'Archer' está de volta: rir à antiga

'Archer' está de volta: rir à antiga
Archer

Archer já não é o que era. Há muito que a antiga sitcom de espiões se tornou numa série de antologia que celebra o passado de certa ficção de género, outrora popular, hoje esquecida. A nona temporada está aí.

O tempo faz-se sentir. A relevância, por exemplo, esvai-se com os anos. O que em tempos era uma ficção arriscada e com o dedo no zeitgeist torna-se meio banal à medida que os anos passam. Isto pode ser escrito sobre muita coisa, mas assenta que nem uma luva em Archer, a série de animação cuja nona temporada se estreia sexta-feira na Netflix. E o que é notável é que, apesar de não ter a relevância e energia de antanho, continua a ser hilariante.

Quando se estreou, em 2009, Archer era uma sitcom de espiões pós-moderna, um casamento miserável (e passivo-agressivo) entre 007 e Arrested Development. E assim continuou até à quinta temporada, estreada em 2014 e intitulada Archer Vice, quando o criador Adam Reed trocou as histórias de espiões por uma paródia a Miami Vice. No ano seguinte voltou ao formato original, mas foi sol de pouca dura – a sétima temporada remetia para Magnum, P.I. via Kiss Kiss, Bang Bang; a oitava era uma homenagem ao cinema noir. Esta nona é um híbrido de Casablanca e as aventuras pulp dos anos 30/40.

A história é outra, mas as personagens são as mesmas. Archer (H. Jon Benjamin) continua misógino, mulherengo e com um complexo de Édipo; Malory (Jessica Walter) é uma figura maternal e distante; Lana (Aisha Tyler) é o potencial interesse amoroso, ao mesmo tempo uma mulher forte mas sensível; Pam (Amber Nash) continua livre de complexos, raçuda; Cheryl (Judy Greer) é a betinha entediada, em busca de experiências novas, ou talvez apenas de experiências; Cyril (Chris Parnell), o capacho; etc. A principal diferença é que Krieger (Lucky Yates), o cientista louco e nazi, agora é um papagaio – não interessa porquê, mas tem piada.

A julgar pelos primeiros episódios, e tal como a anterior época, esta nova aventura tropical é um sonho de Archer, que está em coma desde 2016. Claro que isso é apenas uma desculpa para não quebrar a continuidade. Porque, neste momento, aliás, desde 2014, Archer é uma série antológica que olha para o passado e formatos pop caídos em desuso e faz comédia com as suas convenções.

Uma evolução perfeitamente enquadrada e coerente com o tipo de humor pós-moderno que sempre caracterizou a sitcom. Há piadas meta-referenciais, apontando para outros objectos da cultura popular e para a própria série, a sua história e legado, e outras que se centram na linguagem e suas falhas, algo normal nas séries de Adam Reed (sobretudo em Frisky Dingo). Sempre com graça.

Netflix. Sex (estreia T9)

Nove razões para ligar a televisão esta semana

Publicidade
Publicidade

Comentários