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Culturgest. Nova temporada explora o corpo, a liberdade e o universo

A programação para 2024 inclui três ciclos, várias estreias nacionais e um convite para passar sete horas na floresta.

Raquel Dias da Silva
Jornalista, Time Out Lisboa
Paisagens Partilhadas
© Chloe CohenPaisagens Partilhadas
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O nosso lugar no universo, os 50 anos do 25 de Abril e os artistas com corpos fora da norma. São estes os grandes temas dos três ciclos que compõem a programação da Culturgest para o primeiro semestre de 2024. Destaca-se o segundo, que celebra a Revolução dos Cravos, entre 8 de Fevereiro e 25 de Abril, com uma conferência sobre a abstenção de voto e o seu impacto na democracia, uma exposição de Fernando Brito e vários espectáculos em estreia nacional, incluindo Na Medida do Impossível, de Tiago Rodrigues. No âmbito desta peça, elaborada a partir de entrevistas com trabalhadores das associações de ajuda humanitária do Comité Internacional da Cruz Vermelha e dos Médicos Sem Fronteiras, a Culturgest acolhe também “Cuidar em estado de emergência”, uma conversa entre o encenador e dramaturgo e a investigadora Susana Gouveia.

Ainda antes de nos desafiar a reflectir sobre a liberdade e o que podemos fazer para a preservar, a Culturgest inaugura a nova temporada com o ciclo Aqui, no Universo, que acontece em parceria com o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço. Com a participação de convidados como Sofia Andringa, do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas, e Fábio Silva, investigador em arqueoastronomia na Universidade de Bournemouth, no Reino Unido, inclui quatro conferências de entrada gratuita: “A Terra à Luz de Outros Planetas” (30 de Janeiro), “Excesso de Luz” (20 de Fevereiro), “Para Além da Luz” (26 de Março); e “Desde a Noite dos Tempos” (30 de Abril). Além disso, integra também um concerto da britânica Nik Colk Void, produtora e artista de música electrónica, que subirá ao palco acompanhada pelo francês Maotik, considerado um dos mais prolíficos artistas visuais da actualidade.

Voltando aos 50 anos do 25 de Abril, as comemorações arrancam a 8 de Fevereiro, com a estreia nacional de Louise Michel, de Ana Borralho e João Galante. Em cena também nos dias 9 e 10, este espectáculo – escrito a partir de Deviam ter ficado em casa, seus idiotas, de Rodrigo García, e do tema “Exit music (for a film)”, dos britânicos Radiohead – inspira-se na feminista e anarquista francesa que lhe dá nome e realça a importância do pensamento crítico como motor de mudança e resistência. Segue-se, de 17 a 25 de Abril, a apresentação da nova peça de Tiago Rodrigues, com composição e música ao vivo de Gabriel Ferrandini. Já a conversa “Cuidar em estado de emergência” acontece no dia 23.

Ainda no mês de Abril, com entrada livre na Galeria 2, entre os dias 8 e 28, será possível ver Mapa Orográfico do Território Português, à Escala 1:625000, Sujeito às Condições Luminosas do Dia 25 de Abril de 1974, às 08h00, uma obra do artista visual Fernando Brito. É a penúltima proposta do programa dedicado à Revolução dos Cravos, que termina a 9 de Maio, com uma conversa que também assinala o Dia da Europa. Com Beatriz Walviesse Dias e Luciana Maruta, A Bomba-Relógio da Abstenção convida o público a intervir numa reflexão colectiva sobre as motivações da abstenção de voto e sobre como este fenómeno está a afectar a democracia na Europa.

O terceiro ciclo acontece, por sua vez, entre 4 e 16 de Março, com curadoria da bailarina e coreógrafa Diana Niepce. Dedicado ao trabalho de artistas com corpos fora da norma, Corpos Políticos inclui espectáculos, palestras, debates e workshops, com nomes como o da performer italiana Diana Anselmo, o do coreógrafo inglês Marc Brew e o da bailarina brasileira Mickaella Dantas. 

Entre a música electrónica e a natureza

A programação para o primeiro semestre de 2024 inclui ainda concertos de grandes nomes internacionais da electrónica, como os Autechre (12 Abr), que se estreiam em Portugal, e o japonês Ryoji Ikeda, que vem apresentar o seu mais recente disco ultratronics. Na música portuguesa, Bruno Pernadas revisita o seu primeiro álbum a solo, How Can We Be Joyful in a World Full of Knowledge, com um concerto no dia 1 de Março, que inclui um trabalho visual em estreia, feito a partir de material de arquivo nunca mostrado ao vivo.

Destacam-se ainda várias propostas na área do teatro, da dança, da arte e do cinema, como a estreia da nova criação do bailarino João dos Santos Martins, três festivais de cinema (a AMPLA – Mostra de Cinema, a Câmera-Corpo – Mostra de Cinemas Indígenas do Brasil e o IndieLisboa), um conjunto de propostas visuais, incluindo as duas exposições do italiano Enzo Cucchi, e um programa fora de portas, que convida a passar um dia na natureza, para explorar as planícies e a floresta da Quinta do Pisão, no Parque Natural Sintra-Cascais, onde será possível descobrir sete projectos artísticos em diálogo com a paisagem.

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