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Instalado na Gare Marítima de Alcântara, o projeto do grupo Visabeira traz o famoso filé à Jefferson e uma esplanada com a chancela Terrazza Martini.

A entrada faz-se por uma porta de vidro que dá acesso a dois elevadores do lado direito e a escadas do lado esquerdo. Até aqui, nada de especial. A surpresa dá-se assim que no andar superior terminamos o lanço de escadas (ou saímos do elevador). Estamos agora num terraço enorme, cara a cara com a Ponte 25 de Abril. A proximidade é impressionante.
Chegámos ao destino: Gare. É tão simples quanto isso o nome do novo restaurante que se instala na antiga Gare Marítima de Alcântara e que é o mais recente projecto do grupo Visabeira (dono da Vista Alegre, criado em Viseu em 1980, e agora uma multinacional com negócios em construção, hotelaria, restauração ou energia).
Antes das apresentações (ou de nos sentarmos à mesa do restaurante), podemos demorar-nos na esplanada. Com uma zona delimitada por um tapete vermelho e almofadas às riscas, rapidamente se percebe que tem uma identidade própria e algo familiar. A Terrazza Martini, que marcou a Avenida da Liberdade, ganha aqui uma nova casa e dá o nome a este espaço com lugar para 100 pessoas. “A esplanada é a extensão do restaurante, mas a vista pedia um conceito diferente e, por isso, desafiámos a Martini e fomos buscar um pouco da saudade da Terrazza Martini que existia na Avenida da Liberdade”, explica Narciso Custódio, director de comunicação e marketing do grupo Visabeira, à Time Out.
Aqui é possível provar os cocktails com a assinatura Martini, como o Bianco Spritz (10€), com Martini Bianco e Martini Prosecco; ou o peach (10€), com 42 Below, Grey Goose e Martini Prosecco. Juntam-se clássicos mojito (9€) ou caipirinha (9€) e há jarros de sangria (20€, 1,5 litros) de maracujá, frutos vermelhos ou flores. As entradas da carta podem servir para ir acompanhando as bebidas – mas, se alguém quiser um bife às 16.00, ele não é negado: a cozinha nunca fecha. Além disso, às sextas-feiras e sábados, a música do DJ Gonçalo Ferro começa a ouvir-se pelas 17.00.
Entramos agora no restaurante, com capacidade para 135 pessoas. Do lado esquerdo há banquetas vermelhas que acompanham as janelas, de onde é sempre possível ver a ponte. Quem procura conforto e uma refeição sem pressas, com a luz morna a bater na cara, é aqui que deve pedir para sentar-se.
No centro da sala um candeeiro com bolas suspensas junta os lados moderno e retro num só. Aqui está também o bar, que simula uma onda e tem suspenso no topo uma estrutura que faz lembrar um barco. A sala continua, sempre acompanhada por portas envidraçadas que revelam o rio, até à intersecção com outro espaço do edifício. No lado oposto da entrada do restaurante está o hall do Auditório Almada Negreiros, com os imponentes painéis do artista que estão actualmente a ser restaurados. Esta porta de comunicação só estará aberta em dias de eventos, mas mesmo do lado de dentro, a obra é impressionante.
O edifício foi renovado pelo Turismo de Lisboa, que fez um convite à Visabeira para ficar com a concessão do restaurante, o que veio mesmo a calhar. “Já tínhamos muitos restaurantes abertos com conceitos internacionais no grupo aqui em Lisboa [como Zambeze] e houve esta vontade de abrir um restaurante português, com produtos portugueses”, diz Narciso Custódio.
Com a consultoria da Casa Arouquesa, conceituado restaurante em Viseu, “o foco só podia ser a carne” e isso vê-se logo nas entradas. Os croquetes de vitela (7,90€, cinco unidades) são preparados com vinho branco e azeite Casa da Ínsua, enquanto o carpaccio de vitela (13€) é acompanhado por mostarda à l’ancienne, rúcula e queijo parmesão. Há ainda burrata (13€) com carpaccio de tomate, pesto, rúcula e flor de sal; alheira (8,50€) e chouriça grelhada no espeto (8,50€).
