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Alice – O Outro Lado da História
Fotografia: P35

Descubra “o outro lado da história” de Alice Liddell numa peça imersiva

Quem foi a verdadeira Alice do País das Maravilhas? A produtora P35 responde com um espectáculo imersivo sobre a história de Alice Liddell, a musa inspiradora de Lewis Carroll.

Por Raquel Dias da Silva
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O mundo imaginário criado por Lewis Carroll no século XIX encanta gerações desde a publicação da obra do autor britânico, em 1865. Mas a produção da P35, em cena numa antiga fábrica de Cabo Ruivo, conta “o reverso da moeda”: Alice – O Outro Lado da História não é uma peça para estômagos sensíveis, mas promete dar a conhecer a verdadeira Alice Liddell num espectáculo imersivo do princípio ao fim. Com sessões marcadas até 17 de Outubro, está a ter tanto sucesso que é capaz de só abandonar o palco no final do ano – quem o diz é a própria Alice, a partir do Salão de Oxford. Para lá chegar, o espectador terá de passar por um hospício.

O argumento de Paulo Miguel Ferreira, que mistura ficção com factos reais, subiu a palco pela primeira vez em 2016, no Hospital Júlio de Matos. “A peça era da Byfurcação. Agora a produtora é a P35, que tem 50 anos de experiência em cinema e televisão, mas nunca tinha feito nada do género”, conta ao telefone a actriz Catarina Siqueira, que interpreta Alice Liddell, a musa inspiradora de Lewis Carroll. “Não podemos é falar de uma reposição, porque a nossa versão é completamente diferente da original, também por causa da pandemia, que na verdade nos obrigou a torná-la muito mais imersiva do que o que tínhamos pensado inicialmente.”

Alice – O Outro Lado da História
Fotografia: Alice – O Outro Lado da História

Quão imersiva? É a pergunta para um milhão de euros – ou será de verdades tenebrosas? É que o outro lado da história da menina loira de olhos azuis não é tão maravilhosa como nos lembramos dela. Nesta história baseada em factos reais, com adaptação e encenação de Miguel Thiré, o espectador entrará no universo de Alice, nos finais do século XX, em plena Era Vitoriana, e terá a oportunidade de viver o desencantamento do seu país das maravilhas. “A ideia é, sozinho ou em dupla [no máximo], fazer-se o percurso pelo hospício onde Alice está internada”, revela Catarina. “Nesta primeira parte, a ideia é sentir-se na pele da própria Alice, visitar diferentes espaços com ritmo [há uma campainha de cinco em cinco minutos para o pôr a circular] e conhecer personagens como o enfermeiro Cheshire.” Desde a enfermaria ao “quarto dos malucos”, a narrativa vai-se revelando penosa – mas 45 minutos depois já deverá ter entrado no Salão de Oxford.

Na segunda parte do espectáculo, estará acompanhado de outros espectadores e de novas personagens, como a mãe e a irmã de Alice, o Sr. Ruskin e até o escritor Charles Lutwidge Dodgson, mais conhecido por Lewis Carroll. “É um espaço muito amplo, que permite a distância recomendada entre pessoas, e haverá muito álcool-gel, para garantirmos uma zona Covid-free”, promete Catarina. “O espectador estará livre para circular como quiser, desde que se mantenha em cima da relva.” Sim, há relva, mas o piso muda: do jardim para o quarto de Alice e daí para a biblioteca, assim sucessivamente. Há cenografia por todo o lado e é tudo sustentável. “Construímos peças com objectos apanhados no lixo e temos muito material vindo de lojas de antiguidades”, explica, antes de voltar a falar do que interessa. “O Salão é como se fosse um quadro vivo: o espectador pode seguir os personagens, mexer no cenário, abrir gavetas, ver as fotografias tiradas por Lewis Carroll às jovens.” A missão é só uma: perceber por que é que Alice foi parar ao hospício.

Alice – O Outro Lado da História
Fotografia: Alice – O Outro Lado da História

Está cheio de perguntas? Tem permissão para falar com os actores. “Temos espectadores que nos respondem, uns que falam sem lhes perguntarmos nada, uns que são mais retraídos. Mas todos se sentem parte.” E o público está a gostar tanto que a actriz não hesita em anunciar a abertura de mais datas já esta semana. “Queremos estar em cena pelo menos até ao final do ano, porque este espectáculo pode ser melhorado todos os dias.”

Por enquanto, estão programadas mais nove datas, com várias sessões por noite, de quinta-feira a sábado, até 17 de Outubro. Os bilhetes, à venda na Ticketline, custam 25€. Atenção: se for para lá com fome não se preocupe, porque há estacionamento gratuito no recinto e uma esplanada da Twins on Fire, onde poderá jantar ou beber um copo.

O Lugar do Cabo Ruivo. Avenida Infante Dom Henrique, 334. Qui-Sáb vários horários. 25€.

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