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Filmin organiza festival de cinema europeu para ver em casa

Chama-se Atlântida Film Festival e é composto por uma selecção de filmes europeus que não passaram pelas salas portuguesas.

Renata Lima Lobo
Escrito por
Renata Lima Lobo
Jornalista
Inna Sahakyan
©DRAurora's Sunrise (2022), de Inna Sahakyan
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Não passaram pelas salas portuguesas, mas podem agora ser vistos na sala de estar. Criado pela Filmin Espanha, o Atlântida Film Festival enche o catálogo do serviço de streaming, entre 1 de Fevereiro e 1 de Março, de filmes independentes que passaram pelos principais festivais europeus.

Espanha, Itália, Irlanda, Ucrânia, Reino Unido, Polónia, Arménia e Suíça são os países representados no ecrã deste festival online, que já avançou alguns dos títulos da programação. Entre eles, Creatura (2023), da realizadora catalã Elena Martín Gimeno, longa-metragem que estreou na Quinzena dos Realizadores de Cannes, onde venceu o Prémio Europa Cinemas para Melhor Filme. Um filme “sobre o desejo e sobre as dificuldades culturais que nos impedem de ter uma sexualidade saudável”, descreve a plataforma em comunicado. Da Suíça chega Thunder (2022), filme de Carmen Jaquier seleccionado pela academia sueca para concorrer aos Óscares, que retrata uma revolução sexual numa pequena cidade no início do século XX. “Uma fábula evocativa sobre a liberdade sexual que se ergue como um apelo contra a repressão do desejo num contexto sufocado pela moral religiosa”.

O cinema fantástico também terá o seu lugar, com o filme LOLA (2022), de Andrew Legge, vencedor do Méliès de Ouro para o Melhor Filme Fantástico Europeu do ano. A LOLA do título é uma máquina construída por duas irmãs irlandesas, em 1940, que tem a habilidade de interceptar emissões de rádio e televisão do futuro. E há espaço para clássicos do cinema independente, à boleia de Regresso à Razão (2023), uma antologia de quatro curtas-metragens surrealistas do fotógrafo e cineasta Man Ray, por ocasião do centenário da sua obra. A banda sonora foi composta por Jim Jarmusch e Carter Logan (os SQÜRL).

Andrew Legge
©DRLOLA (2022), de Andrew Legge

Além da ficção, o Atlântida Film Festival também se estende aos documentários, com destaque para o multipremiado De Onde, Para Onde (2023), do polaco Maciek Hamela, cuja lente acompanha uma carrinha que se dedicou a salvar pessoas durante alguns dos dias mais negros da guerra na Ucrânia. Longe dos cenários de guerra, um conflito pessoal. O docudrama Vera (2022), de Tizza Covi e Rainer Frimmel, acompanha a actriz italiana Vera Gemma, filha de Giuliano Gemma, uma lenda dos western spaghetti. Vivendo sob a sombra do sucesso do pai, Vera tem uma vida amorosa que é um desastre e anda à deriva da alta sociedade da capital.

Outro documentário seleccionado para este festival é Terenci: A fabulação infinita (2023), de Marta Lallana, sobre a vida e obra do escritor espanhol Terenci Moix. Do mundo literário chega ainda Deixa de dizer Mentiras (2022), de Olivier Peyon. É, no entanto, uma adaptação do livro homónimo de Philippe Besson, um drama sobre um escritor que regressa à sua aldeia após 35 anos de ausência, onde enfrenta as memórias de Thomas, o seu primeiro amor.

Na área do cinema de animação, o festival chama a si Aurora's Sunrise (2022), de Inna Sahakyan, um filme com estética Arte Nova que adapta a vida de Aurora Mardiganian, conhecida como a Joana d'Arc da Arménia, após ter sobrevivido ao genocídio armério, perpetuado pelo então Império Otomano, por alturas da I Guerra Mundial. Mardiganian que acabou por emigrar para os Estados Unidos, a partir de onde denunciou os horrores da guerra, em particular num outro documentário, chamado Ravished Armenia (1919).

Filmin. Atlântida Film Festival. De 1 de Fevereiro a 1 de Março

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