Quem conhece a Casa Arouquesa, conhece o filé à Jefferson (35€) – reza a lenda que foi baptizado em honra de um cliente que frequentava muito o restaurante e que comia sempre o mesmo –, e pode passar a pedi-lo no Gare. Os ingredientes do molho trufado continuam a ser secretos e os medalhões de carne são acompanhados por tagliatelle, queijo Grana Padano ralado, azeite trufado e natas. A carne é tenra e saborosa e é precisamente na qualidade que o restaurante quer apostar. “É a equipa da cozinha que desmancha a carne e corta as peças.”
A vitela assada no forno (27,50€, uma pessoa; 44,50€, duas pessoas) é sinónimo de conforto e almoço de família. Chega num tabuleiro de barro vermelho com batata assada e acompanha ainda com arroz branco, mas há outras coisas que lhe pode acrescentar, como a salada de tomate (4€, uma pessoa) ou as batatas fritas onduladas e cortadas à mão (5€, uma pessoa). A carne solta-se do osso com zero esforço e desfaz-se na boca. Os sabores são familiares e bem condimentados — se alguém dissesse que, em vez de uma equipa, está na cozinha uma Dona Alice de touca e avental, seria perfeitamente credível.
Além destas especialidades, há risotto de camarão (25€), secretos de porco preto (24,90€) e bacalhau à arouquesa (35€). “A carta não é muito extensa, mas garantimos algumas alternativas, sempre mantendo a identidade da carne. Às vezes as pessoas chegam a um restaurante e têm 300 opções. Nós preferimos manter um número mais reduzido, mas servir bem”, diz Narciso Custódio.
Duas marcas do grupo Visabeira estão bem presentes no Gare: a loiça é Vista Alegre e alguns dos vinhos da carta, com o selo Casa da Ínsua, como o Casa da Ínsua colheita branco (5€ o copo, 16€ a garrafa) ou o tinto reserva 2018 (37€ a garrafa).
As sobremesas são todas feitas na casa e seguem a linha tradicional, sem inventar sugestões fora da caixa. Há o típico leite creme queimado (7,80€) e o bolo de bolacha (7,80€), mas também uma finíssima e crocante tarte de amêndoa (8,50€) e um tiramisù (8,50€) servido num mini tacho de cobre com o equilíbrio perfeito entre bolacha e creme. Se a ordem é manter a sensação de conforto até ao fim, então a escolha acertada é o pudim de côco (7,80€). Consistente, derrete-se na boca e é para ficar a saborear o máximo de tempo possível. É finalizado com lascas de côco.
Aberto desde 27 de Maio, o Gare tem estacionamento à porta (o mesmo que serve as Docas) e quer criar nos clientes “uma vontade de vir aqui de propósito”. A zona exterior será certamente a mais cobiçada nos meses de Verão e é possível que nos próximos tempos se juntem umas espreguiçadeiras à esplanada que já existe. O rebuliço vindo da ponte é constante, mas acaba por transformar-se em ruído de fundo a que deixamos de prestar atenção.
Gare Marítima de Alcântara, 1 (Docas). 967 505 320. Ter-Qui 11.00-23.00, Sex-Sáb 11.00-01.00, Dom 11.00-18.00
Com a chegada da Primavera, aproveite os dias longos ao ar livre com as melhores esplanadas e os melhores quiosques de Lisboa. Se tem a operação biquíni em curso, dizemos-lhe onde estão os melhores restaurantes saudáveis, das saladas às sobremesas – e aqui tem os melhores sítios para sumos naturais e smoothies. Para experiências mais completas, espreite as nossas listas com os 100 melhores restaurantes em Lisboa e com os melhores novos restaurantes da cidade.
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