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Mural Resiliência
Mariana Valle Lima

Este mural de arte urbana é um grito de resiliência depois de um ano de pandemia

O mural quer ser também um meio de expressão para o sector da cultura, um dos primeiros a parar e que está em sérias dificuldades.

Por
Francisca Dias Real
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A 18 de Março de 2020 entrava em vigor o primeiro Estado de Emergência. Um ano depois, a 18 de Março de 2021 é apresentado um novo mural que quer homenagear todos os que se mantiveram firmes durante a pandemia – Resiliência é um projecto de arte pública com a assinatura da designer Sílvia Matias e do colectivo Ghost Creative Productions. Pode ser visto na zona dos Sapadores. 

Não foi palavra do ano, é certo, mas entrou pelo nosso vocabulário adentro como nunca antes tinha entrado. Pediu-se resiliência desde o primeiro minuto em que a pandemia nos bateu à porta, todos tivemos de ter para aguentar com o confinamento, com Estado de Emergência atrás de Estado de Emergência, com máscaras, com álcool gel, com restrições, com a falta de convívio, com distâncias físicas, com tudo o que ao longo do último ano limitou a nossa vida. 

“Um dos pontos principais deste projecto é o assinalar de um ano de confinamento oficial. Ano esse que  trouxe a palavra resiliência para o nosso dia-a-dia, pois nunca nos foi pedido tanta”, conta-nos Sílvia. “A resiliência é também um estado agridoce. Pelo que representa um período mais duro, mas nos projecta para uma capacidade positiva de enfrentar situações mais complexas. Quer seja hoje, seja pelo que estará por vir no futuro”.

Mural Resiliência
Mariana Valle Lima

A pensar nesta realidade imposta, Sílvia Matias decidiu deixar marca na cidade de um sentimento que assolou todos. Na Avenida General Roçadas, na zona de Sapadores, na Graça, nasceu assim um novo mural de arte urbana, tipográfico e monocromático. Sob tela preta o colectivo Ghost escreveu a branco e em letras garrafais a palavra “resiliência”. 

“A arte pode ser um escape ou uma conexão directa entre a situação geral que todos estamos a viver, e a interpretação e vivência individual”, explica Sílvia. “Tanto para as pessoas e para a comunidade, uma vez que a resiliência tem de ser também colectiva, apesar de normalmente ser mencionada como uma acção mais individual”.

Quem agora passa pela rua pode já ler aquilo que ao longo do último ano fez parte do quotidiano para aguentar mais um dia que seja. É uma resposta à saturação social, económica, política e psicológica em todo o país e no mundo, no fundo. 

“Por outro lado, este mural também é bastante direccionado e dedicado a todos aqueles que trabalham no sector da cultura, que parou e sem apoios que tenta resistir todos os dias”, remata Sílvia. 

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