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Ateliers da Penha: um cowork com oficinas para pôr as mãos na massa

ateliers da penha
Fotografia: Manuel Manso

Há casamentos felizes  que resultam de combinações improváveis – é o caso dos Ateliers da Penha, um espaço de cowork que traz atrelado a si oficinas de produção e criação. Instalados na Penha de França, estão de portas abertas para receber arquitectos, designers, escultores, carpinteiros, artesãos e artistas.

A carregar o projecto do início ao fim esteve (e está) o Colectivo Warehouse, que na necessidade de encontrar um espaço para trabalhar acabou por torná-la numa oportunidade para outros que tivessem as mesmas vontades. “A ideia sempre foi conseguir coser uma coisa à outra: a oficina e o ateliê, queríamos ajudar também outras pessoas com projectos e negócios como nós e não tinham um espaço destes em Lisboa”, diz Sebastião de Botton, que juntamente com Rúben Teodoro e Ricardo Morais compõem a equipa vencedora destes Ateliers.

O Colectivo Warehouse, que os três representam, abraça a arquitectura e a arte como as raízes daquilo que vão desenvolvendo, tanto em Portugal como lá fora. Focam o seu trabalho em projectos artísticos e de arquitectura participativa de âmbito cultural e social, ou seja, envolvem as comunidades naquilo que fazem. “O nosso processo criativo tem inputs da comunidade, só depois cozinhamos a nossa proposta. No fim, as pessoas também podem ajudar na criação e na construção”, diz, referindo-se a projectos em que deixaram a sua marca, como o do Bairro da Palma, a reconstrução de uma escola em Pedrógão Grande ou alguns bares que construíram para o Boom Festival.

Manuel Manso

“Não temos um cowork tradicional, não rentabilizamos o nosso espaço ao máximo com secretárias para fazer um negócio. Nas oficinas podes fazer o barulho e a sujeira toda que te apetecer e depois podes ter a paz que precisas lá em cima no escritório”, explica. O hall de entrada dos Ateliers, com um grande logótipo feito pela dupla de artistas Halfstudio, funciona como uma espécie de sala multiusos com uma mesa comprida que pode ser movida ao longo de todo o espaço e transformada até numa mesa de pingue-pongue. Esta sala camaleónica está pronta para receber eventos externos – é, aliás, um dos grandes propósitos que o colectivo tem em mente. “Queremos dinamizar o espaço que temos aqui, de forma a atrair outras actividades e grupos de pessoas, sem terem de ter um vínculo com os Ateliers”, explica Sebastião. “Estamos abertos a receber apresentações de marcas, conversas e até workshops (150€/ um dia; 250€/ dois dias) que possam fazer uso das nossas oficinas.”

Logo colada à sala multiusos está outra mais pequena com secretárias corridas e cadeiras, são espaços de trabalho individuais numa mesa colectiva – a verdadeira acepção de cowork (160€ + IVA/ mês). Há ainda três salas privadas, duas delas já ocupadas por um casal americano que se dedica à escultura e à pintura e a outra por uma dupla de pai e filho que constroem pranchas de surf. A outra sala maior está numa mezzanine, ainda por alugar, e é capaz de receber até quatro pessoas (500€ + IVA/ mês).

“A sala é perfeita para pequenas empresas ou até mesmo para alguém que queira trabalhar com maior privacidade”, diz Sebastião. O piso de baixo é onde a magia acontece, mas em vez de pós de perlimpimpim há martelos, lixadoras, berbequins e serrotes. São aqui as oficinas onde pode deitar as mãos à obra – no sentido literal da coisa. Há marcações no chão que numeram as mesas rotativas de quem trabalha nestes Ateliers, e todas têm rodinhas para se poderem ajustar ao espaço.

Manuel Manso

“Há quem passe muito mais tempo cá em baixo, por isso acaba quase por ter uma mesa fixa, mas estes números permitem que haja flexibilidade sempre que alguém quer vir trabalhar na oficina”, diz. O colectivo apostou em ter uma série de material para uso comum – é o caso da serra de esquadria e pequenas ferramentas – para que todos os coworkers possam fazer uso delas. E, além das mesas, há boxes que servem de armazém a quem se dedica aos trabalhos manuais.

“Era importante cedermos estas arrecadações para as pessoas poderem guardar o material e a obra-prima, tal e qual como se tivessem uma oficina em casa.” O acesso às oficinas está incluído na mensalidade de cada modalidade, assim como as boxes de arrumação, sem custos extra. “Não íamos cobrar as oficinas separadamente, porque são elas a essência dos Ateliers da Penha. São o que faz a diferença”, explica Sebastião.

Alto Varejão, 10A (Penha de França). Seg-Dom 09.00-19.00. 

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