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Ciclone: Diário de uma Montanha-Russa
Ilustração de Mariana Malhão

Este “diário de emoções” é o Melhor Livro Infanto-Juvenil de 2020

A Sociedade Portuguesa de Autores premiou o livro "Ciclone: Diário de uma Montanha-Russa", sobre a viagem que todos fazemos ao caminhar para a idade adulta.

Por Raquel Dias da Silva
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Antes do livro, veio o teatro musical: Montanha-Russa, de Inês Barahona e Miguel Fragata, estreou-se no Teatro Nacional D. Maria II em 2018. Só um ano depois saltou do palco para o papel, com o lançamento de Ciclone: Diário de uma Montanha-Russa, pela editora Orfeu Negro. Ilustrado por Mariana Malhão, o agora vencedor do Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores para Melhor Livro Infanto-Juvenil de 2020, acompanha a adolescência de dois rapazes e duas raparigas que, entre os 13 e os 19 anos, vão escrevendo os seus diários.

Dos anos 70 até ao presente, esta história, contada em formato “diário quatro-em-um”, acompanha a adolescência de M., Bernardo, Carla e Anabela. A cada nova entrada, um bilhete para uma viagem a bordo da Ciclone, uma atracção com 26 metros de altura, que é também a montanha-russa que todos já experimentámos, ou experimentaremos, ao caminhar para a idade adulta. As férias que “estão a ser um fastio”, como diz a Anabela, ou o desejo “que tudo volte a ser simples”, como suspira Carla num desabafo sobre as mudanças por que está a passar.

“Antes do espectáculo propriamente dito, fizemos um trabalho de pesquisa sobre a adolescência, com entrevistas, oficinas em escolas, e até uma open call para a recolha de diários”, recorda ao telefone Inês Barahona. “A maior parte dos diários que recebemos eram de épocas anteriores à nossa, muitos dos anos 70 e 80, mas também dos anos 90.” Depois começaram a receber, “já com referências à transição do milénio, só excertos ou links para blogues”, uma outra espécie de diário, brinca Inês, que confessa um carinho especial pela memória de “poder sentar pessoas de diferentes gerações na mesma plateia”.

Quando começaram a pensar no livro, a ideia era criar um objecto complementar ao espectáculo, como “um diário para fazer”, conta. “Na altura, saíram muitos diários do género, por isso voltámos a olhar para o texto e tentámos encontrar uma forma de o fazer brilhar sem a força da dimensão cénica ou da música original dos Clã, que era tocada ao vivo.” A solução encontraram-na na ilustração e em especial no traço de Mariana Malhão, “entre o infantil e o ácido”. “Fazia todo o sentido: era como dizíamos na canção, que a adolescência é uma viagem que tanto é de seda como é azeda.”

Ao aliar a palavra à ilustração, o texto original acabou por ser adaptado, mas a mensagem permaneceu a mesma. “Na verdade ninguém sabe muito bem o que é isto da adolescência, mas todos passámos por esse território flutuante e há ressonâncias dessa viagem em todos nós”, acrescenta. “Voltar a esse lugar permite-nos perceber que, no fundo, ainda não parámos de tentar ser quem somos. A diferença é que, quando adolescentes, somos mais combativos, temos uma necessidade muito grande de fazer statements. Se calhar se voltássemos todos a ser um bocadinho adolescentes, talvez do ponto da justiça social e política estivéssemos a exigir mais. Na idade adulta somos mais treinadores de bancada, estamos em casa a queixar-nos, mas já não há a pureza e a força do combate da adolescência.”

Ciclone: Diário de uma Montanha-Russa, de Inês Barahona e Miguel Fragata (texto) e Mariana Malhão (ilustração). Colecção Orfeu Mini. 11,61€. 12+.

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