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Fotografia: Liam Truong

Este projecto combate o isolamento dos mais velhos com cartas à moda antiga

O convite é simples: voltar a escrever cartas à mão para fazer companhia a quem mais precisa. E criar laços com esses “avós adoptivos”, que nos escrevem de volta.

Por
Raquel Dias da Silva
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Lembra-se de ver os seus familiares mais velhos a escrever cartas? Ou a escolher resmas de postais durante as férias de Verão? Se quiser recuperar esse bonito costume, de enviar correspondência à moda antiga e de repente receber no correio mais do que contas para pagar, encontrámos a desculpa perfeita para ir já comprar selos. O projecto “Já dizia a minha avó” recupera a prática para combater o isolamento dos mais velhos, que com a pandemia se têm sentido ainda mais sós.

Maria de Almeida, Joana Barata, Catarina Venâncio, Laura Rosa, Madalena dos Santos e Liana Asseiceiro são as responsáveis por trás desta proposta. Quando não estão a estudar Engenharia Agronómica, no Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa, as jovens dedicam-se a promover a criação de laços entre gerações. “É o melhor dos dois mundos: os idosos têm oportunidade de reviver os seus tempos de juventude e os jovens de criar um novo hábito”, dizem, destacando o facto da iniciativa não só prevenir incompatibilidade de horários como permitir a participação até dos mais envergonhados. “A ideia surgiu na altura do Natal, porque começaram a aparecer projectos para envio de postais a lares, mas era uma coisa festiva. E achámos que fazia sentido ser continuada”, acrescenta Maria de Almeida.

Não há limite de idade para aderir à iniciativa: “jovem é um estado de espírito”, asseguram. Basta preencher o formulário disponível no site. Ficará automaticamente inscrito, mas terá de esperar até receber mais informações. Caso seja sénior e queira receber cartas dos jovens voluntários, também poderá manifestar o seu interesse através de um outro formulário. No caso de lares, é necessário enviar um e-mail (projeto.jadiziaaminhaavo@gmail.com). O processo de selecção e de match entre correspondentes costuma seguir a ordem de inscrição, salvo quando os mais velhos fazem pedidos especiais. “Tivemos um senhor do Alentejo que nos pediu um jovem na casa dos 20, que fosse alentejano ou algarvio. Há idosas que preferem raparigas, porque querem contar as suas histórias românticas”, partilha Maria.

Já está convencido? Depois de se inscrever, aproveite para acompanhar a página de Facebook e Instagram do projecto, onde se partilham frases, expressões e conselhos que os avós costumam dizer, mas também fotografias de algumas das cartas já enviadas e até um tutorial para quem nunca escreveu uma.

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