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Cortiço & Netos
Duarte Drago

O maravilhoso mundo dos azulejos em Lisboa

Estão nas fachadas dos prédios, em oficinas da especialidade e em lojas e antiquários. Siga o roteiro dos azulejos em Lisboa.

Escrito por
Editores da Time Out Lisboa
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Os azulejos fazem parte da identidade gráfica da cidade e lá vão contando histórias do passado de Lisboa. Os primeiros azulejos hispano-mouriscos foram importados de Sevilha por volta de 1503, mas o seu uso foi democratizado após o grande terramoto de 1755, quando muitos aproveitaram azulejos dos escombros para decorarem as suas casas, longe de serem palácios. Não demoraram muito tempo a ser produzidos em Lisboa e são hoje (e desde há muito tempo, na verdade) um dos cartões de apresentação da cidade. Os criativos e artesãos da cidade vão trazendo esta arte para o século XXI, e assim, em Lisboa, podemos saltitar entre quadradinhos de outros tempos e contemporâneos.

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O maravilhoso mundo dos azulejos em Lisboa

  • Coisas para fazer
  • Vida urbana

Em Belém, foi erguido no início de 2020 um memorial em azulejo projectado pela Galeria Ratton a partir de um projecto da artista plástica Menez (nome artístico de Maria Inês da Silva Carmona, 1926-1995) com poemas de Sophia de Mello Breyner no exterior. Um casamento artístico que ao mesmo tempo recorda a amizade entre a poeta (Sophia não gostava da palavra poetisa) e a pintora e um encontro entre a imagem e a poesia que não é coisa inédita no passado da galeria. O memorial chama-se Espaço Entre a Palavra e a Cor e, mais do que uma homenagem, pretende-se que a obra em azulejo com poemas de Sophia (seleccionados pela filha Maria Andresen de Sousa Tavares), e imagens de Menez seja igualmente um espaço de cultura, no centro de duas meias luas separadas por 16 metros.

As escadarias da Infante Santo

Em 1959, a Câmara Municipal de Lisboa instalou em quatro escadarias da Avenida Infante Santo painéis de azulejos de Maria Keil, Alice Jorge e Júlio Pomar, Rolando Sá Nogueira e de Carlos Botelho. Em 1994 chega o painel cerâmico de Eduardo Nery, encomendado para Lisboa Capital Europeia da Cultura. Mas há cinco escadarias da avenida e faltava decorar a que dá acesso à Rua Joaquim Casimiro. Um “problema” resolvido em 2017 com a arte de Add Fuel (Diogo Machado), conhecido por reinterpretar o design tradicional dos azulejos portugueses que num painel de 200 metros quadrados, homenageou os artistas da azulejaria de padrão e os restantes trabalhos da Infante Santo.

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  • Arte, artesanato e passatempos
  • Marvila

Isabel Colher é uma das grandes especialistas portuguesas no restauro de azulejos tradicionais portugueses – e trata com a mesma dedicação um exemplar do século XVI e um do século XX. Na sua pequena oficina em Marvila, um espaço que partilha com o colega e amigo Loubet Simões, também técnico de restauro, não tem mãos a medir. É no seu blogue (tardoz.wordpress.com) que vai mostrando o desenrolar e os frutos do seu trabalho de restauro – e também de ceramista, uma espécie de passatempo que vai tendo cada vez mais saída. Tem pequenos contentores em terracota para regar as plantas, medidores da humidade da terra dos vasos, marcadores para ervas aromáticas ou relógios de sol em barro. Da Tardoz já saíram réplicas de azulejos do painel criado por Júlio Pomar e Alice Jorge em 1958 para a Avenida Infante Santo, da Porta do Alhandra no principal acesso ao Palácio da Pena ou das fachadas do hotel O Artista e da pastelaria Pão de Canela.

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  • Arte, artesanato e passatempos
  • Castelo de São Jorge

Um espaço que mora na colina do Castelo há cerca de cinco décadas, mas que é mais famoso entre quem nos visita. Poucos portugueses tocam à campainha da oficina hoje liderada pela artesã e desenhadora Cristina Lopes, nascida na Mouraria e aluna de Querubim Lapa na António Arroio. Começou a trabalhar nesta oficina com apenas 19 anos, conhece bem os cantos à casa e os cantos de todo o tipo de azulejos.

