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Carlos do Carmo prepara despedida dos palcos “sem amarguras”

Raquel Dias da Silva
Escrito por
Raquel Dias da Silva
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No ano em que comemora o seu 80.º aniversário, o fadista despede-se dos palcos. Últimos concertos estão marcados para Novembro, em Lisboa e no Porto.

Carlos do Carmo abandona os palcos depois dos espectáculos marcados para 2 de Novembro, no Coliseu do Porto, e 9 de Novembro, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. “Este será o ano da despedida. Será o ano da despedida sem amarguras, sem azedumes. Será o ano da despedida com muita, muita gratidão a todas as pessoas que me têm dado ao longo da vida tantas alegrias e tanta generosidade”, anunciou em vídeo esta quinta-feira, no Facebook.

Figura maior do panorama fadista, Carlos do Carmo é filho único da também célebre Lucília do Carmo e, embora se tenha formado em hotelaria na Suíça, não escapou ao destino, quando após a morte do pai, em 1962, começou a gerir a casa de fados Faia, aberta pelos seus pais quando tinha apenas oito anos. No ano seguinte, iniciou inevitavelmente a sua carreira de intérprete, anunciada há muito pelo contacto prematuro com o fado, através de matinés e verbenas de fim-de-semana. Afinal de contas, o seu próprio nascimento, a 21 de Dezembro, foi noticiado pelo jornal Guitarra de Portugal, segundo a biografia do cantor no Museu do Fado.

Em 1963, a sua interpretação do tema “Loucura”, de autoria de Júlio de Sousa, editada num EP do seu amigo Mário Simões, começou a passar regularmente na rádio e, por consequência, editou logo no ano seguinte um EP em nome próprio, o disco Carlos do Carmo com Orquestra de Joaquim Luiz Gomes. Em 1967, surgiu o primeiro prémio, o de “Melhor Intérprete”, pela Casa da Imprensa, que em 1970 lhe atribui o prémio Pozal Domingues de “Melhor Disco do Ano”, para o seu primeiro álbum, intitulado O Fado de Carlos do Carmo, editado pela Alvorada em 1969.

Posteriormente lançou numerosos EP e LP, premiados pela qualidade e pelo número de vendas, mas a referência obrigatória na história do fado é o disco Um Homem na Cidade, editado em 1977 pela Trova, onde interpreta poemas de Ary dos Santos aliados a um conjunto de composições musicais inovadores, de autorias tão diversas como Paulo de Carvalho, António Vitorino de Almeida ou Fernando Tordo. Ainda no âmbito da discografia, destaca-se também o lançamento, em 1984, de Um Homem no País, a primeira edição em formato Compact Disc de um artista português.

Recentemente, o fadista participou em Bairro da Ponte, disco do DJ e produtor musical português Stereossauro (Tiago Norte), e deverá editar até ao final do ano um álbum de estúdio, que inclui temas e letras de Jorge Palma, Manuel Alegre e José Luís Tinoco. Este derradeiro disco estará disponível também através de uma edição especial (CD e DVD), que “já pode ser encomendada”, refere a Universal em comunicado. Impulsionador da candidatura do fado a Património Imaterial da UNESCO, completa este ano 57 anos de carreira, ao longo dos quais foi acumulando prémios: um Globo de Ouro, em 1998; o prestigiado Prémio Goya, em 2008, na categoria de “Melhor Canção Original”, com o “Fado da Saudade”; e um Grammy Latino, em 2014, tornando-se o segundo português a conquistar este prémio.

+ Um roteiro do fado em Lisboa

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