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Bairro da Quinta do Loureiro
©DRUma das fotografias que vai integrar a exposição

Bairro Meu: a iniciativa que está a puxar pela Quinta do Loureiro

Os jovens da Quinta do Loureiro fotografaram o bairro que nem profissionais, numa iniciativa de inclusão social que anda a promover a auto-estima e o orgulho dos seus habitantes.

Escrito por
Renata Lima Lobo
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Estreitar laços dentro do bairro primeiro, eliminar fronteiras com outros territórios da cidade depois. O Bairro Meu é um projecto da associação sem fins lucrativos It’s About Impact, que quer promover a inclusão social e o espírito de comunidade através da criação artística, em particular através da música, da arte urbana, da escrita criativa, do audiovisual, das artes performativas e da fotografia. E foi precisamente pelas imagens que o projecto começou a dar os primeiros passos no Bairro da Quinta do Loureiro, em Alcântara.

O Bairro Meu começa com uma série de workshops destinados a jovens, leccionados por artistas dos seis movimentos artísticos. O primeiro, de arte fotográfica, foi liderado por Daniel Rodrigues, vencedor da categoria de Daily Life do World Press Photo de 2013. O resultado pode ser visto a partir de 6 de Setembro numa exposição essencialmente destinada aos moradores, espalhada pelo comércio local da Quinta do Loureiro, entre cafés, padarias e mercearias. Num segundo momento, será inaugurada uma exposição com imagens de Daniel Rodrigues, mas fora das fronteiras da Quinta do Loureiro – esta ainda está por agendar.

Bairro Meu
©Pedro GarciaO fotógrafo Daniel Rodrigues

“Acreditamos que as pessoas do bairro são o elemento fundamental para a criação de um sentido mais forte de comunidade e de orgulho, primeiro dentro e depois fora do bairro. É por isso que, no desenho deste projeto, foi essencial criar momentos de descoberta e ligação dentro do bairro, mas também espaços de comunicação deste sentimento para fora dele, criando uma maior ligação com outras comunidades de Lisboa”, explica Jwana Godinho, fundadora da It’s About Impact.

Não é por acaso que a arte chegou ao bairro como força motora da transformação: Jwana tem uma vasta experiência na área da música e espectáculos, tendo trabalhado nas gigantes EMI e Música no Coração. Mais recentemente foi coordenadora da programação cultural da Presidência Portuguesa do Conselho Europeu. “Quis dar de volta à sociedade o que a sociedade me dá”, contou à Time Out a principal impulsionadora deste projecto, que conseguiu reunir o investimento da Santa Casa da Misericórdia, do Banco Montepio, da Câmara Municipal de Lisboa e da Gebalis, em parceria com a Junta de Freguesia de Campo de Ourique e com o apoio do Ministério da Cultura. Além disso, o Bairro Meu é co-financiado pelo Portugal 2020, através do Portugal Inovação Social, e o impacto social do projeto vai ser medido através de uma parceria com o Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do ISCTE, a “sombra que nos acompanha neste trabalho”, contou Jwana, que espera ver esta iniciativa adoptada noutros projectos e políticas públicas.

workshop fotografia
©Pedro GarciaO workshop de fotografia

Os objectivos de impacto social definidos pela It’s About Impact para a Quinta do Loureiro são claros: que 20% dos jovens (até aos 18 anos) participem na melhoria dos espaços comuns e com isso aumentem o sentido de comunidade; que 30% dos não trabalhadores aumentem as suas estratégias formais e informais de procura activa de emprego; e que 40% dos idosos no bairro tenham contacto com as actividades do projecto e que com isso se sintam mais incluídos socialmente.

A qualidade das imagens tiradas pelos jovens do bairro “assombrou” pela positiva a equipa do Bairro Meu, contou Jwana, na esperança que esta seja uma forma de eles falarem do assunto entre eles e perceberem que “podem sonhar com vários percursos”. Além disso, explica a fundadora, “vêm-se retratados e descobrem que são bonitos”.

Neste momento, o Bairro Meu está em fase de finalização de parcerias com artistas para começar a realizar workshops nas outras áreas propostas, que devem acontecer entre os meses de Outubro e Dezembro, num processo que irá decorrer de forma semelhante: primeiro cimentando o espírito comunitário e sentimento de partilha dentro do bairro e depois fora dele, dando a conhecer um território ainda estranho para muitos lisboetas, nascido após a demolição do Casal Ventoso. “É importante sentirem o orgulho em serem do Bairro do Loureiro. E as artes podem trazer isso às pessoas.”

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