquela que foi durante muitos anos uma espécie de extensão de casa e lugar de encontro da vizinhança, a pastelaria que também servia almoços, era referência quando se queria precisar a zona da rua. Vai fazer falta."
Noutro ramo mas no mesmo prédio, também a FuFu, loja-atelier vocacionada para o universo infantil e aberta desde 2023, terá de fechar portas ainda este ano.
A Mujique e a Cister juntam-se assim a uma longa lista de pastelarias que encerram nos últimos anos em Lisboa, contando com os casos do Centro Ideal da Graça, na Graça, a Vitória, na Estefânia, a Casa Chineza, na Baixa, a Helsínquia, em Alvalade, ou a Doce Real (conhecida pelas empadas e pastéis de massa tenra), no Príncipe Real. Teme-se, ainda, o encerramento da Padaria de São Roque, à entrada do Bairro Alto. Também em Cascais, a histórica Bijou fechou portas.
Discover Time Out original video