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Comida brasileira instala-se no Bairro Avillez, mas não é para sempre

Aconchego Carioca
©Duarte Drago Kátia Barbosa e José Avillez

A chef Kátia Barbosa trouxe o seu Aconchego Carioca do Rio de Janeiro ao Bairro do Avillez e, com ele, um Brasil inteiro está à prova. De 9 de Janeiro a 14 de Março há caipirinhas, bolinhos, feijoada, pudim de cachaça ou bobó de camarão para descobrir.

Há uma beleza indelével na forma como Kátia Barbosa fala do seu começo. Do seu percurso. Da forma como os pratos e a memória, trazidos à cozinha de um botequim no coração do Rio de Janeiro, a transformaram numa figura do povo e da televisão, da cozinha de um país inteiro. Talvez a palavra felicidade tenha um significado mais pungente quando cantada na voz de Vinicius de Moraes, mas é impossível contorná-la no estado tão puro como a encontrámos, de sorriso rasgado e de Brasil ao peito, a poucos minutos de abrir pela primeira vez a cozinha do Aconchego Carioca em solo luso, num formato pop-up que foi morar para o Cantinho do Avillez. 

 

O espaço fica no primeiro andar do Bairro do Avillez
Fotografia: Duarte Drago

 

Não é que o plano passasse por aqui; nas horas que perdia com o pai de roda dos tachos, dos mercados, Kátia não podia imaginar o futuro. Mas hoje, olhando para trás, é a ele que agradece a inspiração. “O meu pai é que gostava de fazer as compras da casa. Essa inspiração sempre veio dele, nordestino, muito preso às raízes, e fazia questão que a gente entendesse e respeitasse a carne de sol, o feijão de corda, coisas típicas da culinária nordestina.”

Aos 40 anos pegou no botequim do irmão e da cunhada. Encheu-o de alma, deu-lhe sabor, e arrancou numa viagem com um propósito: que a comida do Brasil aprendesse a gostar de si mesma. “Todo o mundo estava preocupado em trazer técnica francesa, espanhola, japonesa, esquecendo a raiz da comida brasileira. Comecei a brincar sobre transformar todos os pratos brasileiros em bolinhos e agora tenho um cardápio com uns 26 bolinhos. Não uso todos de uma vez, mas o de feijoada nunca posso tirar”.

É este o ex-líbris do Aconchego, uma criação que lhe chegou em Minas Gerais, num botequim, em conversa com amigos, e que lhe impulsionou a carreira. “Comecei, com amigos, a tomar cerveja, a escrever e a tirar ideias. Em menos de um ano foi sucesso absoluto, todo o mundo tinha copiado o meu botequim, com 20 lugares, entre o centro da cidade e o Maracanã.”

 

Alguns dos bolinhos e pastéis do Aconchego Carioca
Fotografia: Duarte Drago

 

Dos 20 passou para os 200 lugares, no prédio em frente, e deixou o primeiro espaço a uma amiga. Hoje, há Aconchego no Leblon, na Barra da Tijuca e em Copacabana. Mas nunca perdeu o gosto da intimidade que o primeiro sítio lhe trouxe. “Há dois anos abri o Kalango, um bar com comida sertaneja, porque tinha saudade de receber os clientes pessoalmente”, conta Kátia. A televisão bateu-lhe depois à porta, na boleia do sucesso, Kátia Barbosa e José Avillez e levou-a para um patamar com que nunca tinha sonhado. “Nunca imaginei participar de um programa de televisão [Mestre do Sabor]. É muito bacana. Eu choro o tempo todo, me emociono com as histórias das pessoas, choro com comida.” 

Na aventura, lado a lado, está José Avillez. Não se conheceram no programa: o “portuga” – como Kátia lhe chama – e a “brazuca”, como o português a apelida, já tinham cruzado caminho. “Ele foi primeiro no meu restaurante, gostou muito e disse ‘vamos abrir um Aconchego em Lisboa’. Eu disse ‘não brinca com o sonho de uma pessoa’. Aí a gente se despediu, virou amigo. E ficou no ar.”

 

A caipirinha 3 citrinos
Fotografia: Duarte Drago

 

A brincadeira materializa-se agora, na companhia da filha Bianca, num pop-up que ocupa até 14 de Março o primeiro andar do Bairro do Avillez, fazendo chegar à mesa todas as especialidades que no Brasil deram nome à chef. No menu Aconchego Carioca (30€), o bolinho de feijoada, de abóbora com carne seca, o pastel recheado com costela bovina ou a casquinha de caranguejo são algumas das entradas.

Já nos pratos principais, o bobó de camarão e o baião de dois estão em destaque. Tudo escorrega melhor com uma das seis caipirinhas, da Menina Veneno (6,50€) com anumará, abacaxi e gengibre, à Aconchegada (7,50€), em que a cachaça se junta à goiaba e ao eucalipto. Sábados, ao almoço, o forte é a feijoada à brasileira (35€), que inclui o buffet completo.

Sobre a parceria, Avillez diz que o maior desafio foi ter acesso aos ingredientes. “Viemos carregados de feijão de corda e cachaça envelhecida para fazer pudim de cachaça”. Quanto ao convite para trazer o Aconchego ao Bairro, o chef não hesita: “Quero agradecer- -lhe para o resto da minha vida, de coração. A comida da Kátia é o retrato do que ela é, a alma toda.” Já a chef destaca a sensibilidade e a coragem de José. “O que mais admiro no Avillez é a sensibilidade que ele tem em perceber como as pessoas são. A coragem. E o foco. Ele é foda.”

Rua Nova da Trindade, 18 (Chiado). 21 583 0290. Ter-sex 19.00-00.00. Sáb 12.30-17.00.

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