Global icon-chevron-right Portugal icon-chevron-right Lisboa icon-chevron-right Casa Ninja: o activismo brasileiro tem espaço em Lisboa e discute-se à mesa
Notícias / Vida urbana

Casa Ninja: o activismo brasileiro tem espaço em Lisboa e discute-se à mesa

casa ninja
Fotografia: Inês Félix

É a primeira morada física fora do Brasil e o primeiro passo de internacionalização da Mídia Ninja, uma plataforma alternativa de informação brasileira. A Casa Ninja aterrou em Lisboa para fortalecer as relações entre os dois países e trazer a debate temas que reforcem o activismo da lusofonia em Portugal.

“Começou há uns anos com um convite do Doclisboa para falarmos numa sessão e depois ficámos a conhecer a cidade. Lisboa estava a abrir portas para o mundo e a relação com o Brasil e com África é muito intensa, por isso fazia sentido”, explica Felipe Altenfelder, um dos fundadores. “Quisemos que Lisboa fosse a outra ponta do triângulo”, acrescenta. E como tudo tem uma história, também a Casa Ninja começou noutros meandros, com o Circuito Fora do Eixo. Esta rede reunia produtores culturais de cidades do Brasil profundo, cidades fora do eixo Rio-São Paulo, para dar visibilidade às suas iniciativas artísticas. Só depois veio a Mídia Ninja, como um meio de narrativas independentes, acção e jornalismo, tendo ganho destaque durante as manifestações de  no país.

A casa comunitária está instalada dentro  do espaço TodoMundo, um estuário onde se misturam povos e expressões culturais da gastronomia às ideias. Foi Maurizio Longobardi, um dos sócios do TodoMundo e que já tinha trabalhado com a plataforma no Brasil, que ajudou a construir essa ponte de ligação entre a Mídia Ninja e Lisboa.

O modelo implementado por cá segue uma lógica de pólo cultural com conversas, workshops, concertos e debates. “Já temos a Casa Ninja Bahia e entendemos que a metodologia de lá poderia funcionar bem aqui também”, diz Filipe, que juntamente com Branca Schulz, Majo Giovo, Bianca Valente e Oliver Kornblihtt (a grupeta da foto), compõe a pequena equipa de Lisboa. “O lançamento da casa com o Caetano foi um motor de arranque muito forte para o que viemos construindo até agora e para a própria expectativa das pessoas”.

Filipe espera que Lisboa lhe traga uma “pulsação vibrante” para o resto do mundo, tendo em conta a actual conjuntura política no Brasil em que há “um ataque à democracia, um retrocesso da liberdade e o ataque às minorias”. “A gente conseguir estar aqui a discutir isto, estamos a mandar um sinal muito importante para lá”.

A Casa Ninja é tida como veículo de resistência democrática, que faz frente. “Isto é uma nova forma de fazer política, o sistema político brasileiro não dá mais conta e nós falamos nessa nova forma de fazer política, mais contemporânea, mais colorida, mais pop”, explica Filipe. “A gente também não está aqui nesse discurso de ódio, temos uma opinião, sim, mas estamos aqui a imprimir uma agenda positiva, não somos tão reactivos. Temos origem na cultura e na arte e é isso que nos diferencia dos outros colectivos políticos”, refere ainda.

Nomes como Caetano Veloso, Jean Wyllys, Viviane Mosé, Luaty Beirão, José Eduardo Agualusa, Pilar del Rio ou Gilberto Gil já se sentaram na cadeira dos oradores desta casa aberta há pouco mais de um mês. “Os próprios convidados têm um lado de activistas que aqui mostram, independentemente do nome que carregam”, afirma Filipe. Este sábado, a ex-deputada brasileira Manuela D’ Ávila encabeça o debate (), ela que é uma das principais novas vozes da política brasileira, ampliando para o mundo as denúncias sobre os ataques sofridos pela democracia na América Latina. 

Avenida Duque de Loulé, 3A. Instagram: @casaninjalisboa.

Cinco brasileiros que dão vida a Lisboa

Publicidade
Publicidade

Comentários

0 comments