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Café Nicola vai ser um imóvel classificado

Por Raquel Dias da Silva
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A abertura dos procedimentos para a classificação do Café Nicola, um dos mais antigos de Lisboa, foi publicada esta quarta-feira em Diário da República. É o único café histórico do Rossio ainda em actividade.

A abertura do procedimento de classificação do Café Nicola foi anunciado em Diário da República, esta quarta-feira, 20 de Março. Um bem imóvel pode ser classificado nas categorias de monumento, conjunto ou sítio e com uma das três graduações do interesse cultural: nacional, público ou municipal.

O procedimento, iniciado pela Direcção-Geral do Património Cultural, inclui o “Café Nicola, piso térreo, incluindo o património móvel integrado, na Praça D. Pedro IV, 24 e 25 e na Rua Primeiro de Dezembro, 14 a 20, Lisboa, freguesia de Santa Maria Maior, concelho e distrito de Lisboa”.

Para proteger o enquadramento arquitectónico, urbanístico e paisagístico do imóvel, também os edifícios situados num limite de 50 metros, contados a partir dos limites externos do estabelecimento em vias de classificação, se encontram desde já abrangidos pelas medidas de protecção, como por exemplo o dever de comunicação das situações de perigo por parte do proprietário; a impossibilidade de ser adquirido por usucapião (abandono pelo proprietário e apropriação por terceiros); ou dever de comunicação da transmissão.

O Café Nicola é do tempo dos primeiros botequins, no século XVIII, abertos por italianos. “Conhecido por ter sido segunda casa do poeta Bocage – ainda presente em escultura – foi ponto de encontro de outros escritores, artistas e políticos, de tal forma que chegaram a chamar-lhe ‘Academia’”, pode ler-se no site da iniciativa de apoio ao comércio tradicional alfacinha, que inclui apoio financeiro à preservação, modernização e promoção destes lugares.

Em 1929, o café adoptou o nome actual, sob a gerência de Joaquim Fonseca Albuquerque, “dá-se a intervenção que nos propicia alguns dos recantos que nos levam ainda hoje a querer entrar: as pinturas de Fernando Santos que retratam Bocage e a sua época, e a visão arquitectónica de Raul Tojal, que buscou modernizar o espaço recorrendo ao vocabulário da época, o estilo Déco e geométrico”, conta ainda o programa Lojas com História.

No Rossio, o Café Nicola é o único café histórico a sobreviver, depois do fecho da Pastelaria Suíça. O Café Gelo, na Praça Dom Pedro IV, poderia acompanhar o Nicola, não fosse ter sido remodelado ao ponto de perder as características arquitectónicas originais.

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