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Café com alperce? Ou com pepino? É a especialidade do MAS, no Arco do Cego

Sia Fung quer dar a provar combinações inesperadas de café. Cold brew e compota de alperce ou sumo de pepino são algumas das propostas.

Beatriz Magalhães
Escrito por
Beatriz Magalhães
Jornalista
MAS Specialty Coffee and Brunch
Rita Chantre | Sia Fung, a proprietária do MAS, a fazer um "café criativo", com cold brew e compota de alperce
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O café não tem de ser sempre a mesma coisa. Pode ser muito mais do que uma bebida com gelo, leite ou bebida vegetal. Pelo menos, essa é a filosofia de Sia Fung, a jovem por trás do MAS. Abriu em Março, na Avenida Duque de Ávila, com café de especialidade e brunch. Mas não se deixe enganar pela simples descrição, este sítio não é como todos os outros. As combinações de café irreverentes, pensadas ao detalhe, certamente impressionarão os mais cépticos. Não se preocupe, há também cold brews, macchiatos e espressos.

Sia Fung veio para Lisboa, ainda antes da pandemia, para estudar gestão de marketing no ISCTE. Gostava da cidade, gostava do curso, mas não gostava muito do café que encontrava à venda. “Já quando andava no secundário adorava beber café. Então, quando vim para cá, explorei muitos sítios. Mas era difícil encontrar o meu café preferido”, recorda Sia, de 24 anos. Ora havia o Starbucks, ora havia cafés tradicionais, em que a especialidade era a bica.

MAS Specialty Coffee and Brunch
Rita ChantreO interior do MAS

“Sou da China, vivia em Guangdong, onde a cultura do café é muito mais internacional. É interessante, porque os chineses não gostam muito do café que, aqui, é o mais tradicional. Há muito poucas pessoas a beber espresso – é muito raro. E, na Europa, isso é o que se bebe diariamente”, nota. Foi por isso que decidiu ter um negócio próprio, para mostrar o quão diverso o café de especialidade pode ser.

Quando a covid-19 obrigou o mundo a entrar em quarentena, Sia regressou à China. Voltou a Portugal assim que se deu o fim da pandemia com o objectivo de terminar o curso. Mas, incentivada pelo parceiro Sam Chan, que é barista profissional, congelou a matrícula e focou-se em abrir o MAS. O lugar escolhido fica no centro da cidade, a poucos minutos a pé do Saldanha e do Campo Pequeno. Ficou totalmente pronto ao fim de quase um ano. A proprietária fez questão de seleccionar cada um dos elementos que compõem o espaço – dos prints nas paredes às mesas de madeira e bancos com pernas coloridas. Ficou a parede de tijolos, que vinha do antigo restaurante que funcionava aqui.

MAS Specialty Coffee and Brunch
DRSia Fung e o namorado Sam Chan

Os lugares estendem-se à esplanada e ao piso inferior, convidativo para quem queira estudar ou trabalhar ao computador. A servir de decoração, destaca-se uma pequena vitrina em que estão dispostas algumas figuras, como um Yoda, e objectos feitos com peças LEGO. É um dos hobbies favoritos da barista. Feita a visita guiada, voltemos ao andar de cima e passemos, finalmente, ao café.  

Assim que nos sentamos, Sia pergunta-nos que café gostaríamos de beber. Antes ainda de ouvir uma resposta definitiva, está pronta a dar algumas recomendações, confiante de que vai acertar. “Tento lembrar-me de todos os clientes, especialmente dos regulares. Falamos sobre o dia-a-dia, sobre o café e a comida. É mais do que chegar e sentar. O que quero fazer é criar uma pequena comunidade, porque a conexão é o mais importante”, explica. “Pode acontecer recomendar-te um grão de café que tu não gostas e preciso de saber isso, porque o cliente tem de confiar em nós para lhe oferecermos um café de que vai gostar.”

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Rita ChantreO piso inferior do MAS

É, aliás, dessa ideia que vem o nome do café. MAS é um acrónimo para “More than a sip”, que alude ao facto de que beber café deve ser visto como uma experiência. Por outro lado, MAS também se traduz em “mas espera, há muito mais café além daquele que conheces”, significando que temos aqui a oportunidade de provar algo inconvencional. “Nos cafés comuns, tens uma ou duas opções de café. Talvez haja pessoas que prefiram grãos com um sabor mais floral, ou a frutos secos, a chocolate ou baunilha. Por isso é que fazemos bebidas diferentes”, sublinha a barista.