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  • Antiguidades
  • Avenida da Liberdade/Príncipe Real

É a maior e mais antiga loja do mundo especializada em azulejos originais. Verónica Leitão é a terceira geração da família a abraçar o negócio que inclui um número infindável de azulejos portugueses dos séculos XV a XIX, painéis originais, como o Painel dos Saltimbancos que nasceu no século XVIII na Quinta dos Anjos de Carnide (por 8200€ é seu), muita porcelana das Caldas da Rainha, colunas em talha, portas, peças de exterior, um cantinho Bordalo – tudo, enfim, o que Manuel Leitão, filho do fundador, acredita ser a alma de um povo. “Não estamos a vender, estamos a transmitir conhecimento e peças a gerações futuras”, defende. E é seguro comprar aqui azulejos: “Não compramos em pequenas quantidades, porque podem ser azulejos roubados. Tudo o que compramos é reportado à polícia”, explica Verónica. Se quiser um bonito azulejo, por 10€ vai bem servido.

  • Museus
  • Beato

O azulejo é a prova física do sentido prático dos portugueses que escolheram este material convencionalmente pobre para decorar espaços interiores e edifícios. No museu, instalado no Convento da Madre de Deus, estão representados alguns dos mais significativos exemplares da azulejaria nacional, do século XV até aos nossos dias.

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  • Decoração
  • Lisboa

Os netos do senhor Cortiço herdaram um dos maiores stocks de azulejos da cidade. Nesta verdadeira azulejoteca encontra todo o tipo de formas, relevos e cores, entre azulejos mais comuns e outros mais raros. Se partiu um azulejo antigo na cozinha lá de casa, esta loja pode ser mesmo a única solução para tapar o buraco. Mas a Cortiço & Netos não se limita a vender quadradinhos. Os tabuleiros, também feitos com azulejos antigos, têm muita saída, fora os projectos desenvolvidos pela loja, já com um pé nas artes. Afinal, instalações, exposições e projectos de design, como o Bairro do Avillez, só ficam bem no currículo de uma das lojas mais especiais de Lisboa.

'La Folie des Grandeurs', de Julien Raffin

Quem desce as escadas da Estação Ferroviária de Santos, em Lisboa, para chegar ao lado do rio depara-se, à esquerda, com um novo mural de arte urbana. É da autoria de Julien Raffin, 37, artista francês que trabalha habitualmente com colagens de papel. Desde finais de Dezembro de 2021 que quem por ali passa pode ver o painel de azulejos La Folie des Grandeurs. Esta série questiona a noção de progresso, em diferentes aspectos”, conta Raffin à Time Out, por telefone. “Representa valores de liberdade e união, e ecoa os desejos de pessoas de mente aberta que acreditam num futuro melhor”, acrescenta. O mural mostra duas mulheres, de cravo vermelho ao peito, a tocar na ponte 25 de Abril. “Quis pôr mulheres na frente das cidades modernas, como Lisboa”, explica, confessando a intenção de fazer uma obra “relevante para a cidade”.

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  • Decoração
  • Chiado

Esta montra está aqui desde 1916, mas o centro nevrálgico deste maduro negócio mora na Ajuda. Aí, a cada passo que damos, numa das mais antigas fábricas de Lisboa, encontramos quadrados de história nas paredes. Inaugurada em 1741 na Rua de Sant’Anna à Lapa, mudou-se para a Junqueira quando a Avenida Infante Santo rasgou a fábrica ao meio. Nos anos 30 instalou-se na Ajuda, onde ainda funciona hoje, também como loja no Chiado. Aqui tudo se cria através do uso de técnicas ancestrais e processos artesanais, da modelação à cozedura. Tanto pode encomendar um azulejo com padrões do século XVI, painéis de azulejos e faiança, encomendar um restauro ou mesmo frequentar um workshop de azulejos. Estará a aprender com os melhores.
 

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  • Decoração
  • Estrela/Lapa/Santos

Luca Colapietro, um italiano a viver em Lisboa, é o rosto atrás da Surrealejos, uma marca que pega na azulejaria portuguesa e lhe dá uma pitada de surrealismo. Troncos humanos unidos a cabeças de raposa ou pandas impecavelmente vestidos de fato e perna cruzada são algumas das imagens decalcadas nos azulejos, oriundos de uma fábrica nas Caldas da Rainha. Depois da pandemia o ter levado a fechar a primeira loja, ali para os lados do Martim Moniz, a Surrealejos renasceu junto às Janelas Verdes.

