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Fairly Normal
Francisco Narciso

Fairly Normal: a marca portuguesa para homens que é um cocktail de referências urbanas

Esta nova marca quer marcar pela transparência e minimalismo numa balança onde também entra o surf e o skate.

Por
Francisca Dias Real
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Os acasos podem ser felizes, mesmo no mais infeliz dos cenários – como uma entrevista de emprego mal sucedida. Que o digam João Morais Leitão e João Berberan, a dupla de amigos responsável pela Fairly Normal, uma nova marca portuguesa de roupa masculina com preocupações ambientais e sociais e muitas referências da cultura urbana. 

Os dois amigos de longa data saíram da norma quando Morais Leitão foi chamado para uma entrevista na empresa onde já trabalhava Berberan. As coisas não correram bem e João acabou por não ficar com o lugar, apesar de o seu amigo, do outro lado da barricada, se ter identificado com as suas ideias e o seu mindset. Havia sintonia, faltava a oportunidade.

Depois disso debateram, fizeram projectos, pesaram prós e contras, e há cerca de um ano decidiram despedir-se dos trabalhos onde estavam para se lançarem numa marca própria. “Eu trabalhava numa multinacional, o João [Berberan] já tinha experiência na indústria a trabalhar com marcas nacionais, e ambos precisávamos de um escape criativo, que nos deixasse criar livremente”, conta João Morais Leitão à Time Out. E foi este ponto que serviu de base para o nascimento da Fairly Normal, porque “a roupa é um óptimo motor de expressão criativa”. 

Fairly Normal
DRA dupla João Morais Leitão e João Berberan

A marca tinha de ter tanto de responsável – quer a nível ambiental, quer social – como de estética. “Porque é que não pode ser as duas coisas: responsável e ter uma curadoria de qualidade? Queríamos tornar isso possível”, diz. 

A aventura começou com desenhos e rabiscos daquilo que viriam a ser as primeiras peças, todas feitas em Portugal, depois de uma procura infindável por fábricas nacionais que respondessem às necessidades da marca recém-nascida. A primeira colecção é reduzida, fruto do funcionamento da indústria têxtil no nosso país. “Por mais que tenhamos ideias de fazer sete t-shirts em vez de quatro, ou de mais um par de calças, somos uma marca pequena, sem capacidade para responder aos mínimos de produção que muitas fábricas exigem”, explica João. “Isso acontece connosco e com quase todas as marcas portuguesas locais, é um entrave a quem tem negócios – e que muitas vezes opta por produzir noutros países, mais em conta e em maior quantidade.” 

A verdade é que nada demoveu estes dois amigos que puseram cá fora quatro t-shirts em algodão orgânico (35€), quatro long-sleeves – duas com botões no modelo Henley (65€) e duas sem (55€) –, duas sweatshirts (89€), um hoodie (85€), dois pares de calças (95€) e dois casacos (139€). Tudo à venda no site. A inspiração é o ambiente urbano que se respira em Lisboa, agarrada aos movimentos de contracultura do surf e do skate. “Somos jovens, somos todos diferentes uns dos outros, temos gostos distintos e é essa mistura de referências que tentámos trazer para a mesma equação na hora de pensarmos a Fairly Normal”, conta João. Os materiais usados, como o algodão orgânico ou a lã, são de elevada qualidade, tudo com design minimal e com atenção aos pequenos detalhes. “Produtos de luxo a preços acessíveis” – resume a dupla.

Fairly Normal
Francisco Narciso

Para já vão dedicar-se ao universo masculino, uma vez que ainda há poucas marcas portuguesas dedicadas aos homens. “Sabemos fazer isto bem e vamos melhorar a cada colecção, não queremos atirar-nos para uma colecção feminina só porque sim, sem termos a certeza que não comprometeríamos a qualidade e a identidade da marca”, diz João.

E por falar em qualidade, também essa está ligada à sustentabilidade da marca, que aqui prefere usar o termo “responsável”. “Estudei e li muito antes de criarmos a marca e um dia deparei-me com um artigo que dizia que a única maneira de sermos sustentáveis é não usarmos roupa”, conta João. “A verdade é que preferimos não entrar em extremismos para justificar a marca que temos. Somos o mais responsáveis possível em todo o processo, não há um momento em que não pensemos como é que podemos ter o mínimo impacto possível a produzir.” 

Para os Joões, a transparência é o mais importante, para que se crie uma relação de honestidade entre a marca e o cliente. “Não vamos mentir a quem nos compra, gostamos de esclarecer tudo”, diz o responsável, que partilha vários artigos no site a explicar o processo de produção ou a escolha de materiais. Um exemplo dessa transparência? O texto sobre os tote bags oferecidos em cada encomenda da marca, onde se lê: “Este tote bag não é de algodão orgânico e foi feito na China” – a verdade é que a produção em pequena escala em Portugal não permite que uma marca independente como esta produza uma quantidade de sacos razoável e seja financeiramente sustentável. E quem diz a verdade não merece castigo.

Ainda em 2021, os fundadores da Fairly Normal querem abrir um espaço que sirva não só de loja física, mas também de plataforma de partilha com concertos, conversas, ou exposições. “Tudo o que faça sentido ao nível das referências que servem de base para a marca”, remata João.

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