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Eles criaram um peixe a vomitar lixo dos esgotos na Mouraria

nuno saraiva e madalena martins
Fotografia: Manuel Manso Nuno Saraiva e Madalena Martins

Há um grande peixe na Rua da Mouraria, junto ao Martim Moniz, a vomitar lixo dos oceanos. Está revoltado e é a nova face do projecto Lixo Zero Mouraria, da associação Zero Waste Lab. 

A nova peça de arte urbana é da autoria do ilustrador Nuno Saraiva e da designer Madalena Martins e embora não seja o primeiro projecto que fazem em conjunto, é a primeira aventura do ilustrador alfacinha pelo mundo da escultura numa peça que não passa despercebida: uma cabeça de peixe a sair do chão e a vomitar carradas de plásticos, como se os tivesse engolido nos esgotos de Lisboa e agora desse finalmente o grito do Ipiranga. O seu nome é RE-VOLTA, mede quatro metros de altura e inclui materiais recolhidos em praias e nas ruas da cidade. São essencialmente plásticos, mas também beatas ou brinquedos os elementos que consegue encontrar no gigante vómito, numa peça com produção técnica da empresa Lindo Serviço (Parque das Nações).

“Não foi um trabalho de duas pessoas, foi de dezenas, algumas que nem conhecemos pessoalmente, e foi necessário músculo, não apenas cérebro”, diz Nuno Saraiva durante a apresentação do projecto, enquanto agradece à Lindo Serviço pode ter dado corpo a este manifesto. O ilustrador explica que o peixe foi inspirado nas figuras mitológicas encontradas pelos navegadores, “um peixe chateado, porque tem de conviver connosco e vem devolver-nos o desperdício”, explica. Já Madalena Martins lamenta que o mar esteja saturado com tanto lixo: “Este acumular nos oceanos é uma revolta global representada por um peixe que fez uma viagem pelos esgotos da cidade. Desejamos que crie um certo enjoo às pessoas, não é para ser bonito”.

Fotografia: Manuel Manso

“Conseguimos um feito meritório”, diz Cristina Sousa, da Zero Waste Lab e coordenadora do Lixo Zero Mouraria, referindo-se à quantidade de pessoas e entidades unidas em torno do projecto, como o Centro de Inovação da Mouraria, Movimento Portugal Sem Beatas, Cozinha Popular da Mouraria, Câmara Municipal de Lisboa, Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, Associação Renovar a Mouraria e cerca de 700 voluntários que durante todo o ano arregaçam as mangas para recolher lixo por tudo quanto é lado.

Uma luta conjunta agora expressa na obra de Nuno Saraiva e Madalena Martins que para Cristina Sousa é uma “dávida do projecto à cidade”. Mas só irá ficar na actual localização por três meses, antes de rumar para outros pontos da cidade. Pelo menos foi essa a vontade expressa por Miguel Coelho, presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior: “Talvez possamos colocar a peça noutro lado e possa circular pela cidade”. Uma ideia rapidamente bem recebida por Filipa Penedos, directora municipal de Higiene Urbana: “A Câmara Municipal de Lisboa aceita o desafio de levar a peça para outros locais da cidade”. Sobre a escolha do nome RE-VOLTA, Ana Salcedo, co-fundadora da Zero Waste Lab, sublinha a revolta que está sempre associada ao activismo e espera que esta seja um motor ou um novo fogo para a mudança necessária na luta pela sobrevivência do planeta: “Estamos a celebrar um ano de intervenção e que seja um pontapé para uma nova revolta”.

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