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Cinco anos de Sirigaita dão em festa este sábado (mesmo na iminência de despejo)

Espaço auto-gerido com forte dinâmica comunitária, activista e cultural vê terminar em Fevereiro o contrato de arrendamento do espaço nos Anjos.

Rute Barbedo
Escrito por
Rute Barbedo
Jornalista
Sirigaita na manifestação de 30 de Setembro
DRSirigaita na manifestação de 30 de Setembro
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Este sábado, 9 de Dezembro, a Sirigaita, uma associação que reúne diferentes colectivos, celebra "cinco anos de festa, de auto-gestão, de apoio mútuo, de experimentação artística, de encurtar distâncias, de solidariedade não-sectária, de luta alegre, de cuidado e de convívio entre quem é contrário ao deserto à sua volta". Para o colectivo instalado no 12F da Rua dos Anjos, e apesar da iminência de despejo (já que o contrato de arrendamento termina em Fevereiro de 2024 e não deverá ser renovado), estes cinco anos provaram "que é possível fazer-se muita coisa em conjunto, sem incentivo de lucro ou de prestígio". A melhor forma que têm de contrariar a saída, acreditam, é prolongar a festa. "Resistir ao despejo significa, no nosso caso, que não vamos sair do único espaço que temos sem termos para onde ir", afirmam na página da associação.

Do programa fazem parte a inauguração da exposição "Despejados para Nada", que aborda o panorama dos "lugares colectivos" (de casas ocupadas a clubes desportivos) que têm sido "despejados, por vezes à força, por vezes com urgência… para nada", na opinião dos elementos da Sirigaita. A partir das 17.00, colectivos como as Manas, a Biblioteca das Insurgentes ou o movimento Stop Despejos protagonizam a cabine de DJ. Às 19.00 começa um leilão de 30 cartazes, serigrafados, pintados e colados à mão, com o objectivo de "angariar fundos para essa batalha que se adivinha, contra um mega-senhorio". Às 20.00, antes de mais música em formato DJ set, há um jantar comunitário dinamizado pelo colectivo À Mesa e por mãos de "quem vive o bairro e tem fome de contrariar activamente o resultado dramático do aumento do custo de vida e da falência de um sistema desigual de distribuição de alimentos na cidade”.

O aniversário é, ao mesmo tempo, mais um momento para apoiar as despesas dos dias vindouros, sejam elas "legais para fazer frente ao despejo", ou materiais de campanha e obras num eventual novo espaço. Em Outubro, em declarações à agência Lusa, Marco Allegra, membro da Sirigaita, explicava que “muitos espaços estão em risco agora, por causa da dinâmica da mudança urbana". A companheira de luta, Maria João Costa, frisava, em paralelo, que "muitos espaços colectivos têm vindo a fechar, e muitos continuam com as paredes emparedadas, muitos anos depois de estarem vazios". É por esse motivo que a Sirigaita quer resistir ao fenómeno de "esvaziar a cidade daquilo que é sinónimo de vida". "Acredito que é isso que estamos a fazer aqui, a produzir vida urbana. Juntamos pessoas, ideias, é um ponto de cruzamento”, afirmou.

A Sirigaita opera desde 2018 num rés-do-chão da Rua dos Anjos, onde tem acolhido e dinamizado projectos ligados ao ambiente, à cultura, à alimentação, à luta contra as desigualdades sociais e a discriminação. Tem também sido uma participante activa das mais recentes manifestações sobre o problema da habitação em Lisboa. Além da doação de fundos, outra forma de apoiar a Sirigaita é fazer um turno no bar. Neste espaço de Lisboa (que paga renda), ninguém é pago, pelo que o tempo e a disponibilidade para lavar pratos e servir copos são bem-vindos.

Sirigaita, Rua dos Anjos, 12F. Horário variável.

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