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Banksy é um génio ou um vândalo? Descubra a resposta na Cordoaria Nacional

Banksy é um génio ou um vândalo? Descubra a resposta na Cordoaria Nacional

Têm autor, mas não há rosto por trás delas. Mais de 70 obras de Banksy chegam à Cordoaria Nacional esta sexta-feira cedidas não pelo artista mas por vários coleccionadores privados. “Banksy: genious or vandal?” é a primeira grande exposição em Portugal de obras do artista britânico a quem nunca ninguém viu o rosto – e que mesmo assim consegue trocar as voltas ao mundo com os seus constantes manifestos artísticos.

Esculturas, stencils em telas, serigrafias, instalações, vídeos e fotografias, tudo originais que vêm parar a Lisboa e que por aqui vão ficar até 27 de Outubro. “Lisboa tem uma óptima geografia e é uma das cidades com mais cultura de street art, por isso fazia sentido trazer para cá uma exposição como esta”, explica Alexander Nachkebiya, curador da mostra que tem a chancela da Everything is New em colaboração com a britânica Lilley Fine Art / Galeria de Arte Contemporânea. “É uma grande oportunidade tanto para os lisboetas como para os turistas verem uma mostra com esta dimensão” – diz, contando que foram já mais de 600 mil as pessoas que viram “Banksy: genious or vandal?”, que já esteve em Moscovo, São Petersburgo e Madrid.

Sem surpresa, esta exposição traz colada a si o selo de “não autorizada”, ou não fosse esta a luta habitual de Banksy. A arte urbana deve ser pública e gratuita, defende o artista, conhecido pelo seu trabalho de forte cariz social e político, sem esquecer nunca o sarcasmo. No seu site, Banksy faz questão de apontar todas as exposições “fake” e a de Lisboa não falha a lista. 

©Banksy

“Banksy não autorizar é perfeitamente normal, ele não apoia nenhuma exposição que não seja criada por ele mesmo. Isto porque os trabalhos que ele fez, sem ser os de street art, não foram feitos com o intuito de serem expostos, foram obras com fins comerciais”, afirma Alexander. “Estamos a levar para Portugal obras de arte que ele fez para vender, não estamos a expor nada do que ele fez para a rua, porque isso seria inapropriado.”

Em “Banksy: Genious or Vandal?” está lá tudo o que fez de Banksy o artista que é hoje: as questões políticas, culturais, éticas e a troça ao mundo da arte. Entre as obras mais reconhecidas da exposição encontra-se a serigrafia original da série “Menina com um balão”. Haverá também um audioguia de duas horas que explica quem é Banksy e todo o percurso da sua carreira.

A par das obras originais, Alexander explica que levaram a cabo um projecto paralelo de fotografia onde vários fotógrafos viajaram pelo mundo para captar obras de arte urbana do iconoclasta. “Como há algumas obras que se apresentam tanto em formato de street art como em print, decidimos fotografá-las na rua para as colocar lado a lado com estas”, diz o curador. São mais de 50 imagens em larga escala que representam o verdadeiro trabalho de Banksy, para dar às pessoas a sensação de street art e obra pública.

“O Banksy reage aos problemas para os quais devemos olhar e trata-os de forma mordaz. Ele não é só um artista, é um fenómeno.” Um fenómeno sem cara. “Muita gente me pergunta se eu o conheço e eu respondo que não, nem quero saber quem ele é. Se soubesse, ia perder todo o factor enigma que existe à sua volta. Imagine que amanhã todos sabemos quem é o Banksy. A magia da coisa ia desaparecer”, diz. “O que quer que o Banksy faça é sempre muito incisivo e brilhante. Ele faz sempre uma coisa diferente e nunca conseguimos saber o que vai fazer a seguir”, afirma Alexander.

©Banksy

Nos últimos anos, Banksy habituou-nos a esperar o inesperado, como aconteceu no Verão de 2015 quando fez acontecer um antiparque de diversões, num complexo abandonado na cidade inglesa de Weston-super-Mare, e onde, com artistas convidados de todo o mundo a participar – a portuguesa Wasted Rita incluída –, ergueu uma crítica clara à Disneylândia. Ou daquela vez em que um dos seus quadros se autodestruiu no momento em que o som do martelo arrematava a sua venda por mais de um milhão de euros num leilão da Sotheby’s, em Londres.

O seu trabalho é um desafio para o sistema, um protesto constante, mas a sua própria comunicação revela- -se como uma valente estratégia de marketing. “Banksy quer ficar longe do sistema, não quer propriamente fazer parte dele, mas ele habita o planeta Terra, portanto tem de se guiar por algumas regras”, refere. “É uma marca, quer ele queira quer não. Qualquer coisa que ele faça é um show completo.”

Portanto, “Génio ou vândalo?”: para Alexander, um génio sempre. “Se tu olhares para uma parede pintada e se essa imagem te dá algo em que pensar é arte, se a imagem te irrita é vandalismo”, acrescenta. “Banksy vai direitinho ao coração e à mente das pessoas, ele transmite sempre uma mensagem que nos faz pensar. Portanto, Banksy é um génio. Banksy é arte.”

Cordoaria Nacional. Avenida da Índia. Dom-Sex 10.00-19.00 e Sáb 10-00-20.00. 13€.

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