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Maria do Mar
Maria do Mar (J. Leitão de Barros, 1930) © Col. Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema

Cinemateca vai digitalizar dez mil minutos de filmes relacionados com o mar

'Maria do Mar', filme de Leitão de Barros, vai ser exibido a 12 de Junho, no São Luiz, com música original escrita por Bernardo Sassetti, assinalando o arranque simbólico do projecto FILMar.

Por
Sebastião Almeida
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Quando, em 1926, José Leitão de Barros passou férias na Nazaré na companhia do pintor Martins Barata e do cineasta António Lopes Ribeiro, o fascínio pela vila piscatória e pelas suas gentes ficar-lhe-iam gravados na memória. Seria por ocasião dessa visita e das imagens da vila apresentadas por Lopes Ribeiro numa fita em 9,5mm, que Leitão de Barros decidiria regressar à realização. Quatro anos depois, em 1930, seria então apresentado no São Luiz, em Lisboa, Maria do Mar, “um notável trabalho de integração da paisagem marítima e da vida dos pescadores da Nazaré, numa ficção construída à volta do ódio entre duas famílias por causa da morte de um pescador, provocada acidentalmente por outro”.

81 anos depois da estreia, a obra fundamental de Leitão de Barros regressa ao São Luiz, a 12 de Junho, para ser exibida numa versão digital (que dará origem a uma edição em DVD), restaurada pela Cinemateca Portuguesa, na qual a Orquestra Sinfonietta de Lisboa, sob a batuta de Vasco Pearce de Azevedo, interpretará a música original composta por Bernardo Sassetti para o filme, em 1999. O irmão, Francisco Sassetti, estará ao piano, ao lado de Filipa Pais, na voz. É também nesta data que se dará o arranque simbólico do projecto FILMar que, através de financiamento europeu, se propõe a digitalizar cerca de 10 mil minutos de cinema nacional relacionados com a temática do mar, actualmente parados nos cofres da Cinemateca Portuguesa.

Para Tiago Bartolomeu Costa, coordenador do projecto que arranca oficialmente a 30 de Setembro, Dia Internacional do Mar, com a divulgação das suas linhas-mestras, a realização de um seminário e o lançamento de uma página online dedicada e de um podcast, trata-se de “um importante e fundamental trabalho de digitalização e preservação do cinema português”. O programa que terá a duração de três anos e que conta com um financiamento de cerca de 880 mil euros, através do Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu, no qual participam a Islândia, o Liechtenstein e a Noruega, pretende contribuir para uma reflexão da profunda ligação histórica e geográfica do país ao mar, que é “visível desde a chegada do cinema ao país”, observa.

Ao todo, serão digitalizadas sete mil longas metragens e três mil curtas. Neste espólio, encontram-se as mais variadas temáticas relacionadas com o mar, explica Tiago Bartolomeu Costa. “Filmes da indústria de conservas, filmes turísticos ou de investigação”, realça o coordenador. Este processo, refere, “vai permitir a identificação dos filmes que devem ser priorizados e devolvidos à comunidade”. Além das retrospectivas que se realizarão nas cinematecas portuguesa e norueguesa, que mostrarão entre dez a 12 títulos, haverá ciclos de cinema itinerantes em várias cidades dos dois países e “contextos de apresentação dos filmes que não se ficarão apenas pela exibição em sala”. O pendor educativo deste projecto fica assim patente, estando previsto o visionamento de filmes por parte de alunos de diferentes níveis de ensino e o lançamento de linhas de investigação para a comunidade científica.

O documentário Nazaré, Praia de Pescadores (1929) de Leitão de Barros; Nazaré (1952), fita de Manuel de Guimarães; Heróis do Mar (1949), de Fernando Garcia; A Promessa (1973), escrito por Bernardo Santareno e realizado por António de Macedo, ou Aparelho Voador a Baixa Altitude (2002), de Solveig Nordlund, são algumas das longas metragens que serão divulgadas no âmbito do FILMar. No futuro, uma selecção de curtas documentais e filmes de indústria realizados por Augusto Cabrita, na Lisnave e Setenave, ou por António de Macedo, será lançada numa edição em DVD.

Para Tiago Bartolomeu Costa, um dos objectivos do FILMar é “criar literacia cinematográfica” e “dar a conhecer às comunidades locais as diferentes dimensões” que se encontram nestes filmes relacionados com o mar.

O FILMar é uma iniciativa que se insere nos EEA Grants, um mecanismo financeiro do Espaço Económico Europeu, no qual a Islândia, o Liechtenstein e a Noruega financiam estados-membros da União Europeia com o objectivo de reduzir as disparidades sociais e económicas na Europa.

Teatro Municipal São Luiz. 21 325 7640. 12 Jun, 12-15€.

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