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Comefinamento: Tratto by Trattoria

Todas as semanas, durante o confinamento, experimentamos um serviço de take-away ou entrega ao domicílio.

Alfredo Lacerda
Escrito por
Alfredo Lacerda
Tratto by La Trattoria
DR
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As massas italianas têm um ponto de cozedura preciso, são seres sensíveis e delicados. Fechá-las dentro de uma mala térmica às costas de um indivíduo que se julga o Miguel Oliveira das PCX é como pôr um prato de sopa no programa de secagem extra da máquina de secar. As hipóteses de chegar tudo esbardalhado são imensas e incontornáveis.

Em todo o caso, é bom podermos comer pasta fresca no lar. Mesmo que não fique al dente, no ponto perfeito, há um momento em que o corpo pede hidratos de carbono e pecorino e molho de tomate – e nós devemos agradecer a quem arrisca levar a casa o que nós pedimos, mesmo se o que nós pedimos é um absurdo culinário.

Há, aliás, vários absurdos culinários do take away que são muito populares. Talvez o exemplo mais notório disso seja também de origem italiana: a pizza. A pizza, por definição uma rodela de pão assado coberta com queijo e coisas, quando fechada em cartão, fica suada e mole como uma fita de cabeça depois de uma partida de squash. Pior do que massa de pizza cozida, suada e mole, só queijo de pizza cozido, suado e mole.

E ainda assim as pessoas pedem muitas pizzas ao domicílio. E ainda assim as pessoas pedem muitas massas ao domicílio. Porque as pessoas são absurdas e as pessoas têm fome. E os restaurantes respeitam isso. Uma salva de palmas.

Neste Tratto by La Trattoria, braço da comida para fora do La Trattoria, ancião restaurante italiano da Rua da Artilharia, activado para take away em Junho do Ano 1 d.P. (depois da Pandemia), os pratos disponíveis para entrega iam das sandes de focaccias à lasanha, com opções individuais e para duas pessoas em vários itens.

O tempo que demorou desde que fiz o pedido até à chegada a casa foi extraordinário. Não sei se Miguel Oliveira, o próprio, na sua KTM, conseguiria uma prestação assim. Meia hora foi quanto bastou desde que carreguei no botão da noMENU. Conheço pessoas que demoram meia hora a lavar seis folhas de alface e a irem do Marquês de Pombal ao Saldanha.

Meia hora para cozinhar três pratos e fazê- -los chegar a minha casa, do centro de Lisboa à periferia de Lisboa. Meia hora para cozinhar e trazer batatas fritas com maionese de manjericão; focaccia integral com mozarela, rúcula e pesto; tagliatelle à la carbonara com massa fresca, guanciale, ovo e pecorino; lasanha de ricota e espinafres; e panacota com coulis de frutos vermelhos.

No fim desta pandemia, será justo fazermos uma estátua ao cozinheiro e ao estafeta. Ambos dão tudo para nos pôr a comer depressa. O estafeta, por vezes, dá as próprias pernas, quando não a vida. A maioria dos acidentes graves nesta cidade tem acontecido com estafetas. De mota. Com a nossa comida às costas. É trágico. E devia fazer as autoridades agir.

O embalamento da Tratto é do melhor que se encontra. À excepção da panacota, vinha tudo em cartão kraft e papel vegetal, incluindo o saco, e sem nada a deitar por fora.

Sobre a qualidade da comida. A La Trattoria é conhecida pelas pastas frescas, pelo produto italiano de qualidade e pelo espaço bonito. Nenhuma destas coisas chegam a casa como deve de ser no modo delivery. Há uma outra modalidade, no site do restaurante, que me parece mais interessante: o DIY tem risotos e uma pizza box onde só falta ligar o lume. No dia em que fiz a encomenda, não estava disponível. Ainda assim, por 40€, deu- -se de comer pasta a três adultos. E era isso que eles queriam.

Encomendas no próprio restaurante, Rua da Artilharia 1, 79 (Amoreiras): 21 385 3043. Entregas: Uber Eats, noMENU. Preço: 15€-20€ por pessoa 

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