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Ana Salazar e Miguel Matos
DRAna Salazar e Miguel Matos

Aos 81 anos, Ana Salazar tem um novo perfume (e é uma edição limitada)

É a pioneira do design de moda em Portugal, mas há mais de uma década que se afastou das passerelles. Agora, o nome Ana Salazar ressurge numa eau de parfum.

Escrito por
Mauro Gonçalves
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O nome de Ana Salazar confunde-se com a própria moda de autor do século XX em Portugal. E, embora tenha passado os últimos anos longe da passerelle, é a própria quem faz questão de frisar: "Tenho me mantido sempre activa". A ocasião foi solene – na passada sexta-feira, a designer de 81 anos voltou a ver a sua assinatura inscrita num frasco de perfume. Ana Salazar resulta de mais de um ano de colaborações estreita com o perfumista Miguel Matos e marca o regresso da criadora ao mundo dos bens comercializáveis.

"Os perfumes que fiz eram vendidos na Perfumes & Companhia, nos aeroportos. Este é um perfume de nicho, uma abordagem completamente diferente, e esta ideia de ser algo muito mais exclusivo faz muito mais sentido para mim, neste momento. Além disso, é um perfume no gender", refere Ana Salazar, em conversa com a Time Out, no evento de lançamento.

Esta não é uma estreia para a criadora, que em 1992 lançou o primeiro perfume, na altura englobado numa marca que produzia vestuário e acessórios, com loja própria no Chiado e outra em Paris. Depois desse – Ana admite que ainda hoje é contactada por quem espera poder adquirir só mais um frasco –, chegou a lançar uma fragrância masculina e "mais dois ou três de senhora".

Ana Salazar Miguel Matos
DR

"É uma edição limitada de 100 frascos e digamos que 80% já foram vendidos para as lojas internacionais onde já vendo [os meus perfumes], em Espanha, Itália, Roménia, Hungria, Alemanha e, pela primeira vez, aqui em Portugal, na Embassy", explica Miguel Matos (co-fundador da revista Umbigo e antigo editor da Time Out Lisboa), o homem que trocou o jornalismo pela alquimia das fragrâncias. Mas antes de um parceiro criativo, Miguel começou por ser apenas um fã ansioso.

"Nunca nos tínhamos cruzado. Comecei a ver a Ana pôr likes no meu Instagram, eu a pôr likes no dela, e andámos assim até que ganhei coragem. A verdade é que já andava com esta ideia há mais tempo", esclarece. Várias reuniões depois, o perfumista entrou na cabeça de Salazar. "A Ana tem um gosto eclético, mas diria que tem sempre de haver ali uma sensualidade pouco óbvia, algo disruptivo, que não seja facilmente identificável, diferente do que se costuma cheirar. E desde o início que uma das regras foi: nunca olhar para trás. Comecei logo por falar no primeiro [perfume], que para mim era um trabalho importante. Ela disse logo que nem pensar – não é para olhar para trás, é para olhar para a frente", continua Miguel Matos.

Ir buscar referências ao património olfactivo de Ana Salazar foi, por isso, uma opção. Com base em novas ideias e referências, o perfumista criou uma eau de parfum totalmente sintética. "Demorou mais de um ano até chegarmos a uma fórmula em que a Ana dissesse ok." Difícil de categorizar segundo as famílias tradicionais, as notas moleculares aproximam-se de ingredientes naturais como o caramelo, o coco, a água do mar ou o jasmim. "Depois, a forma como se conjugam cria algo que vai além da simples soma das partes. Posso dizer que é frutado, é tropical, floral, amadeirado, animal – é tudo isto ao mesmo tempo."

Formulado no laboratório de Miguel Matos, em Almada, e produzido pela C de la Niche, em Barcelona, o perfume Ana Salazar está à venda desde a última sexta-feira. Além da perfumaria Embassy, junto à Avenida da Liberdade, também está disponível na loja online do perfumista. Custa 120€ (50 ml).

"Era incapaz de fazer o que já fiz", declara Ana Salazar. Regressar ao pronto-a-vestir não é uma hipótese para a designer portuguesa, o que não significa que outros projectos não estejam em marcha. Com a reabertura do Museu do Design e da Moda (Mude) prevista para meados do próximo ano, Ana assume, por estes dias, o papel de consultora no processo que, dentro de meses, desembocará nas novas fardas da equipa do museu.

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