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Portugal Manual
Gabriell Vieira

Artesãos da rede Portugal Manual vão ter uma loja no CCB

A rede Portugal Manual celebra dois anos com esta pop up store no CCB, com o melhor do que é feito à mão em Portugal.

Por
Francisca Dias Real
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A história e a cultura são a identidade de um país, uma identidade que tem passado mas também um futuro, que depende de todos. Os pequenos artesãos fazem parte desse passado e os novos trazem outro alento à arte de saber fazer e a um novo futuro da cultura portuguesa feita à mão. A Portugal Manual ajuda, desde 2018, a dar voz a estes criadores e a promover a produção nacional, juntando na sua plataforma um conjunto de marcas artesanais. Agora todos vão poder conhecer o seu trabalho numa loja pop up no Centro Cultural de Belém (CCB), que fica de portas abertas até Fevereiro. 

Cerâmica, joalharia, moda, infantil, edições limitadas, iluminação e mobiliário são as categorias onde encaixam as peças criadas por dezenas de artesãos portugueses que integram esta rede criada por Filipa Belo. Trabalha a partir de Brasília, onde vive, mas a distância nunca foi um obstáculo para deixar de fazer o que quer que seja. A sua vontade em dar voz a uma tradição reinventada continua a mover montanhas e foi dela que surgiu a Portugal Manual, como uma plataforma que promove estes artesãos e pequenas marcas que, por questões logísticas ou financeiras, não conseguem chegar tão além. 

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É certo que nunca foi tão importante apoiar o que é local e o que Filipa tem vindo a apregoar desde sempre repete-se agora em movimentos independentes que incentivam o consumo e a valorização do que é nosso. “Tenho esta conversa há dois anos. A Portugal Manual nasceu precisamente com o propósito de levar estes projectos portugueses além fronteiras, dar a conhecer o que é nosso. Ainda antes de uma pandemia nos bater à porta, já fazíamos esse trabalho”, afirma. “O discurso repete-se agora, porque a pandemia veio colocar no mainstream aquilo que era muito de nicho, que era o apoio a estes artesãos. Não podemos de forma alguma deixar o comércio local morrer.”

No fundo, a luta continua, uma luta que passa por mostrar que estas pequenas marcas e artesãos são o motor das economias locais. Na Portugal Manual não se expõe só a marca. Mostra-se a cara. Conta-se a história e fala-se do processo, de quanto tempo demora, que recursos são necessários, que é também uma forma de justificar o preço das peças. “Ainda há muito a ideia de que comprar local é sempre mais caro, mas até que ponto? As pessoas têm de se questionar sobre o preço e porque é que aquela peça vale aquilo. Há muito trabalho por detrás”, diz.  

Na Portugal Manual dá-se uma mãozinha às marcas para que estas cresçam, para que se saibam posicionar, seja numa vertente mais cultural com a questão das exposições onde vão estando presentes – a plataforma apresentou-se ao público pela primeira vez no Brasil, na Feira das Embaixadas em Brasília e depois com duas exposições em São Paulo. Mas também existe um posicionamento mais comercial, com idas a feiras internacionais para mostrar que o que é nacional é bom. Mas como 2020 foi tramado, outras ideias surgiram.

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A parceria com o CCB aconteceu de forma orgânica. Já estava apalavrado um grande (e primeiro) mercado Portugal Manual – com direito a workshops noutros museus de Belém – mas a pandemia trocou as voltas a estes criadores. “Eu nunca quis fazer mercados, não era o nosso posicionamento, mas surgiu esse convite do CCB e nós planeámos tudo para que fosse então um mercado diferente. Ia acontecer na Primavera mas tivemos de adiar para 2021”, explica. “Também nunca pensei em ter uma loja, até porque como estou longe é uma logística mais complicada, mas o convite do CCB chegou e num mês montámos a pop up para abrir no mês em que celebramos dois anos.” 

A loja fica no interior das bilheteiras e é o verdadeiro mundo encantado do artesanato e do design. Das cerca de 60 marcas que constituem a Portugal Manual, 39 estão presentes na loja, cada uma à sua maneira e muitas com peças exclusivas e acabadas de sair do forno. É o caso dos primeiros candeeiros do designer Rui Tomás (que também fez o design expositivo da loja), todos feitos à mão em roda de oleiro, mas há mais. A colecção “Mulher Objecto” de Ana Marta Cerâmica, as malas da António, as novas jarras da So-So Store, o calçado da Lobo Apparel, a colecção “Tasco” da Vicara, as cestas e as cerâmicas da Kroh, os postais da Beija-Flor, as bonecas da Fulana Beltrana Sicrana, as cerâmicas da Bisarro ou da Clementina Atelier. 

A lista continua com os candeeiros de Patrícia Lobo ou os da Musgo Design, as jóias de Joana Mota Capitão, de Paula Vieira, da Core Handmade, da Cris Maria ou da Mafalda Maya, entre muitas outras marcas, artesão e designers.

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Também em exclusivo na loja do CCB estará a primeira colecção sob a chancela Portugal Manual – a “Filomena”. Esta é uma colecção de
tableware que tem as origens, cores e texturas do Alentejo, uma colecção pensada por Filipa, cuja avó materna (e alentejana) deu nome a esta novidade, e executada por Mariana Filipe, da Malga, que se atirou às cerâmicas, e por Teresa Gameiro, que fez no seu tear os têxteis para “Filomena”.  

“Tínhamos um ano de 2020 super ambicioso e depois saiu tudo furado, mas tínhamos de marcar os nossos dois anos de existência com alguma coisa, e esse algo foi uma colecção própria”, conta. “Começámos a olhar mais para a nossa casa durante a quarentena e isso também motivou as pessoas a querer mudar coisas, a ter outros objectos com outro valor. Isso motivou-nos”.

Muito em breve esta colecção estará também à venda nas lojas Banema Studio, em Lisboa e no Porto, e online através da plataforma My Kubo, parceiro de marketplace da Portugal Manual. 

E mais do que um directório de marcas, criou-se ao longo destes dois anos uma espécie de família, uma verdadeira rede de contactos entre os membros da Portugal Manual. “Temos todos um grupo onde os artesãos acabam a partilhar questões mais técnicas que só conseguem ser respondidas pela experiência que algumas marcas já têm, por exemplo”, diz Filipa. “Um dos meus objectivos era criar um grupo de pessoas que trabalhassem a empatia e, apesar de no início haver alguma resistência à partilha, essas barreiras caíram. Eles não concorrem entre si, enquanto comunidade ganham todos mais força.” 

Centro Cultural de Belém. Praça do Império. Seg-Sex 11.00-20.00, Sáb-Dom 10.00-13.00.

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