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Em Campo de Ourique o Bicho Mau também é para comer

Bicho Mau
©Duarte Drago

Rita Gama e Tomás Rocha trouxeram a Campo de Ourique uma cozinha que de mau tem pouco, ainda que os bichos sejam o que melhor faz o prato. Neste Bistrô Bicho Mau é a sazonalidade que manda na carta, numa liberdade que há muito era sonho dos dois.

"Percebi que se queria fazer as coisas, era para fazer direito, então comecei a estudar", começa por dizer Rita sobre o percurso. Pelo meio, uma mudança radical: Da ESAD, a Faculdade nas Caldas da Rainha onde estudou design, até à Colômbia, onde percebeu a verdadeira vocação, foram uns quantos meses. "Sempre gostei imenso de cozinhar, então comecei a preencher os espaços em falta. Por exemplo uma senhora que queria dar um jantar em casa e eu disse-lhe que ia a casa dela fazer um caril. Fiz, ela gostou imenso e recomendou-me a amigos".

Mas o lado de lá do Atlântico não era o sítio certo e a experiência passava inevitavelmente pelo regresso à Europa. Cá, passou por espaços mais pequenos, saltou por estágios. Integrou O Talho, do chef Kiko Martins, mas foi A Cevicheria que lhe deu a grande experiência. "Foi uma formação mais clássica, de cozinha a sério, que também funciona como triagem. Percebes logo se aguentas isto ou não".

 

A couvert: pão da Terrapão, manteiga e rillettes de pato
Fotografia: Duarte Drago

 

Foi também no restaurante de Kiko Martins que cruzou caminho com Tomás. Na família, o Direito foi a escolha maioritária, mas a fixação com a cozinha já vinha de miúdo. "Sempre tive esta coisa de ser cozinheiro, tenho esta paixão e levei-a avante. Tirei o curso profissional de cozinha no Estoril, tirei também o curso superior no Estoril, fiz vários estágios, passei por vários sítios como a Tartar-ia no Time Out Market e A Cevicheria, onde conheci a Rita".

Nice, no Sul de França, foi a primeira paragem a dois, uma experiência que os segurou ano e meio e que lhes serviu de escola e inspiração para fundar o conceito do Bicho Mau. Mas no regresso, a Lisboa que conheciam havia mudado. "Quando chegámos a Portugal caiu-nos a ficha: preços muito mais caros, restaurantes a abrir como cogumelos", conta Rita.

 

Porco mangalitsa, couve e brioche
Fotografia: Duarte Drago

 

Em Dezembro arranjaram o espaço. A carta foi decidida por entre conversas e copos de vinho, sempre com a sazonalidade em mente. "Tivemos, aliás, de a trocar antes de abrir porque achámos que íamos abrir em Novembro/Dezembro e só abrimos em Abril", diz Tomás. "Ou seja, tínhamos uma sopa de beterraba que é um produto de Inverno, e tivemos de trocar. Mas isso faz parte do desafio. Não estamos sempre a fazer o mesmo, é bom para nós porque puxa pela criatividade e é bom para o cliente pela novidade. Queremos que as pessoas nos conheçam por isso".

A carta é pequena mas criativa. O couvert, com pão da Terrapão, manteiga e rillettes de pato (4€) é a porta de entrada. Segue-se o João-pé-de-ervilha (4€) o creme de ervilhas e pato wasabi. A neblina (7€) é feita de espuma de batata, espargos, presunto e ovo. E ainda o porco que queria ser ovelha (15€), onde o porco mangalitsa – uma raça de porco oriundo da Hungria – se faz acompanhar de couve em pão brioche.

 

O inominável: lavagante, camarão e ovo
Fotografia: Duarte Drago

 

Há ainda o peixe que foi à Ásia (13€), onde o peixe do dia faz par com os legumes da época e tom yum (sopa tailandesa), o clássico eh toiro! (9€) que combina as clássicas favas com carne de boi ou o inominável (18€), uma combinação de lavagante, camarão e ovo.

 

A farófia com fruta e manjericão
Fotografia: Duarte Drago

 

Nas sobremesas há creme de banana com queijo e crumble de canela (5€), avelã, chocolate e cereais (6€) ou farófias com fruta e manjericão (5€). Tudo isto pode ser acompanhado pelo cocktail Bichomau (10€), por espumantes, uma selecção de vinhos – como o Casa de Mouraz branco (19€) ou o Beyra Reserva Quartz (4,5€) o copo – ou pelo vinho da casa, o Casa da Carvalha tinto, que chega da vinha da família de Tomás. "Somos o mais a sul da região do Dão, na zona de Arganil. É uma coisa pequena, cerca de três hectares de vinha. Produzimos vinho tinto e começámos a produzir rosé há pouco tempo. Tem características diferentes dos outros, mesmo pela questão do sol, mas é um vinho com qualidade, e como andamos sempre atrás dos pequenos produtores, faz sentido."

A colheita de 2010 pode ser pedida a copo (4€) ou em garrafa (16€). Já a de 2006 (24€), ano inaugural da produção, está disponível apenas em garrafa.

Rua Coelho da Rocha, 21A (Campo de Ourique). Qua-Sáb 12.30-15.00, 19.30-22.30. Dom 12.30-16.30.  

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