Notícias

Entre vinhos, música e petiscos faz-se o Viagem das Horas

No novo bar de vinhos de Arroios ouve-se música como em poucos sítios, de fio a pavio, e petisca-se com o melhor que a zona oferece. No final, ainda é possível comprar plantas, vinhos e azeite de pequenos produtores.

Cláudia Lima Carvalho
Viagem das horas
Gabriell Vieira
Publicidade

Durante anos foi como DJ Rycardo que se deu a conhecer. Agora é como Ricardo Maneira, sem máscaras ou nomes artísticos, que se apresenta à frente do bar A Viagem das Horas, que abriu há cerca de dois meses em Arroios, bem pertinho do mercado. A pandemia obrigou-o a parar de pôr música, mas também lhe deu a vontade de cumprir um sonho antigo. 

“Sempre quis ter um espaço meu e, de repente, disse: é agora.” A música continua a ser peça fundamental e está no centro deste novo projecto: o bar vai buscar o nome ao disco do brasileiro José Mauro, que durante anos meio mundo julgou morto. “Quando fiquei a saber da história deste músico fiquei um bocadinho obcecado e queria ter este disco”, conta Ricardo. É possível ouvi-lo por lá, bem como à restante colecção do DJ, que tem na música brasileira e no jazz as suas maiores referências. 

Viagem das Horas
Gabriell Vieira

Os vinis são parte da decoração do espaço, que se completa com as muitas garrafas de vinhos naturais, de pequenos produtores e com pouca intervenção, e as plantas da Bago Plant Shop, que também aqui estão à venda. A escolha do lugar, na freguesia mais multicultural da cidade, também não foi por acaso: “É um sítio que tem esta mistura de nacionalidades. Eu nasci em Angola, sou angolano, mas também sou português. É o sítio certo”, afirma, contando rodear-se da comunidade. “Quero estar no bairro e juntar-me a quem já faz coisas que são boas. Quanto mais juntos estivermos, mais fortes somos. E eu sou pequeno, isto não é a minha área.”

Na carta, onde cada prato tem o nome de uma música, há entradas e petiscos que vêm do Templo Hindu – Roforofo fight, 1,80€ (aperitivos sem glúten, vegan, à base de grão, picantes e não picantes) – e do vizinho Mezze – Um homem na cidade, 4,50€ (humus e babaganhoush, pão artesanal e tostas). As sobremesas, como a Let’s stay together, uma tartelette de chocolate (4,90€), são da Zukar, projecto de Laura Nascimento e da mãe Muriel. E mesmo as compras são feitas por ali: o pão vem da Terra Pão, o peixe da Peixaria Veloso – vale a pena provar o prato que tem como nome A love supreme (8,50€), feito de peixe do dia cru, servido numa marinada de óleos asiáticos com flocos chilli. Para casa é ainda possível levar o azeite alentejano Mainova (500 ml, 8,50€), Salmarim Flor (a partir de 6,50€) ou queijo vegan Cura (a partir de 9,60€). 

Viagem das Horas
Gabriell Vieira

A mensagem mais importante que quer passar com A Viagem das Horas é esta: a de que também um negro pode abrir um negócio e seguir o caminho que sempre ambicionou. “Isto é um acto de cidadania. Não haver muitos negros à frente destes negócios motivou-me”, explica. “Temos um racismo estrutural que nos come todos os dias. E o facto de ter um espaço ou estar numa situação de privilégio não invalida que não sofra de racismo”, acrescenta, esperando que o seu bar possa também ser um espaço de encontro de afrodescendentes. Para o futuro, não faltam ideias, desde sessões de música a conversas. Por agora, Ricardo está feliz. “Passo a música que quero, compro os vinhos que quero, conheço muita gente. Não podia desejar coisa melhor neste momento na minha vida.” 

José Ricardo 1 (Arroios). Seg-Sex 16.00-22.00.

+ Nossa Lisboa: novo festival de música nasce em Setembro

+ Da revista para o Centro Cultural de Cabo Verde: Lisboa Negra é agora uma exposição

Últimas notícias

    Publicidade