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Azulejos à Colher: há uma oficina em Lisboa que restaura verdadeiras pérolas

isabel colher na oficina tardoz
Fotografia: Duarte Drago Isabel Colher na Tardoz

Lisboa não seria a mesma sem os seus azulejos. E é graças a figuras como Isabel Colher que muita desta memória aos quadradinhos continua a ser preservada. Falámos com a fundadora da oficina Tardoz.

De certeza que já passou pelo trabalho de Isabel Colher e nem reparou. Ou melhor, reparou, mas não associou a obra ao nome. Não se sinta mal, é mesmo isso que se pretende. Isabel é uma das grandes especialistas portuguesas no restauro de azulejos tradicionais portugueses – e trata com a mesma dedicação um exemplar do século XVI e um do século XX. Na sua pequena oficina em Marvila, um espaço que partilha com o colega e amigo Loubet Simões, também técnico de restauro, não tem mãos a medir.

Fotografia: Duarte Drago

“O branco está a dar luta”, desabafa quando nos recebe na Tardoz, enquanto mostra uma das fornadas falhadas para conseguir replicar azulejos brancos do século XVIII para uma igreja em Samora Correia. Muitas receitas (e uns dias) depois, Isabel Colher partilha nas redes sociais o resultado final. É no seu blogue (tardoz.wordpress.com) que vai mostrando o desenrolar e os frutos do seu trabalho de restauro – e também de ceramista, uma espécie de passatempo que vai tendo cada vez mais saída. Tem pequenos contentores em terracota para regar as plantas, medidores da humidade da terra dos vasos, marcadores para ervas aromáticas e relógios de sol em barro, que resultaram numa encomenda para o 20º aniversário da AGENEAL, a agência de energia da Câmara Municipal de Almada.

 

Fotografia: Duarte Drago

Isabel Colher foi aluna do famoso artista plástico Querubim Lapa, na disciplina de Modelação da António Arroio, e completou a sua formação no curso de Conservação e Restauro do Museu Nacional do Azulejo, uma iniciativa que partiu da necessidade do museu em restaurar as próprias peças. A experiência de referência de três anos apontou um novo caminho para a artista, que ainda ponderou seguir Escultura nas Belas Artes. Mas isso já é outra história. “Durante anos destruíram os azulejos e agora lembraram-se”, diz Isabel entre a crítica e o elogio ao renovado interesse de proprietários de edifícios privados em manter fachadas típicas e interiores. As últimas encomendas que tinha em cima da mesa eram réplicas de 80 azulejos do século XX para um coreto em Portalegre e mais de 500 para a fachada de um edifício privado, decorada a azulejos geométricos da Fábrica de Sacavém, encerrada nos anos 80, feitos com técnicas e medidas descontinuadas (15,5x15,5cm).

Fotografia: Duarte Drago

Já concluídas estão, por exemplo, 270 réplicas de azulejos para a fachada do novo hotel O Artista, nas Portas de Santo Antão (no edifício da famosa Ginjinha Sem Rival); réplicas de azulejos do século XX para a fonte da plataforma inferior do Miradouro de Santa Luzia e muitos trabalhos em Sintra, do Parque de Monserrate ao Palácio da Pena e Palácio Nacional, para onde fez, por exemplo, réplicas de frisos em relevo do séc XVI. Fora da vista, mas perto do céu, estão réplicas de azulejos figurativos do século XVIII no Passo do Terreirinho, o último passo de Lisboa, localizado na Mouraria, cujas portas só abrem ao passar a Procissão do Senhor dos Passos da Graça.

Apesar de Isabel Colher estar sempre muito ocupada, até porque lhe custar dizer que não, é possível fazer workshops sob marcação. Os contactos estão em www.tardoz.pt.

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