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  • Arte
  • Chiado/Cais do Sodré

Um projecto tornado possível graças à colaboração de artistas portugueses, alemães, espanhóis e americanos, como Paula Rego, Júlio Pomar, Menez, Costa Pinheiro, Jorge Martins, Graça Morais, Lourdes Castro, João Vieira, Bartolomeu dos Santos, Pedro Proença, Andreas Stöcklein, Querubim Lapa, Isabel Azeredo, Cristina Lamas, lluis Hortallà, Pedro Cabrita Reis e Betty Woodman, entre outros. Em 1987, a galeria Ratton apostava na produção de cerâmica, convidando pintores e artistas plásticos a trabalharem o azulejo, essa bandeira nacional. Encetava-se assim um trajecto de recuperação da tradição deste ex-líbris, não só pelo enfoque na evolução das técnicas de produção como pelas novas formas de viver os espaços, com o azulejo a reflectir as tendências dos dias que correm.

Mural de azulejos de André Saraiva

André Saraiva criou para o Jardim Botto Machado (junto à Feira da Ladra) um megalómano mural com 188 metros de comprimento, 1011 metros quadrados de área e precisamente 52738 mil azulejos. André, luso-francês, ficou conhecido nos anos 90 com o seu alter ego Mr. A, uma personagem que também funciona como a sua assinatura e que se espalhou por algumas cidades europeias. Este mural reinterpreta a cidade com alusão a alguns dos principais monumentos, misturados com outros elementos, como uma Torre Eiffel.

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Livro Azulejo em Lisboa

Os azulejos de Lisboa são um dos tesouros da Europa. E como qualquer tesouro que se preze, precisa de um mapa para ser encontrado, mesmo que muitas das suas joias estejam à vista de todos. Este álbum fotográfico da editora Zest chama-se Azulejo em Lisboa, é da autoria da Direcção Municipal de Cultura e além das fotografias, assinadas por José Vicente, traz um mapa acoplado que pode ser comprado em conjunto ou em separado. A viagem proposta começa no século XVI e ao longo de palácios, igrejas ou fachadas, dará atenção a artistas mais antigos, como o Ferreira das Tabuletas (Loja Viúva Lamego, no Largo do Intendente), a outros mais modernos, como Almada Negreiros (Rua do Salitre, 132).

Preço: 27,99€ em www.zestbooks.pt

  • Atracções
  • São Vicente 

A Igreja e Mosteiro de São Vicente de Fora estão entre os pontos obrigatórios na zona de Alfama, homenageando o padroeiro da cidade desde o remoto ano de 1173. No mosteiro mora uma monumental colecção de arte cerâmica, com destaque para as Fábulas de La Fontaine, ao melhor estilo português, azul e branco.

Arte nas ruas da cidade

  • Coisas para fazer

Nos últimos anos, Marvila tornou-se uma autêntica galeria a céu aberto. Anote como coordenadas o Bairro das Salgadas (Rua Dinah Silveira de Queiroz), a Quinta Marquês de Abrantes (Rua Alberto José Pessoa) e o Bairro da Quinta do Chalé (Rua José do Patrocínio), três dos núcleos abrangidos pelos artistas das tintas. Para um roteiro com orientação a preceito, consulte as visitas-guiadas da Galeria de Arte Urbana. De caminho, não se esqueça de visitar a Galeria Underdogs, meca da cultura visual, e de passar a pente fino a restante oferta ao nível das artes.

  • Arte
  • Galerias

Museus e centros de difusão de arte contemporânea e galerias que estão de pedra e cal no roteiro cultural dos lisboetas são bem conhecidas de todos. Mas, onde andam os artistas emergentes? Esses que não andam nas bocas do mundo? Nestas galerias, está claro. Conheça talentos emergentes nas galerias de arte menos óbvias de Lisboa, algumas até no centro da cidade, outras nos bairros já fora do centro histórico ou até nos bairros que só mais recentemente estão a ser descobertos por uma grande parte dos lisboetas.

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