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De Montana a Crack Kids: a casa do graffiti tem latas, exposições e tacos

Crack Kids, Taco Shop #1
Duarte Drago Taco Shop #1

A Montana Lisboa, no Cais do Sodré, deixou de o ser, mas só enquanto nome – agora chama-se Crack Kids Lisboa e quer voltar à essência do grupo homónimo que tem estado por detrás do projecto. Agora, além de latas, há exposições de artistas emergentes, tacos do Pistola y Corazón e muito hip hop para embalar a coisa. 

A barra temporal do espaço estende-se ao longo de uma década, mas a cronologia é simples. A Montana nasceu no Bairro Alto, em 2009, mas em 2016 mudou-se para a morada actual à beira-rio, altura em que se juntou à Underdogs que tinha em parte do espaço a sua Art Store. Dez anos passados, o conceito do espaço mudou – muito em parte porque a Underdogs levou a sua loja para Marvila – e a Crack Kids quis voltar às origens. 

©Duarte Drago

“Houve um conjunto de situações que levou a esta mudança, tanto de nome como de conceito”, explica Miguel Negretti – aka DJ Glue –, um dos membros da Crack Kids, uma plataforma que junta várias mentes ligadas às artes desde designers, ilustradores, músicos ou videógrafos. “O nosso público e o da Underdogs são diferentes – apesar de eles estarem na escala da arte urbana, nós estamos muito mais ligados ao graffiti. Por isso, agora que estamos a explorar o espaço todo queremos voltar a fazer exposições, sobretudo com artistas emergentes”, diz.

Diana Sousa, que explora o espaço com Miguel, explica que a Crack acaba por ser “uma plataforma de lançamento de novos artistas, muito na área do graffiti”, e de artistas que “não têm espaço de exposição noutros locais”. “Termos de volta as exposições e sermos nós a curá-las permite-nos que sejamos nós próprios, a operar no nosso universo”, afirma Diana. 

A fazer as honras está o artista português Hatory Pabllo, que levou o seu universo pop-urbano de contestação pública, que retrata muitos episódios do seu dia-a-dia. A exposição “Internet is Lie” fica até 30 de Agosto, e logo depois entra uma mostra do artista Confeere com as suas telas trabalhadas em tecido – as exposições estão planeadas para serem bimensais.

Aquela que era uma das paredes mais instagramáveis (e instagramadas) de Lisboa, com armários do chão ao tecto cheios de latas e pantones, mantém-se igual, mas agora com mais representatividade de marcas de tintas, quer para quem se aventura no graffiti ou mesmo para quem gosta de uma boa bricolage lá em casa.   

“O que eu gosto mais de ver aqui é o ecletismo. Tanto vem alguém comprar uma lata para restaurar o móvel como vem outra pessoa que quer fazer uns graffitis, consegues ter aqui um público muito diferenciado”, diz Diana. “A visão do graffiti mudou muito nos últimos anos, o estigma do vandalismo já não lhe é uma coisa inerente”, remata Miguel. 

©Duarte Drago

E se antes a Montana se chamava assim por representar em exclusividade a marca homónima Montana Colors, a mudança de nome foi também motivada pela abertura a outras marcas, sem discriminar etiquetas. Das tintas em spray, existem acrílicos, sintéticos e à base de água, também vernizes em spray, marcadores – gráficos e para tags –, squeezers, stencils e até livros e revistas de arte urbana e graffiti. A par desta lista imensa de material, juntam-se também cabides com algumas t-shirts da marca Crack Kids, todas de edição limitada. “Se era para fazermos isto a sério pensámos em apostar no merch, em tornar a nossa marca ainda mais real”, diz Armando Gomes, designer que integra a grupeta. “Queremos continuar com estas colecções limitadas, mas a ideia é fazer algo maior.”

O andar de cima, uma espécie de mezzanine que antes servia de arrumos para a loja da Underdogs, já tem destino traçado – ou pelo menos, assim querem que seja. “A ideia é centralizarmos a nossa acção num espaço, em vez de sermos um grupo virtual, de certa forma”, explica Miguel. “Termos aqui um espaço de trabalho nosso enquanto Crack Kids”, diz. 

E agora que arrancaram movidos por todas estas mudanças, querem voltar a dinamizar com mais frequência workshops dedicados a este universo, onde pode tanto aprender a dar uns toques no graffiti como a construir uma tábua de skate. “No fundo queremos convidar as pessoas a entrarem um bocadinho no nosso mundo, a experimentar, a quebrar aquela barreira de que somos uma coisa de nicho, porque não somos. Acho que é importante desmistificar estas coisas e o que nós fazemos", adianta Diana.

Ao fundo da loja, a Crack Kids ganhou uma nova vida no que toca aos comes e bebes. E como em equipa vencedora não se mexe, a amizade de Miguel com os donos do Pistola y Corazón deu frutos – e tacos. O mexicano comandado por Damian Irizarry, Marta Fea, Aaron e Cesar Polo tem ali um irmão mais novo, a Taco Shop #1, com tacos especiais, vinhos naturais da Rebel Rebel e os famosos slushies alcoólicos. 

©Duarte Drago

Para rematar o cenário urbano, as colunas deixam sair o melhor do hip-hop, cortesia dos DJs de serviço, com a curadoria do Dj Glue. A mesa de som também vai estar ao serviço de quem entra, basta escolher um disco da caixa Analog Jukebox e armar-se em DJ por uns minutos.  

Rua da Cintura do Porto de Lisboa, Porta 20. Ter-Dom 11.00-20.00.

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