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Cécile Mestelan levou a cerâmica para a Calçada da Estrela (e até há tarot)

Cecile Mestelan
Inês Félix

Duas montras à antiga, quase como se fossem molduras, e um letreiro que grita “cerâmica” dão uma amostra óbvia sobre o que se passa para lá da ombreira da porta. Cécile Mestelan abriu, na Calçada da Estrela, uma loja própria onde vende as suas criações feitas à mão, das chávenas aos jarrões.  

Pedidos constantes para visitarem o seu ateliê multiplicavam-se na caixa de email e no Instagram da ceramista francesa. “Sempre achei que ter o ateliê a funcionar também como loja não ia resultar, porque depois as pessoas entram e acabam por interromper a produção e não ia ser bom para ninguém”, explica-nos. “Também tinha algumas peças na ISTO e na Out to Lunch, mas havia esta vontade das pessoas em comprar e ver as peças, sem ser por contacto de showroom.”

Inês Félix

E no número 3 da Calçada da Estrela foi onde Cécile encontrou a casa para albergar as suas peças. Antes morava ali uma relojoaria à antiga – onde a ceramista até já tinha mudado pilhas do relógio. “Gosto de ter uma loja com história, com passado marcante, e o melhor é que não tive de fazer grandes mudanças”, diz. 

Pintou as paredes interiores de azul-noite, ajustou a iluminação e deixou que os armários da relojoaria servissem de mostruário das suas peças, de onde saltam à vista as cores suaves e a textura que Cécile dá às peças quando mistura no barro areia da praia. Nas paredes expõe alguns desenhos que fazia antes de se dedicar à cerâmica e num dos armários estão expostas as suas primeiras peças de sempre – uma espécie de “cronologia da carreira”. 

Inês Félix

Pratos grandes, outros mais pequenos, taças, chávenas de café, copos, caixas ou bules decoram as prateleiras – tudo feito cuidadosamente à mão, tornando cada peça única. “O tempo que dedico a cada coisa é o que faz valorizar as minhas peças. Não há duas iguais, e numa semana pode haver uma cor e na seguinte não porque não produzo em massa”, conta. 

Cécile gosta de ver entrar a clientela e perceber que utilidade vão dar a esta ou aquela peça, porque o significado, diz, “não é estático”. “Se faço uma caixa com tampa algumas pessoas querem fazer dela um guarda-jóias, outras usar como prato de aperitivos ou até um cinzeiro. Vou sempre descobrindo utilidades novas”, afirma. A ceramista continua a fazer tudo no seu ateliê e, tal como dantes, as encomendas maiores são feitas por email. 

Mas a cerâmica não está sozinha neste espaço e isso faz-se anunciar logo pelo letreiro exterior onde se lê “Tarot”. Numa sala interior, também com montra interactiva para a rua, está o 3str3la3, um espaço para quem acredita no poder das estrelas e da astrologia, com leituras de aura e tarot (marcações: 3str3la3@gmail.com). Uma das paredes é de pedra, há uma escultura de um gato em cerâmica e uma mesa coberta com uma toalha de veludo escuro – tudo à média luz – para que seja uma experiência quase imersiva. 

Todas as luas cheias há um evento conjunto, que deixa a loja aberta até mais tarde para as visitas de tarot, e aproveita-se a extensão de horário para pequenos eventos pop up de outros artistas.

Calçada da Estrela, 3. Ter-Sáb 11.00-19.00.

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