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Dois bailarinos e um pianista fazem um duelo a três

Por Miguel Branco
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Thiago Soares, principal bailarino da Royal Ballet de Londres e Marcelo Bratke, pianista brasileiro consagrado, levam ao Tivoli BBVA um espectáculo clássico que não perde a ideia de Brasil. A eles junta-se, como bailarina convidada, Filipa de Castro, da CNB.

“Vamos fazer qualquer coisa juntos”. Frase que tantas vezes cai na armadilha do tempo, do próximo jantar que sempre vai sendo adiado, frase destinada ao insucesso, tal como como aconteceu com Thiago Soares e Marcelo Bratke, amigos de longa data e vítimas deste “temos que”. Foi preciso Thiago – principal bailarino do Royal Ballet de Londres (onde está desde 2002) – e Marcelo – pianista consagrado no Brasil – serem convidados para a Semana do Brasil em Londres e provocados pelo programador para a coisa, finalmente, uma década de amizade depois, se efectivar. Thiago Soares e Marcelo Bratke – Duelo estreou em Maio de 2018 em Londres e tem esta ideia de ter uma bailarina convidada a cada cidade em que se apresentar. Em Lisboa, Filipa de Castro, principal bailarina da CNB, foi a eleita deste espectáculo que passa pelo Teatro Tivoli BBVA nesta quarta-feira.

O passo seguinte foi pensar como não criar um lugar-comum, um bailarino a jogar com o piano, como tanto se vê: “Não queria fazer aquela coisa clichê de você tocar uma música e eu dar uns saltos de ballet. O Marcelo é um especialista em Heitor Villa-Lobos, o nosso grande compositor. Mostrou-me várias coisas e eu descobri coisas de Ernesto Nazareth e do Villa-Lobos incríveis, coisas que parecem Chopin e Stravinsky, coisas que falaram comigo, que me apetecia dançar”, explica Thiago Soares.

Duarte Drago

E vê-lo a dançar, a guiar Filipa de Castro, é a certeza de que este Duelo é um jogo do gato e do rato, vai-não-vai, o movimento giratório do cortejo antes do ataque, os olhares a quererem um encontro que logo é bruscamente interrompido. “Sim, quis pensar: como é que posso brincar com as minhas raízes dentro do mundo clássico? O mundo clássico tem muitas regras, então tentei encontrar esses mecanismos de surpresa, ataca-espera”, avisa. Raízes trazidas muito claramente, a ideia de querer romper o corpo clássico, de o querer esticar ao ponto de ser overdancing, e ainda a floresta da brasileira, a ancestralidade, os indígenas: “A gente brinca com as nossas identidades, ele por ser um pianista ilustre, a Filipa por ser uma bailarina convidada, chiquérrima, e eu por ter a minha trajectória, ser um artista que não perdeu a sua assinatura brasileira apesar de ter feito uma carreira clássica, a gente brinca sobre isso. Vou sambar no palco? Não posso sambar num ballet clássico, onde é que posso colocar o meu jingado? É possível ou não? Ele brinca sobre estas coisas”, resume o bailarino e coreógrafo.

O mesmo que admite que a introdução de Filipa de Castro só traz coisas boas: “A gente está falando a mesma história já bastante, então a gente precisa de um elemento novo para se questionar novamente. E é rico para a gente, a Filipa está trazendo as raízes dela, aprendo muito com ela. E não tem como não ter, chegou o momento em que a gente precisava da figura da mulher, da bailarina. Tem muito a ver com o nosso percurso”, esclarece.

Música Heitor Villa-Lobos e Ernesto Nazareth (por Marcelo Bratke); Coreografia Thiago Soares; Com Filipa de Castro

Teatro Tivoli BBVA. Qua 21.00. 15-35€.

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