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Do requinte clássico aos detalhes instagramáveis, o Grand Café Lisboa é tudo menos discreto

Abriu no final de Novembro nos Restauradores e junta a pastelaria típica portuguesa a clássicos franceses, passando pelas tendências norte-americanas. No primeiro andar fica o salão de chá.

Andreia Costa
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Andreia Costa
Grand Café Lisboa
Rita Chantre
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A ideia era abrir um "café icónico", o requisito era estar na baixa da cidade. Da junção dos dois nasceu o Grand Café Lisboa, em plena Praça dos Restauradores. “Queríamos algo que fosse um ponto de passagem para os turistas, mas também para os portugueses”, explica à Time Out Sandra Moia, administradora da Primefood, responsável pelo conceito.

O espaço chama a atenção até do outro lado da avenida, de onde se vêem as varandas do primeiro andar delineadas por canteiros de flores rosa-choque. Os tons vibrantes conferem-lhe modernidade e preenchem a fachada, desvendando que algo se passa nesse piso. “Estas janelas parecem uns quadros, uns postais, porque [lá dentro] a pessoa consegue sentir Lisboa, consegue ver os monumentos e a praça, consegue ver o movimento da cidade e as pessoas”, descreve Sandra Moia.  É aí que fica o salão de chá, que significa simplesmente que é uma zona mais calma, contrastando com o entra e sai do rés-do-chão.

Grand Café Lisboa
Rita Chantre

Ao lado da porta de entrada, outro arco com as mesmas flores está acompanhado pelo logo e convida a uma sessão de fotos. “Já tivemos aqui um casal de noivos a ser fotografado”. Do lado de fora, uma pequena vitrine exibe uma amostra do que se pode encontrar lá dentro, mas não há nada melhor do que ver de perto. A oferta típica é vasta, com bolas de Berlim (2,10€), pastéis de nata (1,40€), babás (2,40€) e mil-folhas. Neste caso, aposte à confiança no de caramelo salgado (2,50€). A massa é a mesma da nossa infância, mas o creme é inovador.

Há também um lado internacional, com a pastelaria francesa em destaque, delicada e quase escultural. Ópera (de red velvet, café, pistácio, framboesa, tiramisú ou limão, 3,60€), financiers (caramelo salgado ou pistácio, 3,70€), tarteletes (morango, limão, framboesa, chocolate avelã, caramelo salgado ou crème brûlée 3,90€), éclairs (caramelo salgado ou pistácio, 3,90€) ou pães de chocolate (2,30€) convivem com influências norte-americanas, como os New York rolls e cruffins (de lotus ou pistácio, 2,80€).

Grand Café Lisboa
Rita Chantre

“Um dos valores mais importantes na nossa empresa é a qualidade. Nisso não poupamos. Tentamos sempre ter os melhores ingredientes e um preço que faça sentido para um cliente português, não apenas para um turista”, garante Sandra Moia. A produção é toda própria, desde a pastelaria fina ao pão que é usado para as sandes. Há pão cristalino com frango e pimento (6,80€) ou com rosbife, queijo chèvre, molho de lima e abacate e rúcula (7,40€), tosta tradicional (3,60€) ou de presunto (5,90€), e ainda saladas de frango (6,20€) e salmão fumado (6,20€). Quem não dispensa ovos para começar o dia, tem a opção de ovos benedict com fiambre de peru (7,80€) ou com salmão e abacate (8,80€); além de ovos mexidos com croissant (4€) ou brioche (4,50€); e ainda folhados com salada, ovo estrelado e presunto (4,90€) ou salmão (4,90€). 

Regressando aos doces, é preciso parar para apreciar os supremos, assinados pelo pasteleiro Carlos Palmeiro, responsável pela carta. O supremo de pistácio e cereja griote (4,80€) é o mais inesperado; o de manga e coco (4,50€) é fresco e leve; e o de chocolate (4,50€) é uma prova de resistência que só os verdadeiros apreciadores de chocolate terão estômago e coração.

Grand Café Lisboa
Rita Chantre

O Grand Café Lisboa abriu no final de Novembro e é vizinho da Fábrica da Nata – outra marca do grupo, que também detém ainda a Pastelaria Suíça —, por isso, já conheciam bem a zona. “Todas as cidades europeias têm um Grand Café e achámos que fazia falta um em Lisboa. Portanto, este espaço surge para ser um marco na baixa lisboeta, uma zona que a Primefood tem estado a tentar revitalizar.” Abrir outros espaços com o mesmo nome em diferentes zonas da cidade é algo que pode acontecer no futuro. “No centro, a ideia é que haja apenas um Grand Café. Mas, se aqui funcionar bem, acho que poderíamos ter no aeroporto um conceito que fosse ao mesmo tempo português e internacional.”

Para já, o foco está nos Restauradores, um projeto que recebeu toda a atenção da Primefood. A inspiração foi um café clássico, mas a decoração surpreende. Verde, rosa e coral foram as cores escolhidas para acompanhar a arquitectura clássica que evoca o glamour dos salões antigos. A entrada da loja é mais agitada, mas assim que subimos as escadas, reinam a calma e o silêncio – não sem antes passarmos por baixo da zebra que está pendurada desde o tecto, e cujo desenho se repete no papel de parede que liga os dois pisos.

Grand Café Lisboa
Rita Chantre

 

Grand Café Lisboa
Rita Chantre

Não faltam pontos instagramáveis. O salão de chá está vigiado por um pavão de asas abertas mesmo no centro e tem assinatura portuguesa. Os tectos foram pintados à mão, com flores e verduras, e as cores garridas do mobiliário contrastam com as fotografias antigas, a preto e branco, em molduras douradas, que preenchem as paredes. São da Praça dos Restauradores, mas também de outros pontos de Lisboa, como o Elevador de Santa Justa. 

Na pastelaria, as escolhas são bastante homogéneas, mas no departamento das bebidas dá para ver perfeitamente quem são os clientes portugueses: pedem quase sempre um expresso (0,90€). Os outros experimentam do cappuccino (3,30€) ao matcha latte (4,20€), passando pelo iced latte pipoca (4,30€), com base de café e xarope de pipoca.

Grand Café Lisboa
Rita Chantre

Deixámos para o fim a grand bolacha. Tem uma receita secreta que Sandra Moia gosta de referir, mas nunca revelar. “Tentámos criar este produto estrela para termos algo diferenciador, com uma embalagem própria.” É crocante, faz lembrar uma bolacha belga em formato XL e é personalizada no momento. À bolacha simples (2€) podem juntar-se todos os toppings que desejar (cada um custa 0,90€), começando pelo chocolate de leite e o pistácio, que correm ininterruptamente em duas fontes colocadas em cima da bancada. Ao creme que rapidamente solidifica, podem juntar-se smarties, pistácio, pepitas de chocolate ou de framboesa.

Apelativa e divertida, é servida numa espécie de envelope aberto, vermelho vivo e repleto de zebras – aliás, todas as embalagens e sacos têm um grafismo que se destaca —, o que significa que, se a vir na rua nas mãos de alguém, vai querer saber de onde vem. Nós ajudamos: número 66, Praça dos Restauradores.

Praça dos Restauradores, 66. Seg-dom 08.00-23.00

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