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Gare: o novo restaurante de Alcântara tem carne da Casa Arouquesa e vista rio

Instalado na Gare Marítima de Alcântara, o projeto do grupo Visabeira traz o famoso filé à Jefferson e uma esplanada com a chancela Terrazza Martini.

Andreia Costa
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Andreia Costa
Gare
DR | A sala do Gare
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A entrada faz-se por uma porta de vidro que dá acesso a dois elevadores do lado direito e a escadas do lado esquerdo. Até aqui, nada de especial. A surpresa dá-se assim que no andar superior terminamos o lanço de escadas (ou saímos do elevador). Estamos agora num terraço enorme, cara a cara com a Ponte 25 de Abril. A proximidade é impressionante.

Chegámos ao destino: Gare. É tão simples quanto isso o nome do novo restaurante que se instala na antiga Gare Marítima de Alcântara e que é o mais recente projecto do grupo Visabeira (dono da Vista Alegre, criado em Viseu em 1980, e agora uma multinacional com negócios em construção, hotelaria, restauração ou energia).

Antes das apresentações (ou de nos sentarmos à mesa do restaurante), podemos demorar-nos na esplanada. Com uma zona delimitada por um tapete vermelho e almofadas às riscas, rapidamente se percebe que tem uma identidade própria e algo familiar. A Terrazza Martini, que marcou a Avenida da Liberdade, ganha aqui uma nova casa e dá o nome a este espaço com lugar para 100 pessoas. “A esplanada é a extensão do restaurante, mas a vista pedia um conceito diferente e, por isso, desafiámos a Martini e fomos buscar um pouco da saudade da Terrazza Martini que existia na Avenida da Liberdade”, explica Narciso Custódio, director de comunicação e marketing do grupo Visabeira, à Time Out. 

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DRA esplanada do Gare, assinada pela Martini

Aqui é possível provar os cocktails com a assinatura Martini, como o Bianco Spritz (10€), com Martini Bianco e Martini Prosecco; ou o peach (10€), com 42 Below, Grey Goose e Martini Prosecco. Juntam-se clássicos mojito (9€) ou caipirinha (9€) e há jarros de sangria (20€, 1,5 litros) de maracujá, frutos vermelhos ou flores. As entradas da carta podem servir para ir acompanhando as bebidas – mas, se alguém quiser um bife às 16.00, ele não é negado: a cozinha nunca fecha. Além disso, às sextas-feiras e sábados, a música do DJ Gonçalo Ferro começa a ouvir-se pelas 17.00.

Uma sala com vista para a ponte e para os painéis de Almada Negreiros

Entramos agora no restaurante, com capacidade para 135 pessoas. Do lado esquerdo há banquetas vermelhas que acompanham as janelas, de onde é sempre possível ver a ponte. Quem procura conforto e uma refeição sem pressas, com a luz morna a bater na cara, é aqui que deve pedir para sentar-se.

No centro da sala um candeeiro com bolas suspensas junta os lados moderno e retro num só. Aqui está também o bar, que simula uma onda e tem suspenso no topo uma estrutura que faz lembrar um barco. A sala continua, sempre acompanhada por portas envidraçadas que revelam o rio, até à intersecção com outro espaço do edifício. No lado oposto da entrada do restaurante está o hall do Auditório Almada Negreiros, com os imponentes painéis do artista que estão actualmente a ser restaurados. Esta porta de comunicação só estará aberta em dias de eventos, mas mesmo do lado de dentro, a obra é impressionante. 

O edifício foi renovado pelo Turismo de Lisboa, que fez um convite à Visabeira para ficar com a concessão do restaurante, o que veio mesmo a calhar. “Já tínhamos muitos restaurantes abertos com conceitos internacionais no grupo aqui em Lisboa [como Zambeze] e houve esta vontade de abrir um restaurante português, com produtos portugueses”, diz Narciso Custódio. 

