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Chica Chica Boom: um restaurante brasileiro em Alcântara

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©Manuel Manso

A voz de Carmen Miranda imortalizou “Chica Chica Boom Chic” nos anos 40. Jéssica Torres, Carla Upiati e Gabriela Loureiro, três brasileiras radicadas em Lisboa, a fazer o caminho inverso da cantora, reavivaram a música num pequenino restaurante em Alcântara. No Chica Chica Boom serve-se comida brasileira que foge aos pratos mais comuns.

São as três cozinheiras – Jéssica foi chef de pastelaria no Sport Lisboa e Benfica e trabalhou com Vítor Sobral, Gabriela começou no grupo Avillez e passou pelo Belcanto e Mini Bar, mas também pela Fortaleza do Guincho e Penha Longa, e Carla fez currículo no Brasil – e no último ano resolveram começar uma série de jantares itinerantes, em formato pop-up, sempre a mostrar o melhor das gastronomia brasileira. “Eram oito pratos, era menu de degustação. Percebemos que estava a dar certo e começámos a buscar um espaço aos pouquinhos, até chegarmos a este”, explica Jéssica, a fazer pandã com as outras duas sócias e amigas, com “uniformes” que não o são realmente.

 

Jéssica Torres, Carla Upiati e Gabriela Loureiro
Fotografia: Manuel Manso

 

Quando espreitar pela janela, o Chica Chica Boom pode nem parecer um restaurante, mas sim uma casa de chá antiga, com muitas loiças à vista, mobília em madeira escura e sofás com aspecto confortável. Resolveram ficar com tudo o que a casa tinha, porque fazia lembrar “a casa das avós”. Fazia sentido, também, com a linha que escolheram ter aqui – mais comida a lembrar a que comiam em casa, na infância. “Cada uma de nós é de uma região. A Jéssica é do Rio, a Gabi do Paraná e eu sou de Brasília. Todo o mundo tem uma referência da comida de família e como a nossa cozinha é muito pequena, não podíamos seguir a mesma linha do menu de degustação. Começámos a brincar com a comida”, continua Carla.

 

Pica-pau de corações
Fotografia: Manuel Manso

 

Aqui a carta é curta e explicam tudo. Pode começar com as coxinhas de frango (6€) ou o pão de queijo (6€), os mais reconhecíveis dos pratos brasileiros, mas este último acompanha com uma goiabada picante “já para ser uma coisa diferente”. “Depois a gente vai andando por essas referências do Brasil mas aplicando o que conhecemos noutros lugares e as técnicas que fomos desenvolvendo”, reforça Gabriela.

 

Barreado
Fotografia: Manuel Manso

 

Pegaram no pica-pau português e fazem-no com corações de galinha (7,50€), têm sandes de carne de panela (8€), escondidinho de vazia ou de cogumelos (12€). “No Brasil come-se muito o pato com tucupi, que é o sumo da mandioca brava. É amarelo e ácido. Aqui, como não tínhamos tucupi, pegámos no maracujá, que é amarelo e ácido. Então desfiamos o pato e vai num rolinho tipo massa de creme chinês, é frito, e vem a espuma para molhar”, desvenda Gabriela. Além deste rolinho (8€), as opções continuam com o camarão na moranga (15€), uma versão mais pequena da abóbora recheada com camarão, creme de catupiry e palmito ou o barreado, um prato típico indígena com carne, farinha de mandioca e banana (12€). “É um prato mais exótico, do Paraná. Chama-se barreado porque era uma panela com carnes coberta com barro, como o cozido das furnas nos Açores. A técnica é a mesma mas os ingredientes são diferentes”, esclarece Gabriela.

 

Tártaro do sertão
Fotografia: Manuel Manso

 

Para os vegetarianos há um tártaro do sertão (6€), um tártaro com batata doce, mandioca, chuchu, abóbora, tudo picadinho, com maionese com mostarda, quiabo e salada de rebentos. 

 

Bolo de coco molhado
Fotografia: Manuel Manso

 

Para adoçar o final da refeição, fazem a torta paulista, uma espécie de bolo de bolacha português mas com um creme de amendoim e doce de leite (4€), o bolo morno de chocolate e cupuaçu, a juntar o azedo da fruta ao doce do chocolate (5€) e o bolo de coco molhado (4€). O brigadeiro segue apenas numa colher, envolto em petazetas, a acompanhar o café.

 

Dry Caju
Fotografia: Manuel Manso

 

Nas bebidas também resolveram fugir à mais clássica caipirinha e têm uma invenção própria, o Dry Caju, inspirado no Dry Martini, batidinhas frescas, e ainda o Gabriela, feito com licor de cravo e canela.

Todos os meses vão ter um dia de refeições especiais, a fugir à carta – no dia 19, aniversário de Gabriela, haverá feijoada à brasileira acompanhada com samba. Em Novembro, vem uma chef do Recife fazer uma comida típica a acompanhar com forró. Mas nos outros dias não se regem só pela carta de petiscos brasileiros: todas as quartas-feiras há o “chá das seis”, com um convidado especial que vem falar ora sobre gastronomia, ora sobre pequenos documentários. “Há sempre um tema diferente, custa 10€ e tem sempre quatro a cinco items de comida e bebida. Ficamos aqui conversando”, diz Jéssica.

E conversa também terá se quiser saber as origens de cada um dos pratos – qualquer uma delas está pronta para lhe explicar tudinho e pôr Carmen Miranda a dar nas colunas da casa.

Calçada de Santo Amaro, 6 (Alcântara). 91 114 386. Seg-Sáb 16.00-00.00.

+ Os melhores sítios para comer comida brasileira em Lisboa

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