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Jardim do Torel recebe instalação ambientalista
©Túlio DekBeyond the Trees, no Jardim do Torel

Cepos queimados e água preta num Jardim do Torel ambientalista

Entre 25 de Outubro e 25 de Novembro poderá visitar a instalação Beyond The Trees no Jardim do Torel, onde o artista brasileiro Túlio Dek vai lançar um alerta para a destruição dos recursos naturais do planeta.

Por Renata Lima Lobo
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Centenas de cepos queimados, um lago negro, uma casa de madeira com sementes e a frase “I can't stop these tears from falling”. Durante um mês, o Jardim do Torel vai receber a instalação Beyond The Trees, da autoria de Túlio Dek, especialmente feita para este espaço, comissariada pelo curador do Museu Nacional de Arte Contemporânea e historiador de arte Rui Afonso Santos e produzida pela Square One – Contemporary Art Agency.

De 25 de Outubro a 25 de Novembro, os três patamares do histórico jardim da Colina de Santana irão receber centenas de cepos de vários tamanhos, queimados durante os incêndios de Oliveira de Frades, em Viseu, e Serra dos Candeeiros, em Porto de Mós, numa experiência imersiva de uma floresta devastada pelo fogo. O lago do Torel também vai ser um espaço expositivo e será coberto por um corante natural negro, numa referência aos desastres petrolíferos, alertando para o perigo que os combustíveis fósseis representam para os ecossistemas aquáticos. Numa parede sobre o lago será desenhada a frase “I can’t stop these tears from falling” (Não consigo evitar que me caiam as lágrimas).

Beyond the Trees
Beyond the Trees©Túlio Dek

Beyond the Trees terá ainda, nas palavras deste artista multidisciplinar, “um lugar mais doce e acolhedor”. Trata-se de uma pequena casa de madeira onde serão disponibilizadas centenas de sementes de árvores e de espécies gramíneas (como o trigo e a cevada) que o visitante pode levar consigo para plantar onde quiser. Quem levar as sementes é convidado a partilhar o momento nas redes sociais com o hashtag #Beyondthetrees, de forma a que seja possível mapear “as novas vidas que vão sendo criadas a partir desta instalação”.

Túlio Dek explica que a instalação é “uma arte circular: a intervenção só estará completa quando o visitante cumprir a sua parte de semear uma nova vida, uma esperança”. Rui Afonso Santos defende que “este contraste entre o natural endémico que o próprio jardim, miradouro do Torel recria e o artificial da actual e selvática cultura do consumo e do desperdício consciencializará os visitantes para a necessidade de adoptar condutas responsáveis”.

Beyond the Trees
Beyond the Trees©Túlio Dek

Para Vasco Morgado, presidente da Junta de Freguesia de Santo António que apoiou o projecto, esta instalação “permite que o público que a visite fique com consciência da nossa pegada ecológica e da importância da sustentabilidade ambiental, um assunto cada vez mais relevante atualmente”. A Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa é outro dos parceiros de Beyond the Trees e desenvolveu um conjunto de vídeos aos quais o visitante tem acesso através de QR codes localizados ao longo dos momentos expositivos. Os vídeos destacam quatro dos muitos serviços que a floresta presta à humanidade: habitat (sem floresta não há aves, sombra, sons); renovação do ar com produção de oxigénio e fixação de dióxido de carbono através da fotossíntese; formação de solo, um recurso não renovável; e purificação da água. “A ideia de colocar os vídeos no meio da floresta devastada é criar uma relação forte entre gestão e serviços do ecossistema, mostrando que uma má gestão da floresta leva à perda de serviços do ecossistema, à diminuição da nossa qualidade de vida e das gerações vindouras”, diz Cristina Cruz investigadora do cE3c e Professora Auxiliar na Faculdade de Ciências.

Túlio Dek quer que esta seja apenas a primeira de um conjunto de intervenções pelo mundo, mas a próxima paragem é mais perto: no final do ano vai parar no Reservatório da Mãe de Água, um dos núcleos do Museu da Água, da EPAL.

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