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Design, antiguidades e decoração. Cabe tudo nesta nova loja do Chiado

Chama-se Relíquias da Memória e é um mundo onde cabem todas as estéticas e épocas, mas também todos os preços.

Mauro Gonçalves
Escrito por
Mauro Gonçalves
Editor Executivo, Time Out Lisboa
Relíquias da Memória, Chiado
Gabriell Vieira
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Mais do que uma loja, este é um daqueles sítios onde nos podemos perder — em épocas e acabamentos, em detalhes e medidas, a visualizar como esta ou aquela peça ficariam lá em casa. Os objectos são às centenas e atravessam séculos de história. António Sousa é um dos proprietários e o curador de serviço. Há 40 anos que faz disto vida — avaliar, escolher, comprar e vender — e a Relíquias da Memória é o mais recente capítulo.

Relíquias da Memória, Chiado
Gabriell Vieira

“Isto começou tudo com o meu pai. Sempre quis ser piloto, não consegui. Foi ele que um dia me perguntou o que é que eu queria fazer a partir daquele momento, do que é que gostava. Sempre adorei história e, a partir daí, encorajou-me a entrar neste mundo”, conta. A narrativa é mais complexa. Um problema de saúde fechou-lhe a porta do maior sonho, mas acabou por abrir uma outra, a das antiguidades.

Durante quase duas décadas, teve uma pequena loja em pleno Chiado: a Barbacã, na Calçada Nova de São Francisco. Em Agosto, abriu a Relíquias da Memória (no espaço anteriormente ocupado pela República das Flores), onde as peças de decoração, mobiliário e luminária são a perder de vista. Há de tudo um pouco: arte sacra, móveis oitocentistas, candeeiros da década de 60, porcelanas orientais, lustres, letreiros e até um antigo posto de gasolina.

Relíquias da Memória, Chiado
Gabriell Vieira

“O segredo está na irreverência. Nunca gostei de ser referenciado por vender porcelana ou por vender imagens. Vendo aquilo que gosto e o que tem pinta”, admite. Em nome de um ecletismo visual, António sempre fugiu à especialização que rege a maioria dos antiquários. Na nova loja, mistura tudo. “O que me dá mais gozo é ver as pessoas entrarem e começarem a descobrir”, continua, em conversa com a Time Out Lisboa.

O rol de clientes é tão ou mais diverso. Falam português (alguns são vizinhos) mas também inglês, francês, russo ou mandarim. Do Brasil, França e Espanha chegam muitos dos novos moradores da cidade. Os preços, que vão dos dois aos quatro dígitos, agradam a todos. “Há uma regra que aprendi há anos: o lucro não está na venda, está na compra”, refere. A maioria das aquisições são feitas em Portugal, especialmente por ocasião de falências e partilhas.

Relíquias da Memória, Chiado
Gabriell Vieira

Mas António não está nisto sozinho. Tem mais três sócios: a mulher, Rita Praça, Pedro Muñoz, um decorador espanhol amigo do casal, e um quarto elemento que prefere manter-se no anonimato. As novidades estão sempre a chegar, até porque a maioria das peças não ocupa aquilo lugar por muito tempo. Algumas são reparadas e alvo de pequenos restauros antes de serem postas à venda, enquanto outras mantêm as marcas do tempo, aquilo a que se chama patine.

Relíquias da Memória, Chiado
Gabriell Vieira

A cirandar pela Relíquias da Memória, descobrimos uma colecção de aviões suspensos no tecto. António e Rita não lhes resistem até hoje, embora os voos sejam outros.

Rua da Misericórdia, 31. Seg-Sáb, 10.30-20.00.

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