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Museu Erótico de Lisboa
Gabriell VieiraMuseu Erótico

Copos, Cicciolina e sala privada. É assim o Museu Erótico de Lisboa

Há erotismo em todos os recantos do novo bar no Cais do Sodré, das cadeiras baloiçantes no ar aos nomes sugestivos dos pratos e cocktails. No espaço do antigo Sabotage, nasceu o MEL.

Escrito por
Joana Moreira
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Ponto um: o Museu Erótico de Lisboa não é um museu. O MEL, acrónimo que designa o espaço e que acelera a sua identificação, é o mais recente bar a instalar-se na zona do Cais do Sodré, em Lisboa. O projecto do grupo Mainside, responsável por projectos como a reabilitação urbana do Lx Factory, em Alcântara, ou pela emblemática Pensão Amor, ergue-se no sítio do antigo bar de rock Sabotage, que fechou em 2020. 

A relação é umbilical entre o MEL e a Pensão Amor, que este abriu precisamente dez anos depois. “É um projecto que já vem da Pensão, que pensámos em fazer nos pisos superiores já em 2016. Foi criada a marca, tudo, mas era a ideia de um museu com alojamento, era diferente”, explica Joana Gomes, do grupo Mainside. As obras da Pensão Amor foram sendo adiadas (a previsão de abertura é durante o próximo ano) e a ideia acabou por migrar para este novo lugar.

MEL
Gabriell VieiraA entrada do MEL

“A Pensão Amor tem um erotismo diferente, muito mais do corpo feminino. Aqui remete-se muito mais para o acto sexual no subconsciente”, distingue Joana, na apresentação do MEL à imprensa. Se a Pensão Amor já tinha laivos de museu, com cadeirões, quadros e estátuas, no Museu Erótico de Lisboa as obras surgem logo à entrada. Passando a porta, os visitantes deparam-se com um hall em que as paredes estão cobertas de vitrines com várias peças em gesso do artesão João Cruz Malheiro. Há maçãs, corações, coelhos, pistolas, pénis e outros símbolos associados ao erotismo. A proposta de Penélope Alves, que veio da Pensão Amor para ficar responsável pelo MEL, é que cada cliente escolha uma das figuras (cada uma custa 2,5€) e a quebre na prensa ali disponível. É que no interior do gesso encontra-se uma mensagem num pequeno papel, um oráculo que pode, ou não, ditar o rumo da noite.

MEL
Gabriell Vieira

Mas isto são só os preliminares. Atravessando as cortinas de veludo à direita descobre-se finalmente o espaço, amplo, com um pé direito alto e dois pisos separados por três degraus. Há mesas redondas e pequenas banquetas forradas a padrões florais. No tecto estão duas cadeiras em acrílico suspensas, que sobem e descem, do artista Leonel Moura, e que servirão, de futuro, não para diversão dos clientes (por questões de segurança), mas como elementos artísticos para espectáculos.

A dividir as atenções com o mobiliário estão as paredes pintadas pelo artista plástico Diogo Muñoz. São imagens que homenageiam Made in Heaven, uma série de pinturas e esculturas de Jeff Koons centradas na relação do artista com a estrela pornográfica Cicciolina. Os responsáveis pelo espaço não escondem a esperança de que a italiana os visite. Ilona Staller – o nome verdadeiro da actriz e activista política – esteve em Portugal pela primeira vez em Novembro de 1987, numa visita que ficou marcada pela sua ida à Assembleia da República. Entretanto, Cicciolina já voltou a Portugal, por isso não será absolutamente improvável que venha ao MEL e se veja retratada nas paredes.

MEL
Gabriell Vieira

Não fossemos avisados e, na penumbra, não descobriríamos que numa das pinturas há um pequeno recorte de uma janela. É a janela de uma sala privada que se esconde no piso superior do MEL. Com capacidade para receber 16 pessoas, a sala tem uma vista privilegiada sobre o espaço, através da tal janela, mas pode também assegurar a privacidade de quem a reservar. O menu de grupo ainda não está disponível, mas está para breve.

MEL
Gabriell Vieira

Por falar em menu, vale a pena lembrar que apesar da excentricidade da decoração e dos detalhes, isto não é um museu, mas um bar. Há cerveja, as clássicas bebidas brancas e uma sucinta carta de vinhos (três brancos, três tintos), espumante e champanhe que deixam os cocktails brilhar. Evy Silva é o responsável pelas criações, todas baptizadas com nomes alusivos (porém contidos) ao ambiente do espaço. O mais efervescente, no sentido literal do termo, é o Bubble Bath (10€), com gin, chambord liqueur, sumo de maçã e a dupla de ingredientes capaz de deixar o líquido a borbulhar: lecitina de soja e gelo seco. “É uma surpresa“, diz o bartender. Outras opções são o White Cosmo (10€), com vodka, licor de Elderflower, xarope de açúcar, lima e bitter de limão; ou o perfumado Lavender Daiquiri (9€), com rum branco, leite de coco, lima, sumo de ananás e espuma de lavanda. Há ainda duas opções sem álcool: o Cos-no-politan (6€) e o Mimosa-less (5€). 

MEL
Gabriell Vieira

Para afagar o estômago, a carta inclui um guloso queijo canhota cremoso assado com mel e alecrim (7€), esferas de bife tártaro, pani puri e gema de ovo curada em soja (8,5€) e um inusitado choco frio com chocolate e malagueta (7,5€). Criado pelo chef David Joudar, o menu inclui ainda ostras da ria de Aveiro com espuma de yuzo e quitaba (4€), croquetes de rabo de boi com mostarda e mel (9,50€), falafel com molho de iogurte e romãs, costeletas de borrego marinadas em especiarias e salmorejo (9€), tataky de atum, gengibre e “sangue de touro” (8€), e bacalhau na brasa, pil pil e pimentos assados (10,50€).

A decoração do prato evoca a coroa de flores de Cicciolina.
Gabriell Vieira

Um pequeno senão: “Aqui não há talheres”, anuncia o chef. As mãos ou a língua terão de servir, avisam-nos, e uns pratos revelam-se mais fáceis do que outros na tarefa de degustar. Para adoçar a boca e o espírito há corneto de maracujá e chocolate branco (4,50€), fondant de chocolate, malagueta e flor de sal (4€), e um leite creme de foie gras e yozu (5,50€) que esconde no fundo da taça uma vagina. A peça foi feita especialmente para o MEL pela BePolar, uma empresa de cerâmicas de Viana do Castelo. Mas para encontrar a obra é preciso devorar a sobremesa primeiro – resta saber quem, sem talheres, tem a ousadia de lá chegar. 

MEL. Rua de S. Paulo, 18. Dom-Qua 19.30-03.00, Qui-Sáb 19.30-04.00.

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