Notícias

E agora para algo completamente diferente: hambúrgueres de pato

Rodrigo Castelo juntou-se a mais dois sócios para abrir a Quack Shack em Alvalade. É uma pequena mas ambiciosa hamburgueria, onde a única proteína no menu não tinha o hábito de mugir, mas de grasnar. Até as crianças adoram, garante o chef.

Hugo Torres
Escrito por
Hugo Torres
Director-adjunto, Time Out Portugal
Quack Shack
DR | Quack Shack
Publicidade

Não faltam hamburguerias em Alvalade. Se começarmos a subir da estação Roma-Areeiro, encontramos logo ali a DUPE. Depois, ultrapassadas as cadeias nacionais e internacionais (H3, McDonald’s, Burger King), temos no coração do bairro a Taste Invaders, a Goons ou o Atalho. Foi também nessa zona, na Rua Marquesa de Alorna, que em Março um dos mais recentes casos de sucesso da cidade, a Street Smash Burgers, instalou um dos seus restaurantes. Agora, uns metros acima, a oferta volta a alargar-se. E a diversificar-se: no novo Quack Shack, os hambúrgueres não são nada daquilo a que estamos habituados.

A pista está no nome. Aqui, a carne não é de vaca, como habitualmente, nem de porco. É de pato. Mas escusa de torcer o nariz, até porque quem pensou nestas sandes ao pormenor sabe bem o que está a fazer. Trata-se de Rodrigo Castelo, estrelado chef do Ó Balcão, em Santarém, que esteve quase um ano a desenvolver os três hambúrgueres no menu. “Passei o Natal a comer hambúrgueres de pato, eu e a minha família. Isto passou pelo crivo de muitos amigos, de muita gente”, conta-nos à mesa, no Quack Shack. “Eu sou tendencioso para dizer que é muito bom, mas é de facto muito bom. Quem não gosta de pato gosta deste hambúrguer. Já aconteceu com muitas pessoas”, garante. E as crianças? “Adoram!”

Quack Shack
DRRodrigo Castelo

O Quack Burger tem duas versões – normal (9,90€, combo 12,90€) e double (11,90€, combo 14,90€) – e arriscamos dizer que quem as experimentar vai estar mais entusiasmado com o excesso de queijo americano do que a tentar identificar diferenças na carne. A cebola confitada e o pão brioche “extra soft”, que é feito propositadamente para aqui e é tostado no momento da preparação, compõem o resto do hambúrguer e a sensação de familiaridade. As batatas fritas, finas, estaladiças, salgadas e bem amarelas, também dão uma ajuda importante nesse campo (para lhes dar personalidade, peça a “dijonnaise” por 1€).

O Quack Signature (12,90€, combo 15,90€) é outra fruta. Até literalmente. Apesar de terem a mesma gramagem, a rodela de carne do Burger é mais larga e fina; a do Signature é mais estreita e alta, mais suave. É neste que vai conseguir saborear o hambúrguer de pato em todas as suas potencialidades de sabor e textura. Mas não é a única diferença. Muda o pão e muda logo aí a experiência (embora barrada por dentro com a mesma gulosa manteiguinha, artesanal e terminada com uma emulsão de com alho e salsa). Crocante por cima, este “bun’n’roll tostado” transporta, além da carne, queijo americano, cebola confitada, alho-francês laminado, pickles de pepino “extra finos” e pickles de laranja. Escusa de voltar a torcer o nariz: o citrino, toda a gente o sabe, casa muito bem com o pato. Aqui também.

Quack Shack
DRQuack signature

Os receios com que partimos para o hambúrguer era que, sendo uma carne branca, fosse mais seco. Não é. É suculento, em particular o Signature. “Nós tivemos mais de dez meses em testes, da gramagem ao compromisso entre gordura e carne, até à sustentabilidade, para aproveitarmos o pato como um todo. E então chegámos ali a uma fórmula que achámos que é mais indicada, até para grelhar o próprio hambúrguer. Ele não se deslaça, não se desfaz”, afirma Rodrigo Castelo. “E é muito importante dizer que é completamente artesanal, a carne não leva ligadores, não leva cola. E também não leva intensificadores de sabor, nada disso. Isto é um hambúrguer artesanal, natural e nutricionalmente muito bom.”

O chef refere que a ideia sempre foi fazer um hambúrguer que se distinguisse dos demais, mesmo da nova vaga de smash burgers. “Não queríamos fazer um smash. Nada contra, sabemos que são muito bons, mas não queríamos fazer mais um smash. Queríamos fazer um hambúrguer mesmo. Mas também queríamos que fosse diferente, não queríamos usar a proteína nem de vaca nem de porco. E partimos para o pato, que, dentro das aves, ainda assim é uma proteína de elevada qualidade.” E é de pato a quarta e última entrada do menu, os quackettes – isto é, os croquetes, que são o segredo para aproveitar o bicho inteiro, já que são feitos com as aparas e a carcaça, e depois com mais carne desfiada. Um custa 1,90€, três ficam por 5,20€ e seis por 9,90€.

Quack Shack
DRQuack Burger

Nas bebibas, tem à escolha água (2€), refrigerantes (2,50€), kombucha (3,50€), minis da Sagres (2€) e uma cerveja da casa produzida pela Musa, a Quack Shack Beer (3,50€). Para sobremesa, a única opção um doce típico de Santarém, recheado de doce de ovos e canela, feito por uma pastelaria local, a Bijou, que já costuma trabalhar com o Ó Balcão. Chama-se pampilho e aqui é servido em miniatura (um a 1,90€, três a 5,20€ e seis a 9,90€).

O Quack Shack é um espaço pequeno. No interior, tem quatro mesas altas, oito cadeiras e um banco corrido (na esplanada há mais quatro mesas). As paredes são brancas, o chão em cimento e na coluna toca música calma. A cozinha fica atrás do balcão onde se efectuam os pedidos e tudo está a três, quatro passos de distância. Contudo, julgar a ambição do projecto pelo seu tamanho é um erro. Rodrigo Castelo e os sócios João Seabra e Nuno Pimenta vêem-no como um primeiro passo para consolidar a marca e crescer. “Somos ambiciosos, temos sonhos e gostamos de ir atrás deles. Nenhum de nós se propôs a abrir uma hamburgueria para ser só esta”, refere o chef. E a escolha da localização teve isso em conta. “Não teve só a ver com o bairro em si. Foi pensar que daqui temos um maior raio de acção. Conseguimos chegar a mais pessoas nas plataformas [de entregas].”

Quack Shack
DR

Rua Marquesa de Alorna, 27C (Alvalade). Ter-Dom 12.00-22.00

Últimas notícias de Comer&Beber na Time Out

Viu que a emblemática Bica do Sapato, em Santa Apolónia, ganhou uma nova vida? Está em soft opening e promete muitas novidades para o futuro. Nas Amoreiras, abriu uma casa marroquina com o chef Hélder Martins ao leme da cozinha: o Arady. Já no Cais do Sodré, Maída oferece uma viagem pelo Mediterrâneo com sabores libaneses, tradições e memórias.

Últimas notícias
    Publicidade