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Carpintarias de São Lázaro: um pólo cultural com vistas incríveis para a cidade

Por
Francisca Dias Real
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Acabou o pára-arranca. Depois de uma abertura intermitente, é de vez que, este fim-de-semana, as Carpintarias de São Lázaro são devolvidas à cidade, agora enquanto pólo de criação multidisciplinar e contemporâneo. São uns valentes 1600 metros quadrados, repartidos por três pisos, que vão passar a albergar projectos de áreas como as artes visuais, a música, o teatro, a dança, o cinema e a gastronomia.

Demorou até fazer renascer das cinzas esta antiga carpintaria, junto ao Martim Moniz, onde a matéria-prima deixou de ser a madeira, para dar lugar à criatividade. Foi em 2014 que, por meio de um concurso público, a Câmara Municipal de Lisboa entregou a gestão do espaço à Associação Cultural e Recreativa das Carpintarias de São Lázaro. A partir daí “foi meter mãos à obra”, conta-nos Fernando Belo, um dos directores do projecto, ainda no meio dos últimos retoques no edifício. “Tivemos de perceber o que podíamos fazer aqui – tanto ao nível da arquitectura como ao nível da programação.”

Fotografia: Duarte Drago

O primeiro contacto com o público foi em 2017, a propósito da instalação Show Room, dos artistas cubanos Los Carpinteros, inserida na Lisboa – Capital Ibero-Americana. “Foi um primeiro contacto importante, para as pessoas perceberem que isto ia mesmo ser um espaço para a cultura, não era nenhum hotel”, explica. Voltaram a fechar portas para obras – uma cronologia que se revelou mais longa do que o suposto. “Agora que estamos prontos, queremos que este seja um espaço polivalente, permeável a todas as formas de arte contemporânea. E há dois aspectos fundamentais aqui: a transversalidade e a versatilidade, para conseguirmos transformar um só espaço em múltiplos”, afirma Alda Galsterer, também coordenadora da Associação.

A ideia é que haja uma contaminação de umas áreas para as outras – se houver uma performance programada e, na sala ao lado, estiver patente uma exposição, os espectadores acabam por ver ambas. “Estamos a criar um caldo de cultura em desenvolvimento com este cruzamento”, refere Fernando, assegurando que querem “ser complementares à oferta cultural que a cidade já oferece.” As Carpintarias de São Lázaro arrancam com programação própria e, futuramente, juntam-lhe projectos de terceiros, “que muitas vezes não têm espaço expositivo – portanto será um local de oportunidades”, afirma Alda. “Nao temos uma perspectiva nada elitista, queremos chegar a todos os públicos – desde o especializado às famílias, aos turistas, às comunidades à nossa volta.”

A soma de todas as partes

A intervenção no espaço não foi drástica. O betão continua a ser o elemento predominante, com apontamentos modernos que saltam à vista – é o caso da escadaria branca em caracol que nos leva ao 2.º piso (que serve também de uma espécie de segundo balcão) e ao terraço que oferece vistas deslumbrantes para as colinas da Graça e do Castelo – no Verão haverá cinema ao ar livre por estas bandas.

Fotografia: Duarte Drago

Descendo ao piso principal, este está preparado para receber um palco, quer para concertos, quer para peças, que juntamente com cortinas amovíveis vão permitir a criação de um auditório acolhedor. O piso inferior será também ele um misto de espaços: uma sala de ensaio mais dedicada à arte performativa; um estúdio de gravação para acolher bandas; os camarins e balneários de apoio aos espectáculos; e, apesar de já ter o ateliê para acolher as residências artísticas, o plano é que nasça ali um pequeno apartamento para o mesmo efeito – Miriam Simum é a primeira residente das Carpintarias.

A partir da festa de reabertura, a ideia é que o espaço abra de quinta-feira a domingo, haverá um valor de entrada, ainda a definir. A programação será divulgada a seu tempo, porque “cada projecto requer a sua atenção própria”. Até lá, os próximos fins-de-semana são de festa e nós dizemos-lhe porquê.

Programa das festas:

Sexta-feira, 25

A grande reabertura começa às 19.00, com a inauguração da exposição “Jeu de 54 cartes”, de Jorge Molder, com o artista a inspirar-se no baralho de cartas francês, constituído por quatro naipes de 13 cartas cada, para apresentar uma série de fotografias: 52 imagens repartidas por quatro naipes: Caras, Mãos, Bocados, Espectros. Pode ver a exposição até 30 de Março, assim que o espaço abrir regularmente. Às 22.00, assista à performance Oumuamua, do artista Jonas Runa, que veste um fato de luz criado em colaboração com a designer Alexandra Moura.

Sábado, 26

A Cozinha Popular da Mouraria anda à volta com os tachos no sábado e domingo (Sáb 12.00-23.00; Dom 12.00-15.00) para servir refeições aos visitantes no âmbito do projecto A Cozinha dos Vizinhos, uma forma de envolver a comunidade local. Mais à noite, às 21.30, o projecto A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria celebra o seu 8.º aniversário com uma performance-vídeo – o realizador Tiago Pereira e o músico Sílvio Rosado apresentam um filme montado em tempo real, onde se vê uma Lisboa de bairros e culturas.

Domingo, 27

No domingo é apresentada a primeira residência artística das Carpintarias – um projecto com apoio da Fundação Calouste Gulbenkian. A artista em residência, Miriam Simum, apresenta um projecto de vídeo-arte durante um Open Studio (12.00-20.00), onde abre as portas ao seu trabalho na área do desenho, vídeo e performance.

Dias 2 e 3 de Fevereiro

Depois de entregues os galardões do concurso gastronómico Lisboa à Prova – avaliados em um, dois e três Garfos – é hora de provar algumas das especialidades de restaurantes vencedores, como é o caso do Faz Figura, Zazah, Epur, Clube Lisboeta ou Bastardo. As Carpintarias recebem nestes dois dias (12.00-23.00; 5€) a Mostra dos Premiados, sendo que cada entrada inclui uma degustação e uma prova de vinhos.

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