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BoCA – Biennial of Contemporary Arts
Fotografia: Pedro Machado

BoCA regressa em Setembro com dez estreias nacionais e não só

O evento deverá passar por mais de 26 espaços de apresentação, entre teatros, museus e outros palcos de Lisboa, Almada e Faro. Gus Van Sant é um dos nomes confirmados.

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Escrito por
Raquel Dias da Silva
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A BoCA – Biennial of Contemporary Arts prepara-se para nos convidar a pensar o mundo e a condição humana, num ciclo de programação que abre espaços para narrativas ficcionais onde a imaginação tenta curar o passado e remodelar o futuro. De 3 de Setembro a 17 de Outubro, Lisboa, Almada e Faro fazem-se palco de uma ambiciosa amálgama de artes, com dez estreias nacionais e 17 novas criações de mais de 40 artistas portugueses e estrangeiros, como o realizador Gus Van Sant, o encenador Romeo Castellucci e a escritora e artista Grada Kilomba.

“Diante da presente desumanização a que assistimos, parece-me que nos deparamos perante o grande desafio das nossas vidas, que a pandemia apenas veio tornar mais evidente: fazer da responsabilidade ética de vida e deste lugar ‘entre’ e ‘trans’, que desejamos construir, um lugar de amor”, sublinha John Romão. O director artístico da bienal destaca esta terceira edição como crucial para abrir espaço à polissemia dos lugares de fala, pôr o dedo nas feridas do passado e perspectivar um futuro possível de ser construído em conjunto.

Com o mote “Prove You Are Human” (“Prova Que És Humano”, em tradução livre), a programação – que coloca em diálogo as artes visuais, a performance, as artes cénicas e a música – desafia-nos a reescrever narrativas colectivas no presente que, por um lado, proponham a abertura da história a uma coexistência biodiversa a múltiplas vozes e, por outro, respondam às urgências de um mundo contemporâneo em crise ecológica, económica e de valores. Neste sentido, salienta-se, em particular, a criação de Grada Kilomba para a bienal.

Composta por 140 blocos, que formam a silhueta do fundo de uma nau e desenham minuciosamente o espaço criado para acomodar os corpos de milhões de africanos, escravizados pelos impérios europeus, a instalação de grande escala da escritora e artista multidisciplinar estará patente no espaço exterior do maat ao longo de toda a BoCa. Estendendo-se junto ao rio por 32 metros de comprimento, na Praça do Carvão, Barco/Boat convida o público a entrar num jardim da memória, que reflecte e questiona “um dos mais longos e horrendos capítulos da humanidade”.

Ainda na senda da violência do pensamento colonial, sobressai também uma outra proposta, do colectivo activista e feminista chileno LasTesis, que se estreia em Portugal para desenvolver, com cerca de 80 mulheres e dissidentes locais, a performance Resistência, que estará em cena a 13 de Outubro, na Praça da Liberdade, em Almada. De forma diversa, Pedro Costa e Os Músicos do Tejo tocam na mesma ferida, a 17 e 18 de Setembro, no Capitólio, em Lisboa, e a 25, no Claustro do Museu Municipal de Faro. Com recurso a vídeo, teatro e a música, propõem uma narrativa ficcional que volta a colocar a ênfase no pós-colonialismo.

Entre muitas outras propostas artísticas a reter, numa lista que nos parece interminável, é impossível não mencionar a do cineasta norte-americano Gus Van Sant, que estreia a sua primeira criação de palco, o espectáculo de teatro musical Andy. Inspirada na história de Andy Warhol, a peça marcará a abertura da temporada 2021-2022 do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, e poderá ser vista na Sala Garrett, de 23 de Setembro a 3 de Outubro, antes de seguir para o Teatro das Figuras, em Faro. Com texto, encenação, música e letras de Gus Van Sant, conta com uma equipa artística portuguesa, incluindo direcção musical de Paulo Furtado, conhecido como The Legendary Tigerman.

No alinhamento, destacam-se ainda a artista visual e coreógrafa Anne Imhof, premiada na Bienal de Veneza de 2017; o jovem canadiano Miles Greenberg, que teve como mentora Marina Abramovic; ou o encenador italiano Romeo Castellucci, “um dos mais importantes nomes do teatro europeu”. Mas também a actriz e encenadora Mónica Calle, que vai guiar grupos de espectadores por percursos intimistas numa praia naturista; a rapper portuguesa Capicua, que marca presença com o seu primeiro texto teatral; e Andreia Santana, cuja criação performativa e instalativa convoca uma interdependência entre esculturas, performers e bactérias depositadas nos objectos escultóricos através do contacto físico, oral e sonoro dos intérpretes.

A programação completa está disponível para consulta no site da BoCa, que propõe ainda aliar a programação artística aos espaços naturais com um projecto para desenvolver ao longo de dez anos. Inspirado no legado de Joseph Beuys, A Defesa da Natureza propõe a plantação de sete mil árvores com a participação de inúmeros artistas e da sociedade civil. A bienal tem prevista ainda uma série de debates e encontros com artistas como Grada Kilomba, Tania Bruguera ou Frédérique Ait-Touati com Odete. Alice Ripoll e Pedro Costa estão já confirmados como responsáveis por dois workshops de dança e cinema, respectivamente.

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