Notícias

Gregório Duvivier: “A Inês Aires Pereira é uma pessoa muito presente, muito espontânea”

Os humoristas da Porta dos Fundos voltam a trazer o espectáculo ‘Portátil’ a Portugal. Inês Aires Pereira será a única portuguesa em palco. Falámos com parte do elenco.

Renata Lima Lobo
Escrito por
Renata Lima Lobo
Jornalista
Inês Aires Pereira
© Gabriell Vieira/ Time Out LisboaInês Aires Pereira
Publicidade

O espectáculo Portátil já tinha conquistado território português em 2015 e agora está de regresso. A Gregório Duvivier, João Vicente de Castro e Gustavo Miranda junta-se a actriz e humorista portuguesa Inês Aires Pereira, numa produção sem guião, mas com estrutura. O espectáculo é no Teatro Tivoli BBVA, mas foi no hotel Tivoli que nos encontrámos com a encenadora Bárbara Duvivier (irmã de Gregório) e também com metade do grupo que, em Lisboa, vai estar em cena a partir de sábado, com várias sessões até segunda-feira, antes de rumar a outros pontos do país.

Portátil é uma criação do colectivo brasileiro Porta dos Fundos. Cada espectáculo parte de uma entrevista a uma pessoa do público, pelo que não haverá duas sessões iguais. O improviso é a palavra-chave, mas por detrás há uma narrativa estruturada para que não se perca o fio à meada.

As datas em Lisboa já estão esgotadas. Assim como todas as desta digressão que passa também pelo Casino de Tróia, pelo Teatro Sá da Bandeira, no Porto, e pelo Fórum Braga. Qual o segredo para tanto sucesso deste lado do Atlântico? “São mais reconhecidos aqui quase que no Brasil. Eu acho que pelo nicho de pessoas. No Brasil a televisão ainda é muito grande e acho que a internet entra mais nichado lá. E aqui acho que conseguiu pegar geral, o humor bateu com o humor português. O Porta dos Fundos vem com um humor um pouco diferente do humor da televisão brasileira e que eles já tinham bebido em Portugal, do Gato Fedorento… O Gregório é muito apaixonado pelo Ricardo [Araújo Pereira]. Tem esse intercâmbio, explica a encenadora. É muito lindo.”

“O público português é um público interessado e curioso, que gosta de coisa boa. Quando a gente veio aqui pela primeira vez foi muito bem recebido, eu acho que criou um vínculo mesmo. E a gente bebeu muito na fonte lá do Gato Fedorento, complementa João Vicente de Castro. É um intercâmbio cultural que interessa aos dois lados.” Gregório Duvivier concorda: “As sugestões da plateia são muito interessantes, poéticas, diferentes do Brasil. É um outro espetáculo que surgiu quando a gente veio a Portugal e descobriu que dava para fazer o espetáculo de outra maneira.”

Depois de terem convidado César Mourão a subir ao palco com Portátil em 2016, quando o elenco incluía também Luís Lobianco, agora é Inês Aires Pereira a portuguesa que vai fazer a ponte entre a Porta dos Fundos e a plateia. O que poderá a actriz trazer consigo para esta nova digressão? “Espontaneidade, que é o mais importante, defende Gregório Duvivier. O barato do improviso é isso. Estudar e treinar não é tão importante quanto estar presente. E ela é uma pessoa muito presente, muito espontânea. É quase um trabalho de desaprender, desviciar dos nossos hábitos de comédia e tentar se desnudar, sabe? Figurativamente, claro, não vamos tirar a roupa de ninguém. Mas a ideia é essa e ela é muito espontânea, autêntica.” João Vicente de Castro acrescenta: “E tem o lado cultural também. Acho que ela tem a possibilidade de um outro tipo de conexão com o público português, porque ela é daqui. A gente já fez com o César Mourão e tinha muito isso. Ele tinha piadas que às vezes até a gente não entendia e o público morria de rir. Era uma coisa bem portuguesa.”

Quando falámos, na quinta-feira, a equipa da Porta dos Fundos ainda não se tinha encontrado com Inês Aires Pereira. “Parece um casamento arranjado, um blind date, o que a gente vai fazer com a Inês. Conhecemos o trabalho dela, mas nunca a conhecemos pessoalmente, vamos conhecê-la [sexta-feira], no primeiro ensaio. Então, estamos super-ansiosos”, diz Bárbara. E não são os únicos. Segundo a encenadora, a actriz convidada também “está super-nervosa, mas animada”.

Teatro Tivoli BBVA. Sáb 21.30, Seg 18.30 e 21.30. 20€-30€.

+ O festival Irreverente leva para o palco o improviso da vida real

+ Nuno Artur Silva volta à cena com nova versão do seu solo de comédia

Últimas notícias

    Publicidade