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Comvida
Manuel Manso

Esta mercearia e cafetaria em Oeiras convida a estar

A Comvida é o primeiro projecto de Sofia Oliveira e Fábio Gomes. É um espaço sem rótulos, em que se olha para a cozinha e para os produtos de forma sustentável.

Por Sebastião Almeida
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A ideia cirandava-lhes na cabeça fazia tempo. Abrir um espaço próprio, com produtos exclusivamente nacionais e sazonais, parecia cada vez mais possível até que se tornou mesmo uma realidade. Sofia Oliveira e Fábio Gomes, 29 anos, até há pouco tempo levavam uma vida dita convencional, com um trabalho na área da gestão e do marketing. O assunto tornou-se mais sério quando Sofia se despediu da multinacional onde trabalhava para se dedicar exclusivamente ao projecto que, desde o final de Outubro, está aberto ao público, em Oeiras. Chama-se Comvida e é uma mercearia e cafetaria que quer promover uma cozinha e consumos sustentáveis. 

Aqui, só os cereais e o café (Sgt. Martinho) é que não são de produção local. Mas, por detrás de cada produto escolhido, há muita história e pesquisa. O objectivo desde o início, conta Fábio, foi trabalhar com produtores com quem fosse possível criar valor, sem descurar a consciência ambiental. “Importar uma manga tem uma história e uma pegada enormes”. A forma como é produzida, quem assegura a produção ou a forma como é transportada até ao país de destino são pormenores que têm de ser tidos em conta. “Há que encontrar forma de equilibrar esse processo”. No fundo, “é quase um exercício teórico” que ambos estão a pôr em prática na cafetaria que também vende a granel.

Comvida
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Nenhum deles tinha experiência prévia nisto de ter uma cafetaria e uma mercearia, mas no tempo em que a Comvida não abria portas, Sofia estagiou com Maria Antunes e Rui Catalão, os rostos do agora restaurante Kitchen Dates, em Telheiras. Foi lá que percebeu que queria pôr em prática uma cozinha sustentável, mais virada para pratos vegetarianos. Com tudo feito de raiz, claro e evitando o máximo desperdício. Ao elaborar a carta, que está em constante transformação, percebeu que muito dos pratos idealizados assentavam numa base vegana, “o que acabava por ser mais inclusivo, ao contrário do que se possa pensar”, afirma.

A carta é minimalista, pensada para pequenos-almoços, snacks ou almoços. Mas só assim conseguem assegurar “ a qualidade de tudo o que é servido”. Por detrás de algumas das criações está a chef Virginia Kulaif, que antes passou pelo My Mothers Daughters, em Lisboa. O porridge com manteiga de amendoim, puré de fruta da época e granola (5,5€), as panquecas com molho de alfarroba, fruta da época, neste caso maçã do Bombarral, granola e manteiga de amendoim foram alguns dos pratos que chegaram à mesa. Para almoçar, por exemplo, há sempre na carta hambúrguer (10,5€), cuja matéria-prima vai variando. Aquando da nossa visita, o hambúrguer era de cogumelos e aveia, com pesto, tomate cherry assado e alface, mas vai-se alterando conforme o que a estação vai dando. Nas sobremesas (4€), a ganache de alfarroba é uma agradável surpresa, que tem vindo a conquistar os comensais. Além disso, há sempre um prato da semana (8,5€). Se preferir, claro que pode optar pelas modalidade de take-away ou de entrega (a cargo da Scuver) para saborear os pratos no conforto de casa.

Comvida
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Mas o espaço, que antes foi uma pizzaria e um restaurante de comida tradicional, também merece a nossa atenção. A decoração e remodelação ficou a cargo do Estúdio Jaca, uma dupla de arquitectos sediada em Oeiras, que tentou ao máximo dar nova vida a objectos e mobílias abandonados e que construíram outros com recurso ao aproveitamento de materiais. É o caso da ilha com mercearias no centro da loja, herdada do anterior negócio, ou das mesas e cadeiras que foram construídos reaproveitando alguns materiais. As cerâmicas, por sua vez, são do estúdio BePolar, de Viana de Castelo e foram criadas de raiz para o projecto.

Voltando à comida, o pão é da Massa Mãe de Benfica. A padaria artesanal de Paulo Martins tem sido um sucesso e está agora presente, com diferentes tipo de pão e de baguetes de fermentação natural, em Oeiras. Mas não só o pão merece ser mencionado. A cerveja é da Letra, cervejaria minhota, e o azeite chega-lhes de Castelo Branco, mais concretamente da Herdade do Escrivão.

Sofia e Fábio quiseram criar um projecto com sentido de comunidade. Não se apresentam como um espaço vegano nem nada que se pareça. “Queremos apenas fazer com que alguns dos nossos valores sejam transmitidos aos outros”. Parece que já o começaram a conseguir fazer, a ver pela vizinhança que lhes aparece pela manhã para comprar pão e o leva num saco que trouxe de casa. Ou por um dos clientes que, num dia lhes pediu um bife e que no outro regressou para saborear uma refeição vegana. Aqui não há preconceitos. Apenas comida pensada e feita com sentimento. 

Rua Ernesto Veiga de Oliveira, 10A (Oeiras). 21 165 3357. Ter-Sex 11.00-19.00, Sáb 11.00-16.00.

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