Invenções e mais invenções

Escolhida a variedade, é hora de um dos empregados nos dar a cheirar um pote com o café moído. Cheiramos, anuímos e, dentro de poucos minutos, chega à mesa o copo de café. A marca é a portuguesa Olisipo e a variedade, exclusiva do MAS, é uma mistura de 70% de café do Brasil e 30% de Myanmar (mas também usam outras marcas, como a DAK). No entanto, a variedade vai mudando e esta não é a única que está disponível. Para diferentes bebidas, utilizam-se diferentes grãos, cujos nomes e origens estão afixados no quadro de cortiça, perto do balcão.

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Rita Chantre"Café criativo" com cold brew, compota de alperce, infusão de osmanthus e chá preto
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Rita ChantreTosta de pão brioche com porco desfiado e ovos benedict

O “café criativo” (5€-8€), por exemplo, é uma criação sazonal, em que Sia combina diferentes variedades de café com chá, sumo de fruta, xarope, leite, o que for. Se lá passar nesta altura, vai poder experimentar uma criação de compota de alperce, chá preto, infusão de osmanthus (planta nativa da Ásia e da América do Norte) e cold brew feito com café da Etiópia. O sabor do alperce é tão pujante e doce que parece quase um sumo. Só no final é que sentimos o travo do cold brew. 

Outra das invenções mais recentes é um cold brew de Burundi, com chá verde de jasmim e sumo de pepino. O sabor do café sobrepõe-se, mas ainda assim o pepino sente-se – e bem –, conferindo-lhe uma enorme frescura. Estas bebidas são servidas por si só ou num dos combinados da carta, com mais um espresso ou americano e um flat white. Este custa 5,50€, o outro combinado (que não inclui o "café criativo") fica por 4€.

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Rita ChantreCombinado com um "café criativo" (cold brew com sumo de pepino e chá verde de jasmim), um expresso e um flat white

Depois, além de inúmeras bebidas quentes e frias – como affogato (4,50€) –, há café de filtro (5€-8€), lattes de matcha chinês (4,20€-4,80€), latte de beterraba ou de batata-doce roxa (ambos 3,50€) e chá de jasmim ou oolong (3,50€).

Para comer, as propostas de brunch são igualmente saborosas. Destaque para as tostas, de pão brioche ou pão de massa-mãe: de fiambre, queijo brie, maçã e nozes (6,80€); de ovos mexidos com cogumelos (6€); de salmão fumado, rúcula e ovos benedict (14€); e de porco desfiado e ovos benedict (13€). “Cozinhamos o porco durante quatro horas, em lume baixo, para que a carne ganhe bastante sabor. A carne fica a marinar a noite inteira com uma mistura de especiarias asiáticas e portuguesas”, explica Sia. O pão, ao contrário do resto, não é feito na casa – é da padaria 110.

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Rita ChantreTosta de lava de Biscoff
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Rita ChantreA tarte basca

Nos doces, há verdadeiras perdições. É o caso da tosta de lava, uma “french toast” recheada de leite condensado, famosa em Hong Kong, Macau e Guangdong. Há de Biscoff e de chocolate em pó Ovomaltine (ambas 8,50€). Há ainda “french toast” normal (8,50€), panquecas (6€-7,50€) e sobremesas, como tiramisù (5€), tarte basca (4,60€), cheesecake de mirtilo (4,60€) e de matcha (5€).

A clientela faz-se tanto de locais como de estrangeiros, porém o que mais surpreende a proprietária é a afluência de portugueses, novos e velhos. “Os clientes vêm e perguntam ‘Como estás?’ ou ‘Como é que tens andado?’, o que me deixa muito feliz. Eles gostam de nós e vêm regularmente”, diz. Agora, e depois de ser tão bem recebida, Sia quer continuar a trabalhar para manter a qualidade e perceber se, talvez no próximo ano, faz sentido abrir um segundo espaço.

Avenida Duque de Ávila, 8D (Saldanha). Ter-Sex 08.30-18.00, Sáb-Dom 09.30-19.00

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