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Cannes em versão queer

Diamantino

Foi a edição mais concorrida da Queer Palm, com 19 filmes na corrida ao prémio de melhor filme LGBT do festival de Cannes – um deles português. O vencedor, Girl, foi conhecido na sexta, uma história de uma adolescente trans bailarina. Contamos-lhe tudo.

Cristiano Ronaldo é a inspiração para Diamantino, o filme de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, que conquistou a Semana da Crítica de Cannes e que esteve na corrida à Queer Palm, a Palma Arco-Íris de Cannes, que todos os anos, desde 2010, distingue o melhor filme LGBT do festival.

Uma ideia do jornalista e crítico de cinema francês Franck Finance-Madureira, que “quis trazer para Cannes o que já acontecia em Berlim, com o Teddy Award, para dar visibilidade aos temas de filmes queer”, explica por telefone, no meio da azáfama do festival que terminou no fim-de-semana passado. “Era importante para o festival ter o equivalente ao Teddy.”

Conseguiu, e o prémio, na nona edição, já distinguiu filmes que mais tarde vieram a dar nas vistas noutros festivais e cerimónias como Lawrence Para Sempre (o vencedor da Queer Palm de 2012), de Xavier Dolan, ou Carol (vencedor de 2015), de Todd Haynes, que chegou mais tarde a estar nomeado para os Óscares, incluindo o de Melhor Actriz (Cate Blanchett).

Diamantino, uma co-produção luso-brasileira que no elenco até conta com Manuela Moura Guedes, é a história de um futebolista em declínio depois de falhar um penálti decisivo (aqui representado por Carloto Cotta, com um cerrado sotaque açoriano). “À procura de um novo objectivo para a sua vida, Diamantino entra numa odisseia delirante, que envolve neofascismo, crise dos refugiados, modificação genética e a busca pela origem da genialidade”, conta a produtora numa sinopse. 

A revista Variety fala num “queer sci-fi thriller” que por enquanto ainda não tem estreia em sala marcada. Tal como as outras 14 longas-metragens em competição (e mais quatro curtas) “na edição mais concorrida da Queer Palm”, diz o presidente do prémio.

A lista final é feita com os responsáveis pelas várias secções do festival (Selecção Oficial – Competição, Selecção Oficial – Sessão da Meia-Noite, Un Certain Regard, Quinzena dos Realizadores, Semana da Crítica, Acid e também é premiada uma Curta-Metragem) e o vencedor é selecionado pelo júri de cinco pessoas, este ano presidido pela francesa Sylvie Pialat, “produtora de Desconhecido no Lago, premiado com a Queer Palm em 2013’”, sublinha Franck.

O vencedor desta nona edição, Girl, a primeira longa-metragem do belga Lukas Dhont, da secção Un Certain Regard, foi eleito “por unanimidade” e conhecido na sexta-feira à noite. Protagonizado por Victor Polster, de 15 anos, é a história de Lara, uma adolescente transgénero que quer ser bailarina. “Cinema de verdade com uma bela representação”, diz o júri. Capaz de “falar sobre o maior mistério do universo: quem somos e quem queremos ser?”. “Nasceu um fantástico cineasta.”

O Órfão, a curta-metragem premiada, de Carolina Markowicz, é brasileira e conta a história de Jonathas, um também adolescente adoptado, que é depois devolvido por causa das suas maneiras mais afeminadas. O filme conquistou o júri “com a sua perspectiva relevante, narrativa e abordagem cinematográfica”.

Rafiki, um romance lésbico passado no Quénia, também na corrida à Queer Palm, foi dos mais falados. Realizado por uma mulher, Wanuri Kahiu, foi o primeiro filme do Quénia a estrear em Cannes – e com uma ovação. No Quénia foi banido e acusado de “promover o lesbianismo”. “Acreditamos que os adultos quenianos são maduros e têm discernimento suficiente para ver conteúdos locais, mas o seu direito foi-lhes negado”, escreveu a realizadora no Twitter.

Outro dos filmes indicado para a Queer Palm foi Whitney, de Kevin Macdonald, um novo documentário (o ano passado estreou Whitney: Can I Be Me, disponível na Netflix) sobre a vida de Whitney Houston, com imagens de arquivo e novas entrevistas a amigos e familiares da cantora.

+ Festival de Cannes 2018: os vencedores

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