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Esta sexta vai ler-se 'Dave, Queda-Livre', de Tiago Lima, no Teatro da Politécnica

Por Miguel Branco
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Inspirado em David Foster Wallace, sobretudo em A Piada Infinita, Tiago Lima escreveu Dave, Queda-Livre, ainda sem ter concluído o Conservatório. A leitura decorre esta sexta-feira no Teatro da Politécnica.  

Alguma vez foi de outra maneira? Está tudo bem até lermos algo que nos joga para o lodo. Tiago Lima estava a meio do curso de actores da Escola Profissional de Teatro de Cascais quando leu uma entrevista do dramaturgo austríaco Thomas Bernhard que viria a cumprir esta função de astrolábio, de afinal-o-que-ando-aqui-a-fazer? “Nessa entrevista ele contava a história de um amigo que era um dos melhores a fazer salto em altura. Certo dia, esse amigo tentou começar a perceber porque conseguia saltar tão alto: fez cálculos e estudou a forma como saltava. Desde então, não conseguiu saltar mais. Acho que isso me aconteceu em relação ao teatro, quando comecei a estudar e a perceber que havia certas ‘regras’ e ‘formas’; o teatro passou a ser algo a cumprir e não essa sensação de prazer que tinha descoberto uns anos antes”, conta Tiago Lima, no segundo ano do Conservatório de Teatro e já com a sua primeira peça escrita: Dave, Queda-Livre.

É essa obra, inspirada no universo de David Foster Wallace, sobretudo em A Piada Infinita, que esta sexta-feira vai poder ser escutada no Teatro da Politécnica. A leitura, a ter lugar na casa dos Artistas Unidos às 21.00, conta com Ana Rita Monteiro, Beatriz Batarda, Bruno Ambrósio, Carolina Passos Sousa, David Esteves, Guilherme Moura, Isabel Costa, Miguel Loureiro, Rodolfo Major e Romeu Runa.

E sim, não é obra do quotidiano esta coisa de um jovem ainda em formação ter a oportunidade de passar, com carga autoral, por uma estrutura como os Artistas Unidos. Ou seja, só pode ser bom sinal: “Já andava à volta deste texto há algum tempo e decidi que este ano teria de o apresentar e perceber como saía da boca dos actores. É um exercício complicado. A leitura serve também para encontrar interessados em estrear a peça. Escolhi o espaço dos Artistas Unidos porque o Jorge Silva Melo aceitou falar comigo, e deu-me a oportunidade de fazer a leitura lá". "Há muitos projectos que começam assim, com uma conversa de café. O mesmo aconteceu com os actores escolhidos, uns amigos de faculdade, outros com quem já tinha trabalhado”, diz o autor.

Mas retomemos os cálculos, aqueles que Tiago Lima fez para conhecer a altura do seu salto teatral e que significam, talvez, queda-livre. “A escrita surgiu desse medo, às vezes quando as coisas não corriam bem idealizava peças, coisas que gostaria de dizer em palco e talvez dessa forma esse medo passasse a ser um prazer. Surgiu como extensão do meu trabalho como actor”, conta.

Tiago Lima garante que Dave, Queda-Livre não é uma adaptação de A Piada Infinita: “Na peça, o fio condutor são as relações numa família. Aqui entraram também autores como o Knausgard que li ao longo da leitura da obra de Foster Wallace. Penso que daqui a alguns anos, será muito difícil uma família comunicar, apesar de todas as mil e uma formas que temos para isso. Ficaram também as personagens, os vícios e todo aquele universo hiperbólico. Passa-se num centro de reabilitação para alcoólicos e drogados, é daí que surge a ideia dos vícios. Que podem ser estes, ou outros, como ver televisão, estarmos agarrados ao Facebook ou ambicionar um sucesso”.

Tiago, se nos permites, ambicionamos o sucesso de Dave, Queda-Livre, o sucesso da leitura e a sua eventual estreia em palco. Pois, vistas bem as coisas, também não podes não permitir, estás condenado. Mais sucesso também, para a estreia de O Novo Mundo – nova criação d’Os Possessos onde é um dos seis autores do texto, de 27 a 30 de Junho na Culturgest – e para a sua participação, enquanto actor, num espectáculo que Miguel Loureiro vai estrear em Julho.

Tiago parece seguir em ascensão-livre.

Teatro da Politécnica. Sex 21.00. 

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