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Granado
© Mariana Valle Lima

Granado: 150 anos de história (e perfumes) numa nova loja em pleno Chiado

Fundada por um português em 1870, há muito que a Granado galgou as fronteiras do Rio de Janeiro. A última loja acaba de abrir em Lisboa e é a quarta na Europa.

Escrito por
Mauro Gonçalves
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Há dois tipos de reacções por parte de quem passa à porta da nova loja, na Rua Garrett, mesmo em frente à Igreja de Nossa Senhora dos Mártires. A casa não chega a ser tão antiga. Na certidão de nascimento consta o ano de 1870 – estava esta obra do barroco lisboeta de pé há mais ou menos 100 anos quando, do outro lado do Atlântico, nasciam as primeiras fórmulas de medicamentos naturais. Desde a última sexta-feira, entre a surpresa de encontrar uma velha conhecida onde menos se esperava e a curiosidade em torno deste vibrante postal do Brasil, a Granado chegou ao Chiado para dar nas vistas.

"Para os 150 anos, a gente queria muito uma loja em Portugal. A gente já tinha na Casa Pau-Brasil e os produtos vendiam muito bem. Íamos abrir em 2020, mas por conta da pandemia acabou atrasando um pouquinho. Até que foi bom, que a gente arranjou um ponto melhor ainda. Não podia ser melhor", explica à Time Out Sissi Freeman, directora de marketing e vendas.

Granado
© Mariana Valle Lima

Durante mais de três anos, a marca centenária manteve um espaço de venda ao público na Casa Pau-Brasil, no Príncipe Real. Mas a internacionalização da Granado está longe de ter começado aí. É preciso recuar até 2013, com a chegada ao Le Bon Marché, em Paris. Depois disso, vieram as Galeries Lafayette e a londrina Liberty (outra instituição centenária, porém cinco anos mais nova do que a marca brasileira), um espaço que serviu de ponto de partida para conceber a loja de Lisboa.

"É um conceito de perfumaria. Claro que ter 150 anos é muito relevante, mas farmácias antigas, aqui na Europa, existem muitas. Então a gente trouxe o nosso conceito de perfumaria que explora os ingredientes brasileiros, as nossas embalagens antigas, se apresentando de uma forma um pouco diferente da perfumaria europeia", reforça Freeman, ao mesmo tempo que chama a atenção para o interior da loja, um projecto assinado pelo Ouriço Arquitetura e Design, um estúdio sediado no Rio de Janeiro, mas fundado em Cascais, no início dos anos 90.

Granado
© Mariana Valle Lima

O charme da perfumaria é aqui envolvido pela proximidade dos trópicos. Nas cartonagens, os motivos florais são o primeiro chamariz (e também estão no tecto, pelo traço do artista Gabriel Azevedo). Uma vez lá dentro, os frascos de perfumes, difusores, velas e colónias evocam o extenso acervo da Granado. Cheirá-los é a terceira etapa do rito de descoberta – na base de cada fragrância estão sempre ingredientes naturais brasileiros: magnólia, verbena ou flor de cajueiro, entre muitos outros.

Outras linhas, são autênticos postais do Rio de Janeiro. Falamos de Bossa e Carioca, ambos sucessos de vendas no mercado português e não só. Boemia, o perfume, é uma homenagem à zona onde ficava a primeira fábrica, prolífera em bares e restaurantes. Imperial, outra fragrância clássica, evoca a relação estreita com a realeza. Em 1880, D. Pedro II concedeu à Granado o estatuto de Pharmácia Oficial da Família Imperial Brasileira. "O clima influencia muito. A gente tem fragrâncias mais marcantes, que são mais fortes. Aqui, no frio, elas vendem melhor do que no Brasil. Bossa e Carioca são best sellers em qualquer lugar do mundo. Na verdade, essa arte era de um chá que se chamava Chá Carioca. Quando a gente entrou no Le Bon Marché, eles queriam um produto exclusivo e aí a gente criou a linha Carioca", continua.

Granado
© Mariana Valle Lima

História não falta por aqui. Ao fundo da loja, está um breve vislumbre de como tudo começou. E tudo começou com um português chamado José António Coxito Granado, que deixou Escalhão, hoje uma vila do concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, para rumar ao Rio de Janeiro. Lá, deixou-se encantar pelas propriedades medicinais de flores e plantas autóctones. Além dos medicamentos que produzia, a partir de espécies botânicas cultivadas numa propriedade em Teresópolis, também importava produtos da Europa. Tudo era vendido na velha Rua Direita, hoje conhecida como Rua Primeiro de Março, no centro histórico da cidade.

A marca permaneceu na família por três gerações. Em 1994, foi comprada pelo empresário inglês Christopher Freeman, altura em que Granado e Perfumaria Phebo – outra marca histórica brasileira, fundada em 1930 – passaram a fazer parte da mesma empresa.

Granado
© Mariana Valle Lima

Em Lisboa, a nova loja está a postos para o Natal. Além de coffrets prontos a levar, há caixas de ar vintage que cada cliente pode compor com os produtos desejados. "Para o Natal, a gente tem uma parceria com o instituto SOS Mata Atlântica, onde 5% das vendas vai para o instituto que refloresta toda a Mata Atlântica", acrescenta Sissi Freeman. Os preços começam nos 7€ (sabonetes) e chegam aos 115€, no caso dos perfumes e dos difusores de maior capacidade. Outra das opções de presente é o livro que assinala os 150 anos de história da Granado – um século e meio que agora culmina com o regresso a Portugal.

Rua Garrett, 98 (Chiado). 21 342 1877. Seg-Sáb 10.00-20.00, Dom 10.00-19.00

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