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As Marchas Populares não vão ter Graça em 2022

A Marcha da Graça nunca parou de ensaiar, mas não vai participar das Marchas Populares 2022. Explicamos porquê.

Renata Lima Lobo
Escrito por
Renata Lima Lobo
Jornalista
Marcha da Graça
DRMarcha da Graça, Dia de Desfile na Avenida da Liberdade (2017)
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Lisboa é linda, as marchas também, mas nem sempre tudo é pacífico no que a estas diz respeito. Todos os anos, podem participar até 20 marchas populares, às quais se somam mais duas extra-concurso: a Marcha Infantil organizada pela Voz do Operário e a Marcha dos Mercados, pela Entidade Organizadora dos Comerciantes nos Mercados de Lisboa. Mas os três últimos classificados não têm acesso automático à edição seguinte, tendo de se submeter a um sorteio ao qual se juntam as restantes marchas que não participaram na edição desse ano. Ora, em 2019, a última edição antes da interrupção devido à pandemia, a Marcha da Graça, organizada pelo Clube Desportivo da Graça, ficou em 18.º lugar, mas contestou a atribuição de pontos, por acreditar que foram cometidas várias irregularidades.

O regulamento define uma série de regras relativas a diversos elementos – figurinos, composição e letra, coreografia, cenografia, qualidade de desempenho, originalidade da música, entre outros. O resultado da pontuação em cada categoria dita a classificação final de cada marcha, mas são recorrentes as reclamações das entidades organizadoras. “Em 2019, na primeira classificação que a EGEAC dá de madrugada, a Marcha da Graça fica em 17.º lugar. No dia seguinte, houve uma série de erros por parte da EGEAC e do júri na atribuição de prémios e penalizações e lançam outra classificação, uma coisa absurda. E a Marcha da Mouraria na segunda vez também ficou excluída, em 18.º. A Mouraria reclamou, e bem, e voltam a alterar a classificação, veja a incompetência daqueles senhores. E, à terceira vez, fica a Marcha da Graça em 18.º, recorda o presidente do Clube Desportivo da Graça, Rui Vicente, à Time Out.

Rui Vicente defende que a Marcha da Ajuda teria de ter sido alvo de penalização, já que, diz, “no desfile da Avenida usou uma marcha antiga”, o que está proibido pelo regulamento que define que cada marcha terá de interpretar a Grande Marcha de Lisboa (este ano com o tema “Amália é Lisboa”) e uma marcha original. “Temos uma janela de duas semanas para reclamar e foi o que fizemos, ainda em Junho, e só obtivemos a resposta da EGEAC em Agosto. A dizer que não existia VAR na Avenida da Liberdade e que a classificação estava fechada e não iam alterar. A EGEAC fechou a porta e por causa da incompetência deles a marcha vai a sorteio para o ano, mas pode não sair o papelinho”, lamenta.

Entretanto, o clube fez uma petição que entregou na Assembleia Municipal de Lisboa, mas que não produziu qualquer efeito, assim como uma providência cautelar contra a EGEAC, que acabou por ser negada pelo tribunal esta terça-feira. Mesmo com a mudança de executivo no ano passado, nada se alterou, nomeadamente a falta de respostas às reclamações do clube. Uma nova esperança tinha-se acendido em Dezembro passado, quando a organização da marcha foi convocada pela EGEAC para a apresentação do concurso para 2022, no Cinema São Jorge. “Ao sermos convocados pensamos que a Câmara nova ia meter as marchas todas, mas não foi o que aconteceu.”

Mesmo assim, a marcha está “pronta para sair”, com todos os custos suportados pelo clube, num total que ronda os 25 mil euros. São 50 os marchantes que todos os dias continuam a ensaiar na Escola Secundária Gil Vicente e muitos vêm de longe, de Almada ou da Amadora, antigos moradores que tiveram de ir viver para outros concelhos, mas que não deixam o bairro onde um dia viveram.

Mas nem tudo estará perdido: além de já terem convites para se apresentarem noutros concelhos fora de Lisboa, no dia 19 de Junho, a Marcha da Graça vai desfilar pelo bairro em direcção ao Pavilhão Municipal Manuel Castelbranco, onde irá actuar com as outras duas marchas da Freguesia de São Vicente: a Marcha de São Vicente e a Marcha Infantil da Voz do Operário. A entrada será livre.

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