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Capitão Fausto
©Melissa VieiraCapitão Fausto

Capitão Fausto: "Tocar com uma orquestra era um sonho antigo"

Por
Luis Filipe Rodrigues
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Os Capitão Fausto juntam-se à Orquestra Filarmonia das Beiras e ao maestro Martim Sousa Tavares para um concerto único, a partir das 22.00 de sábado, no Campo Pequeno.

Do Concerto for Group and Orchestra (1969) dos Deep Purple, com a Royal Philharmonic Orchestra e o maestro Malcolm Arnold, ao multiplatinado S&M dos Metallica, acompanhados pela Orquestra Sinfónica de São Francisco e Michael Kamen, a história dos encontros entre bandas de rock e orquestras clássicas já vai longa – pelo menos relativamente à história da pop-rock. Agora é a vez dos Capitão Fausto e da Orquestra Filarmonia das Beiras escreverem o próprio capítulo desta narrativa.

Domingos Coimbra, Francisco Ferreira, Manuel Palha, Salvador Seabra e Tomás Wallenstein estão juntos e apresentam-se ao mundo como Capitão Fausto há dez anos. Contudo, é preciso retroceder até antes da formação da banda para começar a contar a história do concerto de sábado, no Campo Pequeno. “Dar um concerto assim era um sonho antigo, um sonho de criança”, diz Domingos Coimbra, por entre gargalhadas e conversas paralelas, no estúdio do grupo, em Alvalade. Desde que ouviram o S&M?, sugere-se, meio a gozar. “Exactamente”, graceja Manuel Palha.

Agora a sério. “Há mesmo um paralelismo entre os dois concertos. O Michael Kamen uma vez contou que os Metallica lhe tinham dito que queriam fazer um concerto com orquestra, e ele respondeu que era uma ideia gira. Eles nunca mais disseram nada de nada, até que passados dez anos lhe ligaram a dizer que iam finalmente fazer aquele concerto, e ele já nem se lembrava do que estavam a falar”, reconta Manuel. “E ainda há bocado o Martim disse que isto já tinha sido falado há dez anos e agora finalmente aconteceu.”

“O Martim” é Martim Sousa Tavares, filho e neto de escritores que toda a gente conhece, amigo do grupo desde os tempos do liceu, maestro de profissão e director da Orquestra Sem Fronteiras. É ele quem está a orquestrar as canções e vai dirigir o concerto. “Voltei de férias a 8 de Fevereiro e desde então estamos a fazer os arranjos para uma canção por dia. Tem sido prodigioso”, assume o maestro. “Mas nós começámos mais cedo”, esclarece Domingos Coimbra. Não é difícil corroborá-lo. Já em Dezembro, à conversa no WhatsApp, Tomás Wallenstein escrevia que estava “no estúdio a transcrever/compor os arranjos”.

Martim volta a tomar a palavra para descrever o processo de orquestração. “É um trabalho bastante técnico”, começa por dizer. “A ideia não é o Tomás cantar, a banda fingir que toca e a orquestra fazer a trilha. Nada disso. A orquestra tem de enriquecer a textura, tem de jogar com certas linhas, tem de dobrar aqui e ali, tem de saber quando sair da canção. É mais ou menos como acompanhar solistas, mas não é um concerto para piano e orquestra. É com uma banda, que é a autora desta música, e que nós temos de acompanhar.”

Obviamente, as canções vão soar muito diferentes daquilo que ouvimos e conhecemos dos discos. Essa não será, porém, a única diferença. O próprio alinhamento vai ser especial. “O concerto é uma celebração, ou uma síntese, de todas as músicas que fizemos até agora. Temos coisas de todos os discos”, revela o vocalista. “Nos concertos que temos dado em auditórios temos experimentado tocar algumas canções diferentes. Ficámos contentes com umas, menos contentes com outras”, completa Salvador Seabra. E vai haver algumas surpresas, incluindo um par de peças clássicas.

Sobre filmagens, gravações e possíveis edições preferem não falar muito. Ou pelo menos não sabem bem o que dizer. “Ainda não temos nada fechado”, assume Manuel. “Em princípio vamos gravar. E filmar, talvez. Nem que seja para aparecer num documentário que um dia fizerem sobre os Capitão Fausto”, arrisca Wallenstein. “Estão ambos os formatos em aberto. Como é óbvio, temos imenso interesse em registar isto de qualquer maneira que seja possível. Mesmo que seja só para nós”, garante Francisco.

Falta responder a uma pergunta: como é que a Orquestra Filarmonia das Beiras entrou na órbita do grupo? “Por questões de logística”, reconhece Tomás Wallenstein. “Inicialmente até pensámos em formar uma orquestra especificamente para o concerto, só que era muito complicado. E a Orquestra das Beiras tem uma grande abertura, tanto faz programas clássicos como faz qualquer outro tipo de música.” Manuel Palha vai mais longe: “Há poucas ou nenhumas formações assim em Portugal.”

Martim parece concordar. “Muitas orquestras não saem do milieu da música clássica. Não se querem deixar contaminar por outras músicas. Mas a Orquestra das Beiras é diferente. Não há espaço para caretas. Ainda há poucos dias estiveram a tocar músicas do Harry Potter e a acompanhar a projecção do filme”, exemplifica. “Confesso que o meu único contacto com eles tinha sido num concerto desses e adorei. Achei mesmo bom, mesmo bem tocado”, elogia Manuel. “Quando se falou deste nome eu disse logo que sim. Pareceu-me óbvio.”

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