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DRCroquetes de vitela da Gare
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DRO carpaccio da Gare

Com a consultoria da Casa Arouquesa, conceituado restaurante em Viseu, “o foco só podia ser a carne” e isso vê-se logo nas entradas. Os croquetes de vitela (7,90€, cinco unidades) são preparados com vinho branco e azeite Casa da Ínsua, enquanto o carpaccio de vitela (13€) é acompanhado por mostarda à l’ancienne, rúcula e queijo parmesão. Há ainda burrata (13€) com carpaccio de tomate, pesto, rúcula e flor de sal; alheira (8,50€) e chouriça grelhada no espeto (8,50€).

Quem conhece a Casa Arouquesa, conhece o filé à Jefferson (35€) – reza a lenda que foi baptizado em honra de um cliente que frequentava muito o restaurante e que comia sempre o mesmo –, e pode passar a pedi-lo no Gare. Os ingredientes do molho trufado continuam a ser secretos e os medalhões de carne são acompanhados por tagliatelle, queijo Grana Padano ralado, azeite trufado e natas. A carne é tenra e saborosa e é precisamente na qualidade que o restaurante quer apostar. “É a equipa da cozinha que desmancha a carne e corta as peças.”

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DRO filé à Jefferson, famoso na Casa Arouquesa, serve-se na Gare
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DRVitela assada do Gare

A vitela assada no forno (27,50€, uma pessoa; 44,50€, duas pessoas) é sinónimo de conforto e almoço de família. Chega num tabuleiro de barro vermelho com batata assada e acompanha ainda com arroz branco, mas há outras coisas que lhe pode acrescentar, como a salada de tomate (4€, uma pessoa) ou as batatas fritas onduladas e cortadas à mão (5€, uma pessoa). A carne solta-se do osso com zero esforço e desfaz-se na boca. Os sabores são familiares e bem condimentados — se alguém dissesse que, em vez de uma equipa, está na cozinha uma Dona Alice de touca e avental, seria perfeitamente credível. 

Além destas especialidades, há risotto de camarão (25€), secretos de porco preto (24,90€) e bacalhau à arouquesa (35€). “A carta não é muito extensa, mas garantimos algumas alternativas, sempre mantendo a identidade da carne. Às vezes as pessoas chegam a um restaurante e têm 300 opções. Nós preferimos manter um número mais reduzido, mas servir bem”, diz Narciso Custódio.

Sobremesas caseiras com loiça Vista Alegre

Duas marcas do grupo Visabeira estão bem presentes no Gare: a loiça é Vista Alegre e alguns dos vinhos da carta, com o selo Casa da Ínsua, como o Casa da Ínsua colheita branco (5€ o copo, 16€ a garrafa) ou o tinto reserva 2018 (37€ a garrafa). 

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DRA tarte de amêndoa do Gare é fina e crocante
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DRO pudim de côco do Gare

As sobremesas são todas feitas na casa e seguem a linha tradicional, sem inventar sugestões fora da caixa. Há o típico leite creme queimado (7,80€) e o bolo de bolacha (7,80€), mas também uma finíssima e crocante tarte de amêndoa (8,50€) e um tiramisù (8,50€) servido num mini tacho de cobre com o equilíbrio perfeito entre bolacha e creme. Se a ordem é manter a sensação de conforto até ao fim, então a escolha acertada é o pudim de côco (7,80€). Consistente, derrete-se na boca e é para ficar a saborear o máximo de tempo possível. É finalizado com lascas de côco. 

Aberto desde 27 de Maio, o Gare tem estacionamento à porta (o mesmo que serve as Docas) e quer criar nos clientes “uma vontade de vir aqui de propósito”. A zona exterior será certamente a mais cobiçada nos meses de Verão e é possível que nos próximos tempos se juntem umas espreguiçadeiras à esplanada que já existe. O rebuliço vindo da ponte é constante, mas acaba por transformar-se em ruído de fundo a que deixamos de prestar atenção.

Gare Marítima de Alcântara, 1 (Docas). 967 505 320. Ter-Qui 11.00-23.00, Sex-Sáb 11.00-01.00, Dom 11.00-18.00

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