"Dove sarai/ Anima mia/ Senza di te/ Mi butto via", canta Eros Ramazzotti quando entramos na nova osteria La Famiglia by Olivier, dando o tom para uma noite que nunca se vai desviar muito de Itália e da sua gastronomia gulosa e de conforto. Até há poucos meses morava aqui o Real Pérola, do mesmo grupo – um "snack-mar" que apostava no marisco em geral e nas ostras em particular –, mas o negócio não estava a correr bem e a veia de empresário de Olivier não fez por esperar.
"Sempre adorei italiano e este espaço pedia uma cozinha mais descontraída, para famílias, para todos. Demorei 15 minutos a desenvolver a carta porque isto são as coisas que eu como desde sempre e que eu cozinho em casa desde sempre", conta o chef, dando como exemplo o spaguetoni alla carbonara (16€), com guanciale, gema de ovo, parmesão, pecorino e pimenta preta, e a mafaldine a la bolonhese (16€), uma pasta que faz lembrar o tagliatelle mas tem as bordas onduladas com recheio de ragu, salsicha italiana e tomate. "É uma receita minha muito antiga. Demora oito, nove horas a ficar pronta."
As memórias de família atravessam o menu. O trecce al pesto verde (15€) tem o molho da tia; o fettuccine Alfredo (16€), com parmesão, manteiga e pimenta preta, vem dos tempos da avó; e o panadinho (19€) com manteiga, alcaparras, sumo de limão, ovo ralado e salsa é igual ao que o chef Michele, pai de Olivier, costumava fazer. "A minha irmã Natalie chorou quando veio cá e provou."
A ideia de família não se fica pelo nome e pelas receitas: a ideia aqui é partilhar, como as veras famílias italianas fazem à volta da mesa. O capítulo Formaggi e Salumeria da carta é isso mesmo que pede, com diferentes queijos e enchidos para picar e a antipasti La Famiglia (28€), para duas a três pessoas, a juntar num mesmo momento burrata, pesto, tomate assado e quatro enchidos à escolha, que podem ser bresaola, mortadela, prosciutto ou salame.
Nas entradas brilham a polenta crocanti (8€), os croquetes alla carbonara (3€), os carpaccios de salmão (12€) e de novilho (15€) e o vitelo tonato (16€) – rosbife de vitela com molho tonato, alcaparras e ervas; já nos principais (ou secondi piatti) há coisas como risotto al limone e gamba Rosa (19€) e o tradicional Saltimbocca (21€), lombo de vitela com presunto, sálvia e molho Madeira.
Hasta la pasta, baby
À medida que o balcão com capacidade para 12 pessoas se vai enchendo (bem como as mesas para mais umas 40 a 50), Francesca Michielin canta "Fango in Paradiso" e Zuchero "Senza una Donna". O La Famiglia é o mais descontraído – e barato – dos mais de 30 restaurantes que Olivier tem neste momento. Ao contrário do que acontece no XXL, no daCosta, no Yakusa ou no mais recente Mimi, aqui os funcionários usam t-shirts (com a frase "Hasta la pasta, baby" gravada nas costas) e a conta dificilmente ultrapassa os 30€/pessoa, mesmo que os clientes se aventurem num dos cocktails de assinatura da casa, como o fresco moscow mule "Nonna style" (12€), com espuma de limoncello, ou o insólito parmigiano sour (12€), com grappa, gin, mel, alecrim e, sim, parmesão ralado na hora. "Quando o fiz a primeira vez, chamaram-me maluco, mas depois experimentaram e gostaram", conta Gustavo, responsável pelo bar.
Inesperadas são também duas das quatro sobremesas disponíveis. Se o tiramisu e a tarta al limone merengada (ambos 8€) são o que se espera encontrar numa osteria castiça, honesta, as vistosas taças de soft gelatos confirmam que estamos num restaurante de Olivier: a La Famiglia (6€) junta ao gelado ultra-cremoso de nata e iogurte praline de pistáchio, crumble de amêndoas torradas e raspas de limão; enquanto a de caramelo salgado (6€) chega à mesa com feuilletine crocante e pipocas caramelizadas. Um conselho: enquanto curte "La Solitudine" de Lausa Pausini, mergulhe a colher até ao fundo do copo, para apanhar as diferentes texturas.
Rua da Escola Politécnica 247 (Príncipe Real). Ter-Sáb 12.30-15.00 e 19.00-00.00; Dom 12.30-15.00
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